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Brasil, quinta-feira, 28 de agosto de 2008

31 de maio de 2005

33 ANOS DEPOIS
Deputados da CDH discutirão
a Guerrilha do Araguaia


A Guerrilha do Araguaia será o tema da audiência pública que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, realiza nesta quarta-feira (1º). Na reunião, será ouvido o presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, Augustino Pedro Veit. A comissão, do Ministério da Justiça, é responsável pela análise dos pedidos de indenização feitos por parentes de pessoas mortas ou desaparecidas entre 2 de setembro de 1961 e 15 de outubro de 1988.

O deputado Jamil Murad (PCdoB/SP), que solicitou a audiência, lembra: “Há 33 anos que o Partido, familiares, jornalistas, moradores da região procuram resgatar os corpos dos guerrilheiros desaparecidos. Existem na Comissão de Mortos e Desaparecidos, duas caixas de ossos humanos que foram exumados, mas não há medidas efetivas para identificar quem são esses corpos”.

"Que o presidente nos esclareça"

O deputado comunista quer, com a audiência, “que o Presidente da Comissão nos esclareça quais os obstáculos e impedimentos para essa investigação. Não há continuidade e o governo precisa dar resposta aos familiares e à sociedade de uma forma geral sobre essa questão. Não pode fazer de conta que não houve nada”.

Jamil também questiona o fato dos exames que foram iniciados nas ossadas tenha sido feitos na Argentina. “Por que não coloca em laboratórios brasileiros?”, questiona. Do material que foi encaminhado para pesquisa de DNA, na Argentina, só foi identificada a ossada de Maria Lúcia Petit, sepultada na cidade Bauru (SP).

Além do presidente da comissão, também participam da audiência duas representantes de familiares de mortos e desaparecidos políticos — Suzana Keniger Lisboa e Criméia Alice de Almeida Schimitd —, o procurador da República do Pará, Carlos Alexandre Ribeiro de Souza Menezes; e o jornalista da Folha de São Paulo Josias de Souza, autor de matéria publicada no dia 1º de maio deste ano, que divulgou depoimentos de ex-militares do Exército relatando casos de tortura durante a Guerrilha.

A Guerrilha do Araguaia

A Guerrilha do Araguaia foi um movimento de resistência, iniciado em 1972, organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) contra a ditadura militar. Um grupo de militantes passou a habitar, desde 1966, a margem esquerda do rio Araguaia, entre os estados do Pará, Tocantins e Maranhão. Atacados pelo Exército em 12 de abril de 1972, passaram à resistência armada. Nesse embate, até 1974, desapareceram 59 militantes do PCdoB. As famílias lutam até hoje na Justiça para obter informações sobre o local onde os corpos foram enterrados.

A audiência foi solicitada ainda pela presidente da comissão, deputada Iriny Lopes (PT/ES); pelo vice-presidente, deputado Luiz Couto (PT/PB); e pelo deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT/SP), que na condição de advogado acompanha a saga dos familiares desde os anos 1970.

De Brasília
Márcia Xavier

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