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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

25 de maio de 2005

CASO CORREIOS
PTB desiste de entregar cargos e
retirará assinaturas do pedido de CPI
-
Depoimento de Marinho na PF foi o motivo alegado

A Executiva Nacional do PTB decidiu retirar as assinaturas no pedido de abertura de CPI para investigar o esquema de fraude em licitações na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). O PTB desistiu também de entregar seus cargos no governo federal, recuando da posição levantada na véspera pelo presidente da sigla, Roberto Jefferson (RJ).

A decisão petebista será comunicada nesta quarta-feira (25), quando for feita a leitura do pedido de CPI em sessão do Congresso. Até o fim df tarde de ontem, 13 deputados e três senadores do PTB tinham assinado o pedido de CPI, encabeçado pelos oposicionistas PSDB e PFL.

O motivo do recuo

Jefferson é citado na fita de vídeo que deflagrou o escândalo nos Correios como o pivô de um esquema de cobrança de propinas. Após defender-se das acusações em discurso na Câmara, na terça-feira da semana passada, ele assinou o pedido de CPI e encorajou seus colegas de partido a fazê-lo, o que contribuiu para a oposição obter em um só dia o número mínimo de assinaturas no Senado e na Câmara (27 e 171). O recuo do PTB pode facilitar o esforço do governo para provocar, até a meia-noite de quarta-feira - prazo regimental - uma sangria de assinaturas capaz de inviabilizr a CPI pedida pela oposição.

O presidente do PTB disse que a nova posição foi tomada após o depoimento do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, à Polícia Federal, nesta terça-feira. Marinho inocentou Jefferson e disse que citou o nome do parlamentar na conversa com os empresários que gravaram a fita só por "bravata", para valorizar a importância de seu cargo.

"Se ele nega o que está na fita, que foi obtida de maneira ilegal, não há mais motivação policial, é caso de inquérito administrativo. Não há mais objeto nem para abertura de inquérito político", afirmou Jefferson. A Comissão Executiva Nacional do PTB reuniu-se na tarde desta terça-feira e, apesar de ter tido acesso ao depoimento de Marinho durante o encontro, só decidiu comunicar a permanência no governo nesta noite.

"Ele não me conhece"

O presidente do PTB disse que não é responsável pela indicação de Marinho e que o ex-funcionário dos Correios nem sequer o conhece. "Ele não me conhece, quando ele diz que o Roberto vem do Rio e é doidão, ele não me conhece. Ele tem uma informação do Roberto Jefferson do passado", afirmou.

Roberto Jefferson defendeu Antônio Osório Batista, ex-diretor de Administração dos Correios, e disse que confia em sua conduta. Antônio Osório esteve na reunião da Executiva e, segundo Roberto Jefferson, afirmou ser inocente. "Ele disse que não sabia dessa fita, nem da fraude", declarou o deputado. Jefferson contou que Osório é funcionário de carreira dos Correios há 28 anos. Conhecido pelo apelido de "marcha-a-ré", o ex-diretor de Administração é tido como uma pessoa séria, que segue as normais legais, segundo Jefferson. "É preocupado, consciente e digno", concluiu.

Com agências

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