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A situação política
do país é caracterizada
por uma ofensiva agressiva da oposição
conservadora contra o governo Lula. E
a CPI dos Correios foi instrumentalizada
pela oposição com o intuito
de desestabilizar o governo e antecipar a
sucessão presidencial. Estas opiniões
foram expressas nesta quinta-feira (2)
pelo
presidente do PCdoB, Renato Rabelo e o
líder da bancada comunista na Câmara
dos Deputados, Renildo Calheiros, em entrevista
coletiva.
A
coletiva, no hotel Parthenon Flats, em
Brasília, teve a participação
de jornalistas de mais uma dezena de veículos
de comunicação e antecedeu
uma reunião da Comissão
Política Nacional do PCdoB. O ministro
da Articulação Política,
Aldo Rebelo, que compareceu para a reunião,
também foi entrevistado.
Para o PCdoB todos os casos de corrupção
devem ser apurados e os responsáveis
punidos severamente; o governo Lula tem
combatido a corrupção e,
no caso concreto dos Correios, a Polícia
Federal e outros órgãos
estão investigando o caso sob o
acompanhamento do Congresso.
CPI
manipulada pela oposição
Na
análise de Rabelo, o governo Lula
vive um momento importante. “Esta é
uma fase decisiva para o governo de Lula,
uma série de questões estão
surgindo ao mesmo tempo”. Como Partido
da base aliada, o PCdoB tem noção
da importância do seu papel para
contribuir com o governo. “O problema
é que a CPI dos Correios passou
a ser o centro político. Nós
a consideramos uma ação
política da oposição.
Por isso o governo precisa realizar uma
contra-ofensiva política, isso
faz parte do jogo político. Se
a posição transforma a CPI
em um instrumento político, o governo
tem que agir politicamente também”,
diz.
Renato
Rabelo sugere que o governo deve “unir
a base, recompor a base, para enfrentar
essa situação, porque é
uma luta política. Eles (a oposição)
estão precipitando a sucessão
presidencial. Esta é que é
a questão de fundo, ninguém
é bobo para não entender
esta situação. Em uma hora
como esta o Partido tem que contribuir
para agregar a base aliada, porque é
um momento decisivo”, insiste.
Apuração rigorosa
O
presidente do PCdoB destaca o esforço
do governo na apuração das
denúncias de corrupção
nos Correios. “A História do PT
é rica na luta por uma nova política,
uma nova ética. Evidentemente que
o PT não deixou isso de lado, tem
sido apurado tudo”. E cita o trabalho
do ministro Waldir Pires, da Controladoria
Geral da União, “que é duro
nessas coisas, pessoa ilibada” e que já
apurou irregularidades nos municípios.
Tanto Renato Rabelo quanto Renildo Calheiros
destacaram as investigações
que está sendo realizadas pelo
Ministério Público e a Polícia
Federal. “A CPI seria necessária
se isso não estivesse sendo feito
ou houvesse alguma desconfiança
nessa apuração”, diz Rabelo.
Renildo
Calheiros defende “uma apuração
rigorosa de todos os fatos denunciados
nos Correios. O Ministério Público
e a Polícia Federal estão
investigando. Isso é importante.
Nós temos que tomar conhecimento
do que houve e se crimes foram cometidos,
os responsáveis pelos crimes devem
ser punidos”, afirma.
Para
ele, “CPI é uma manifestação
natural, normal e democrática,
mas uma manifestação política
da oposição, a mesma oposição
que, em oito anos do governo FHC, não
permitiu a CPI da compra de votos para
reeleição do Fernando Henrique,
a CPI do Proer e muitas outras. Nós
defenderemos a CPI se julgarmos que ela
é necessária. Por enquanto
consideramos que devemos acompanhar o
que o Ministério Público
e a Polícia Federal estão
fazendo. Se julgarmos insuficiente, ai
sim uma CPI, mas por enquanto é
só a busca de um palanque eleitoral
pela oposição”.
Ele
informou que tem defendido “inclusive
que o Congresso devia formar uma comissão
especial para acompanhar o processo”.
Sobre
a unidade da bancada comunista
Renato
Rabelo negou que a direção
do PCdoB pretenda punir os seis deputados
— de uma bancada de nove — que assinaram
o requerimento de criação
da CPI. Anunciou que a discussão
que a direção do PCdoB realiza
é no sentido de o Partido debater
o tema e deliberar uma posição
que uma vez tomada deverá ser acompanhada
pelos deputados.
“As
nossas normas são claras”, lembra
Rabelo. O Partido tem uma direção
e, tendo sido decidido uma posição
por maioria, os deputados vão ter
que acompanhar. Se não não
é um partido, vão gerar
dois, três partidos. O PCdoB sobre
este aspecto, de unidade de ação
e disciplina, é mais antigo que
PT ou qualquer outra agremiação.
Qualquer um de nós que infligir
esta norma está sujeito a uma sanção”,
afirmou.
Na
votação no plenário
do recurso do deputado João Leão
(PL/BA), que argumenta inconstitucionalidade
no requerimento de criação
da CPI, por não definir o foco
da investigação, Calheiros
prevê que “nós vamos discutir
na Comissão Política do
Partido e na bancada, e o nosso esforço
é de tomar posição
conjunta, como líder e com a concepção
de partido que nós temos, nós
precisamos e defendemos uma posição
unitária. O esforço é
unir a bancada em defesa de uma posição”.
