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Brasil, sábado, 11 de outubro de 2008

26 de maio de 2005

VITÓRIA DA OPOSIÇÃO
Governo perde por 9 assinaturas;
criada a CPI dos Correios
-
Renan Calheiros preide a sessão que criou a CPI

Pouco antes da meia noite desta quarta-feira (25), líderes da base aliada no Congresso Nacional entregaram na secretaria-geral da Mesa do Senado um número insuficiente de assinaturas para tentar impedir a instalação da CPI dos Correios.

Dos 254 deputados que assinaram, os líderes governistas disseram ter convencido 75 a desistir, baixando a lista de assinaturas para 179. Mas faltaram convencer mais nove, já que 171 já asseguravam a criação da comissão. Dos 19 deputados do PT que assinaram, apenas seis concordaram em retirar o apoio à CPI.

O desabafo de Chinaglia

"Não deu, bateu na trave. É muito lamentável que o PT mais uma vez tenha derrotado o governo", desabafou o líder do Governo Arlindo Chinaglia (PT/SP), referindo-se à derrota para a presidência da Câmara, em março, onde o petista dissidente Virgilio Guimarães (MG) dividiu os votos da base aliada.

Embora as assinaturas ainda precisem ser conferidas, o que só deverá ocorrer na sexta-feira (27), a contagem feita logo depois da meia-noite desta quarta-feira mostrava 52 senadores que haviam assinado o requerimento — o 52º foi Eduardo Suplicy (PT/SP). Dos 254 deputados que haviam assinado o requerimento, 18 retiraram suas assinaturas. Outros quatro — três do PFL e um do PSDB — assinaram o documento no final da noite desta quarta-feira.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), disse que "parlamentares de algumas bancadas haviam condicionado a entrega de pedidos de retirada de assinaturas a ter o número suficiente para impedir a CPMI. Como teríamos que fazer a entrega primeiro para depois saber, preferimos preservar esse compromisso que foi feito. Alguns líderes preferiram não entregar", agregou.

Próximo passo

A comissão parlamentar de inquérito poderá ser instalada na próxima semana com o apoio de 240 deputados e 52 senadores, apesar do esforço contrário do governo nos últimos dias e do empenho de ministros junto a parlamentares da base aliada. Os partidos terão 30 dias para indicar os componentes da Comissão, que será composta por 16 senadores e 16 deputados. Os partidos da oposição devem indicar 12 desses 32 nomes.

Para Chinaglia, era sabido desde o início que o grau de dificuldade seria muito grande, por ser mais complicado para o parlamentar retirar uma assinatura do que tomar a decisão de não assinar. Para ele, a maior parte da responsabilidade pela instalação da CPI deve ser atribuída à base aliada, que em poucas horas e de forma surpreendente contribuiu com o requerimento assinado PFL e do PSDB sem refletir sobre as conseqüências disso.

O fato de doze deputados da bancada do PT terem mantido os nomes no documento pesou na decisão dos partidos aliados de também não retirar suas assinaturas. Ficou acertado durante o dia que as bancadas fariam a retirada dos nomes em bloco desde que fosse alcançado o número suficiente para evitar a CPI, o que não aconteceu.

O PTB foi o único partido da base aliada a retirar as assinaturas antes do término do prazo, a partir de uma reavaliação da direção nacional feita após o depoimento à Polícia Federal do ex-chefe de contratação da ECT, Maurício Marinho, inocentando o deputado Roberto Jefferson (SP).

Deputado questiona constitucionalidade

Chinaglia informou que o governo agora vai tentar ocupar a relatoria da CPI e fazer uma reflexão objetiva sobre a situação para conduzir os trabalhos com a consciência de que a instalação não caracteriza nenhum desastre. “Trabalhamos muito e fizemos debates interessantes no próprio PT e também com os aliados e isso foi importante para a articulação da base no futuro”, avalia.

O líder do governo destaca que em paralelo ao início dos trabalhos deverá ser feita a análise de uma questão de ordem apresentada pelo deputado João Leão (PL/BA), vice-líder do governo na Câmara, durante a sessão conjunta do Congresso e encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) questionando a falta de dados específicos para a investigação. O presidente da CCJ, Carlos Biscaia (PT/RJ) prometeu dar prioridade para a análise da questão e disse que já existe decisão do Supremo Tribunal Federal prevendo não caber instalação de CPI para fatos genéricos. Caso a questão de ordem seja acatada, a criação da CPI poderá ser anulada.

CPI das Privatizações

Criada a CPI dos Correios, os governistas prometem fazer da CPI das Privatizações do Setor Elétrico um "anteparo". Os governistas dizem que, se a oposição utilizar a investigação do caso de corrupção na ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) como palanque para as eleições de 2006, farão um contraponto na outra comissão.

A CPI do Setor Elétrico já estava criada e teve como motivação o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que revelou que havia pedido para que fossem abafadas denúncias de corrupção nas privatizações durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

De Brasília,
com agências

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