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Brasil, domingo, 12 de outubro de 2008

3 de junho de 2005

CASO CORREIOS
Renato Rabelo (d.) abre a reunião da Comissão Política Nacional do PCdoB
Dirigentes do PCdoB defendem
governo face à oposição conservadora


A situação política do país é caracterizada por uma ofensiva agressiva da oposição conservadora contra o governo Lula. E a CPI dos Correios foi instrumentalizada pela oposição com o intuito de desestabilizar o governo e antecipar a sucessão presidencial. Estas opiniões foram expressas nesta quinta-feira (2) pelo
presidente do PCdoB, Renato Rabelo e o líder da bancada comunista na Câmara dos Deputados, Renildo Calheiros, em entrevista coletiva.

A coletiva, no hotel Parthenon Flats, em Brasília, teve a participação de jornalistas de mais uma dezena de veículos de comunicação e antecedeu uma reunião da Comissão Política Nacional do PCdoB. O ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, que compareceu para a reunião, também foi entrevistado.

Para o PCdoB todos os casos de corrupção devem ser apurados e os responsáveis punidos severamente; o governo Lula tem combatido a corrupção e, no caso concreto dos Correios, a Polícia Federal e outros órgãos estão investigando o caso sob o acompanhamento do Congresso.

CPI manipulada pela oposição

Na análise de Rabelo, o governo Lula vive um momento importante. “Esta é uma fase decisiva para o governo de Lula, uma série de questões estão surgindo ao mesmo tempo”. Como Partido da base aliada, o PCdoB tem noção da importância do seu papel para contribuir com o governo. “O problema é que a CPI dos Correios passou a ser o centro político. Nós a consideramos uma ação política da oposição. Por isso o governo precisa realizar uma contra-ofensiva política, isso faz parte do jogo político. Se a posição transforma a CPI em um instrumento político, o governo tem que agir politicamente também”, diz.

Renato Rabelo sugere que o governo deve “unir a base, recompor a base, para enfrentar essa situação, porque é uma luta política. Eles (a oposição) estão precipitando a sucessão presidencial. Esta é que é a questão de fundo, ninguém é bobo para não entender esta situação. Em uma hora como esta o Partido tem que contribuir para agregar a base aliada, porque é um momento decisivo”, insiste.

Apuração rigorosa

O presidente do PCdoB destaca o esforço do governo na apuração das denúncias de corrupção nos Correios. “A História do PT é rica na luta por uma nova política, uma nova ética. Evidentemente que o PT não deixou isso de lado, tem sido apurado tudo”. E cita o trabalho do ministro Waldir Pires, da Controladoria Geral da União, “que é duro nessas coisas, pessoa ilibada” e que já apurou irregularidades nos municípios.

Tanto Renato Rabelo quanto Renildo Calheiros destacaram as investigações que está sendo realizadas pelo Ministério Público e a Polícia Federal. “A CPI seria necessária se isso não estivesse sendo feito ou houvesse alguma desconfiança nessa apuração”, diz Rabelo.

Renildo Calheiros defende “uma apuração rigorosa de todos os fatos denunciados nos Correios. O Ministério Público e a Polícia Federal estão investigando. Isso é importante. Nós temos que tomar conhecimento do que houve e se crimes foram cometidos, os responsáveis pelos crimes devem ser punidos”, afirma.

Para ele, “CPI é uma manifestação natural, normal e democrática, mas uma manifestação política da oposição, a mesma oposição que, em oito anos do governo FHC, não permitiu a CPI da compra de votos para reeleição do Fernando Henrique, a CPI do Proer e muitas outras. Nós defenderemos a CPI se julgarmos que ela é necessária. Por enquanto consideramos que devemos acompanhar o que o Ministério Público e a Polícia Federal estão fazendo. Se julgarmos insuficiente, ai sim uma CPI, mas por enquanto é só a busca de um palanque eleitoral pela oposição”.

Ele informou que tem defendido “inclusive que o Congresso devia formar uma comissão especial para acompanhar o processo”.

Sobre a unidade da bancada comunista

Renato Rabelo negou que a direção do PCdoB pretenda punir os seis deputados — de uma bancada de nove — que assinaram o requerimento de criação da CPI. Anunciou que a discussão que a direção do PCdoB realiza é no sentido de o Partido debater o tema e deliberar uma posição que uma vez tomada deverá ser acompanhada pelos deputados.

“As nossas normas são claras”, lembra Rabelo. O Partido tem uma direção e, tendo sido decidido uma posição por maioria, os deputados vão ter que acompanhar. Se não não é um partido, vão gerar dois, três partidos. O PCdoB sobre este aspecto, de unidade de ação e disciplina, é mais antigo que PT ou qualquer outra agremiação. Qualquer um de nós que infligir esta norma está sujeito a uma sanção”, afirmou.

