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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

30 de maio de 2005

governo lula

Renato Rabelo: não temos ilusão, CPI é para desestabilizar o governo
 
 
O presidente do PCdoB

Por Pedro de Oliveira*

O presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo, em conversa sexta-feira (27) com o Vermelho, analisou os fatos envolvendo a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios na última quarta-feira em Brasília. Segundo ele, diante da radicalidade política da atual conjuntura provocada pelas atitudes provocadoras da oposição conservadora visando desde já as eleições de 2006, a CPI acabou se transformando num instrumento político desta mesma oposição, para combater o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, tendo em vista desestabilizá-lo.

“Não temos ilusão a esse respeito”, disse Renato, para em seguida historiar os fatos recentes que desembocaram na aprovação da CPI. “Nos primeiros momentos desse episódio”, lembra, “alguns parlamentares dos partidos aliados, inclusive do PCdoB, assinaram o pedido de convocação da CPI. Mas com o desenrolar dos acontecimentos, os deputados e deputadas comunistas, articulados com a liderança da bancada na Câmara e com a direção nacional, concordaram em retirar suas assinaturas num movimento conjunto da base governista, desde que este gesto redundasse em alcançar o patamar suficiente de assinaturas que impedisse a instalação da CPI na forma como ela estava proposta".

Esforços de convencimento político foram feitos à exaustão pelas lideranças dos partidos aliados. Entretanto, diante da constatação feita no último prazo legal pelo líder do governo e pelas lideranças da base no Congresso de que faltariam ainda retirar nove assinaturas para impedir a convocação da CPI, os partidos aliados foram liberados para encaminhar seus respectivos documentos da maneira que considerassem mais adequada [Diante deste resultado, o PCdoB e outros partidos governistas deixaram de encaminhar a relação de seus requerimentos de forma total ou parcial].


“É preciso salientar”, reforçou Renato, “que neste processo de convencimento, o governo conseguiu o apoio de mais de trezentos parlamentares, entre os que não assinaram o documento e os que retiraram suas assinaturas, fato que a mídia simplesmente ignorou”.

Por fim, o presidente do PCdoB concluiu que “este episódio demonstrou a premência de se estancar a crise política em curso, conforme tem reiterado a direção nacional do Partido. Impõem-se uma iniciativa do governo de reconstrução da plataforma mudancista e de sinalização de algumas medidas importantes para a recomposição da base do governo no Congresso e a montagem de uma verdadeira coalizão de forças para o cumprimento dessa nova agenda”.

* Secretário nacional de Comunicação do PCdoB

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