Organizações comunitárias
e de pais de alunos se opõem à
presença de recrutadores militares
nos centros educativos dos Estados Unidos,
informou ontem (3) o diário The
New York Times.
O periódico realizou uma ampla
investigação entre os familiares
de estudantes que enfrentam a presença
dos funcionários militares nas
escolas.
Segundo o jornal, Rachel Rogers, uma
novaiorquina que não se preocupava
com o assunto, amedrontou-se quando soube
que os oficiais ensinavam aos estudantes
como lançar granadas de mão.
No mês passado Rachel passou a pressionar
a direção da escola para
que limitasse o acesso dos recrutadores
às crianças.
Orlando Terrazas, um ex-tratorista na
Califórnia, criticou os recrutadores
porque eles teriam prometido a seu filho
aulas de música, caso ele se alistasse.
Segundo o Times, Amy Hagopian, co-presidente
da Associação de Familiares
e Professoras da Garfield High School,
em Seattle, enfrenta o problema lutando
para eliminar uma lei federal que permite
o livre acesso às escolas dos recrutadores
das forças armadas americanas.
A lei penaliza os centros educacionais
que impedirem o acesso com a perda de
fundos federais.
"Pais e mães americanos estão
aterrorizados com a possibilidade de que
seus filhos sejam mortos ou venham a matar
pessoas em uma guerra, como a do Iraque,
considerada desnecessária e infinita",
comenta o diário.
Muitos pais exercem forte influência
em seus filhos para que não venham
a alistar-se nas forças armadas,
segundo o NYT.
Uma pesquisa do Pentágono, em
novembro do ano passado, demonstrou que
somente 25% dos familiares recomendam
o serviço militar aos seus filhos,
contra 42% que faziam isso em agosto de
2003.
"Os pais americanos defendem seus
filhos do alistamento e chegaram até
a ameaçar fisicamente funcionários
do Pentágono enquanto estes realizavam
seu trabalho", observa o jornal.
Há vários meses as autoridades
se queixam de que as campanhas de alistamento
das forças armadas atravessam uma
série crise, acentuada em meio
às invasões americanas de
Iraque e Afeganistão.
Segundo o major-general Michael Rochelle,
as condições de recrutamente
que o Pentágono enfrenta hoje são
as mais desafiantes dos últimos
30 anos.
Nenhum dos quatro serviços militares
da União, inclusive a Guarda Nacional,
conseguiram completar suas cotas de alistamento
no ano passado. Ao que tudo indica, este
ano a situação ainda é
pior.
Na opinião de Rochelle, apesar
do trabalho de persuasão que o
exército tenta fazer com pais,
professores, esportistas e outras pessoas,
incentivando o alistamento de jovens entre
17 e 24 anos, a taxa de admissão
à vida na caserna caiu nos últimos
anos para o índice de 14%.
Antes do ataque de 11 de setembro de
2001 em Nova York e Washington, 22% dos
americanos dessa faixa etária
mostravam-se
dispostos a seguir a carreira militar.
Na tentativa de reverter a situação,
o Departamento de Defesa implementou medidas
adicionais, entre elas o aumento no número
de recrutadores e bônus salariais
para os alistados.
Fonte: Prensa Latina
|