Repercussão
na economia
Rabelo
refuta que haja agravamento na situação
econômica do país, em função
do crescimento de apenas 0,3% do Produto
Interno Bruto (PIB) nesse trimestre. “É
errado pensar que já seja certo
um crescimento pequeno do PIB neste ano.
Não é assim, evidentemente
que o governo vai agir. Daqui pra frente
deve acontecer uma queda na taxa de juro
para que o país volte a crescer
como no ano passado”, afirmou.
Ele
lembrou que “o PCdoB sempre teve posição
de trabalhar, de lutar para redirecionar
a política econômica, isso
desde início do governo. O Partido
também luta para que sejam destravados
os investimentos do país, o que
é fundamental para o crescimento
econômico - os juros mais baixos
e intervenção maior no câmbio”.
Aldo Rebelo na Articulação
Política
Para
Renato Rabelo, o episódio da CPI
dos Correios serviu para aumentar a importância
da função do ministro Aldo
Rebelo, da Articulação Política.
“Hoje acredito que o PT já tem
compreensão disso e existe uma
posição mais construtiva.
O papel dele (Aldo) acabou aumentando
de importância. O presidente reafirmou
a posição dele. E hoje ele
conta com ajuda de outros ministros –
Dirceu, Palocci, Ciro Gomes, Eduardo Campos”.
Essa
atitude de cooperação é
elogiada pelo dirigente comunista. “O
governo tem que agir como um todo. Não
é problema de Palocci ou não
Palocci. Todos os ministros que possam
contribuir e agir de forma unitária
para defender o governo serão bem-vindos.
Palocci é um ministro destacado,
conhecido. Mas participa desse trabalho,
também, o Ciro Gomes ( Integração
Nacional), o próprio Dirceu (José
Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil);
o Aldo Rebelo, que é o coordenador
político e que faz esse trabalho
com esses ministros; Eduardo Campos (Ciência
e Tecnologia); a ministra das Minas e
Energia (Dilma Roussef), praticamente
todos os ministros estão atuando
de forma conjunta”.
Rabelo
disse que, sobre o episódio da
permanência ou não de Aldo
Rebelo no cargo de ministro, “nós
temos uma posição que já
foi colocada publicamente. Não
foi o PCdoB e nem o ministro que demandou
esse cargo. Foi a convite do presidente,
numa relação de confiança
construída ao longo dos anos, entre
Partido e Lula, e o próprio Aldo.
Cabe ao presidente da República
– a proposta foi dele, inclusive a criação
da função – falar sobre
o assunto.
Ele
disse que “o Aldo não luta pelo
cargo, está na função
em solidariedade e ajuda ao governo, e
é assim que o Partido pensa também.
Lula acha que Aldo tem um papel importante,
e que deve contar com Aldo ainda na articulação
política".
União
da base aliada
Para
os comunistas, “a questão importante
é reunir a base do governo. O PCdoB
sempre defendeu a idéia de governo
de coalizão representativo das
forças políticas mais importantes
do Congresso. A esquerda não é
maioria no Congresso — PT, PSB e PCdoB,
portanto, têm que fazer governo
de coalizão, com a participação
do PMDB, do PL e do PP".
Renildo
Calheiros lembra que há muito tempo,
no período anterior à CPI,
vem sendo feita a crítica de que
o governo vinha se relacionando mal com
os partidos aliados. Aponta que uma das
causas disso é a participação
exagerada do PT no governo, o que dificulta
a composição com outros
partidos. Para Renildo este procedimento
é uma exigência "porque
não só no Brasil, como em
qualquer parte do mundo, quando você
tem a necessidade da composição
política para governar, você
tem que incorporar no governo aqueles
que o respaldam”.
O
líder comunista insiste em lembrar
que “é assim em qualquer parlamento
do mundo, a menos que você tenha
maioria para governar sozinho,o que não
acontece nem com o PT, nem com os outros
partidos. Essa crítica nós
já temos feito a um tempo, no sentido
de que venhamos a compor um governo que
represente melhor o leque de forças
que o apóiam no Congresso”.
Por ser desnecessária, CPI será
derrotada, diz Aldo
"A
CPI dos Correios é um instrumento
que a oposição está
usando para antecipar a campanha eleitoral
de 2006. A base aliada deve se unir para
derrotar essa tática do campo oposicionista.
Precisamos agir como um governo de coalizão
e vamos precisar do conjunto das forças
que apoiam o governo no Congresso",
disse o ministro da Coordenação
Política.
Aldo
Rebelo, sublinhou que esse trabalho já
vem sendo por ele, com ajuda dos demais
ministros. Quanto às investigações
sobre o caso denunciado de corrupção
nos Correios, elas estão sendo
bem conduzido pela Polícia Federal,
Ministério Público e Controladoria
Geral da União, disse. O Ministro
acredita que uma ação conjunta
do governo e da base aliada poderá
agregar as forças necessárias
para impedir que a manobra da oposição
seja vitoriosa, ou seja, que a CPI poderá
será derrotada na CCJ e no Plenário
da Câmara.
De
Brasília
Rita Polli
Márcia Xavier
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