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A Guerrilha do Araguaia será o
tema da audiência pública
que a Comissão de Direitos Humanos
e Minorias, da Câmara dos Deputados,
realiza nesta quarta-feira (1º).
Na reunião, será ouvido
o presidente da Comissão Especial
de Mortos e Desaparecidos Políticos,
Augustino Pedro Veit. A comissão,
do Ministério da Justiça,
é responsável pela análise
dos pedidos de indenização
feitos por parentes de pessoas mortas
ou desaparecidas entre 2 de setembro de
1961 e 15 de outubro de 1988.
O
deputado Jamil Murad (PCdoB/SP), que solicitou
a audiência, lembra: “Há
33 anos que o Partido, familiares, jornalistas,
moradores da região procuram resgatar
os corpos dos guerrilheiros desaparecidos.
Existem na Comissão de Mortos e
Desaparecidos, duas caixas de ossos humanos
que foram exumados, mas não há
medidas efetivas para identificar quem
são esses corpos”.
"Que
o presidente nos esclareça"
O
deputado comunista quer, com a audiência,
“que o Presidente da Comissão nos
esclareça quais os obstáculos
e impedimentos para essa investigação.
Não há continuidade e o
governo precisa dar resposta aos familiares
e à sociedade de uma forma geral
sobre essa questão. Não
pode fazer de conta que não houve
nada”.
Jamil
também questiona o fato dos exames
que foram iniciados nas ossadas tenha
sido feitos na Argentina. “Por que não
coloca em laboratórios brasileiros?”,
questiona. Do material que foi encaminhado
para pesquisa de DNA, na Argentina, só
foi identificada a ossada de Maria Lúcia
Petit, sepultada na cidade Bauru (SP).
Além
do presidente da comissão, também
participam da audiência duas representantes
de familiares de mortos e desaparecidos
políticos — Suzana Keniger Lisboa
e Criméia Alice de Almeida Schimitd
—, o procurador da República do
Pará, Carlos Alexandre Ribeiro
de Souza Menezes; e o jornalista da Folha
de São Paulo Josias de Souza,
autor de matéria publicada no dia
1º de maio deste ano, que divulgou
depoimentos de ex-militares do Exército
relatando casos de tortura durante a Guerrilha.
A
Guerrilha do Araguaia
A
Guerrilha do Araguaia foi um movimento
de resistência, iniciado em 1972,
organizado pelo Partido Comunista do Brasil
(PCdoB) contra a ditadura militar. Um
grupo de militantes passou a habitar,
desde 1966, a margem esquerda do rio Araguaia,
entre os estados do Pará, Tocantins
e Maranhão. Atacados pelo Exército
em 12 de abril de 1972, passaram à
resistência armada. Nesse embate,
até 1974, desapareceram 59 militantes
do PCdoB. As famílias lutam até
hoje na Justiça para obter informações
sobre o local onde os corpos foram enterrados.
A
audiência foi solicitada ainda pela
presidente da comissão, deputada
Iriny Lopes (PT/ES); pelo vice-presidente,
deputado Luiz Couto (PT/PB); e pelo deputado
Luiz Eduardo Greenhalgh (PT/SP), que na
condição de advogado acompanha
a saga dos familiares desde os anos 1970.
De
Brasília
Márcia Xavier
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