Na votação no plenário do recurso do deputado João Leão (PL/BA), que argumenta inconstitucionalidade no requerimento de criação da CPI, por não definir o foco da investigação, Calheiros prevê que “nós vamos discutir na Comissão Política do Partido e na bancada, e o nosso esforço é de tomar posição conjunta, como líder e com a concepção de partido que nós temos, nós precisamos e defendemos uma posição unitária. O esforço é unir a bancada em defesa de uma posição”.

Repercussão na economia

Rabelo refuta que haja agravamento na situação econômica do país, em função do crescimento de apenas 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nesse trimestre. “É errado pensar que já seja certo um crescimento pequeno do PIB neste ano. Não é assim, evidentemente que o governo vai agir. Daqui pra frente deve acontecer uma queda na taxa de juro para que o país volte a crescer como no ano passado”, afirmou.

Ele lembrou que “o PCdoB sempre teve posição de trabalhar, de lutar para redirecionar a política econômica, isso desde início do governo. O Partido também luta para que sejam destravados os investimentos do país, o que é fundamental para o crescimento econômico - os juros mais baixos e intervenção maior no câmbio”.


Aldo Rebelo na Articulação Política

Para Renato Rabelo, o episódio da CPI dos Correios serviu para aumentar a importância da função do ministro Aldo Rebelo, da Articulação Política. “Hoje acredito que o PT já tem compreensão disso e existe uma posição mais construtiva. O papel dele (Aldo) acabou aumentando de importância. O presidente reafirmou a posição dele. E hoje ele conta com ajuda de outros ministros – Dirceu, Palocci, Ciro Gomes, Eduardo Campos”.

Essa atitude de cooperação é elogiada pelo dirigente comunista. “O governo tem que agir como um todo. Não é problema de Palocci ou não Palocci. Todos os ministros que possam contribuir e agir de forma unitária para defender o governo serão bem-vindos. Palocci é um ministro destacado, conhecido. Mas participa desse trabalho, também, o Ciro Gomes ( Integração Nacional), o próprio Dirceu (José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil); o Aldo Rebelo, que é o coordenador político e que faz esse trabalho com esses ministros; Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia); a ministra das Minas e Energia (Dilma Roussef), praticamente todos os ministros estão atuando de forma conjunta”.

Rabelo disse que, sobre o episódio da permanência ou não de Aldo Rebelo no cargo de ministro, “nós temos uma posição que já foi colocada publicamente. Não foi o PCdoB e nem o ministro que demandou esse cargo. Foi a convite do presidente, numa relação de confiança construída ao longo dos anos, entre Partido e Lula, e o próprio Aldo. Cabe ao presidente da República – a proposta foi dele, inclusive a criação da função – falar sobre o assunto.

Ele disse que “o Aldo não luta pelo cargo, está na função em solidariedade e ajuda ao governo, e é assim que o Partido pensa também. Lula acha que Aldo tem um papel importante, e que deve contar com Aldo ainda na articulação política".

União da base aliada

Para os comunistas, “a questão importante é reunir a base do governo. O PCdoB sempre defendeu a idéia de governo de coalizão representativo das forças políticas mais importantes do Congresso. A esquerda não é maioria no Congresso — PT, PSB e PCdoB, portanto, têm que fazer governo de coalizão, com a participação do PMDB, do PL e do PP".

Renildo Calheiros lembra que há muito tempo, no período anterior à CPI, vem sendo feita a crítica de que o governo vinha se relacionando mal com os partidos aliados. Aponta que uma das causas disso é a participação exagerada do PT no governo, o que dificulta a composição com outros partidos. Para Renildo este procedimento é uma exigência "porque não só no Brasil, como em qualquer parte do mundo, quando você tem a necessidade da composição política para governar, você tem que incorporar no governo aqueles que o respaldam”.

O líder comunista insiste em lembrar que “é assim em qualquer parlamento do mundo, a menos que você tenha maioria para governar sozinho,o que não acontece nem com o PT, nem com os outros partidos. Essa crítica nós já temos feito a um tempo, no sentido de que venhamos a compor um governo que represente melhor o leque de forças que o apóiam no Congresso”.

Por ser desnecessária, CPI será derrotada, diz Aldo

"A CPI dos Correios é um instrumento que a oposição está usando para antecipar a campanha eleitoral de 2006. A base aliada deve se unir para derrotar essa tática do campo oposicionista. Precisamos agir como um governo de coalizão e vamos precisar do conjunto das forças que apoiam o governo no Congresso", disse o ministro da Coordenação Política.

Aldo Rebelo, sublinhou que esse trabalho já vem sendo por ele, com ajuda dos demais ministros. Quanto às investigações sobre o caso denunciado de corrupção nos Correios, elas estão sendo bem conduzido pela Polícia Federal, Ministério Público e Controladoria Geral da União, disse. O Ministro acredita que uma ação conjunta do governo e da base aliada poderá agregar as forças necessárias para impedir que a manobra da oposição seja vitoriosa, ou seja, que a CPI poderá será derrotada na CCJ e no Plenário da Câmara.

De Brasília
Rita Polli
Márcia Xavier


 

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