Dando prosseguimento à luta
antiimperialista, aconteceu em Havana, no
mês de abril, o 4º Encontro Hemisférico
de Luta Contra a ALCA. O PCdoB participou do
encontro representado por seu
vice-presidente, José Reinaldo de Carvalho.
Organizado pela Aliança Social Continental
e pelo Capítulo Cubano da ASC e,
destacadamente, a Central dos Trabalhadores
Cubanos (CTC), o evento acontece anualmente
e procura analisar e colocar em pauta a luta
contra a ALCA e contribuir para o
desenvolvimento de ações conjuntas entre
organizações e partidos políticos de
vários países. Neste ano, estiveram
presentes cerca de 1500 participantes,
representando centenas de organizações
sociais de todas as Américas, incluindo
Canadá e Estados Unidos, país que levou
uma das maiores delegações do encontro.
O Brasil foi representado também por
integrantes da CUT, UNE, UBES, MST, Cebrapaz
e da Marcha Mundial de Mulheres. O
presidente Fidel Castro e membros do governo
cubano tiveram forte presença no evento.
"A realização destes quatro encontros
jogaram um papel decisivo na formação de
uma consciência crítica e na mobilização
popular contra a ALCA. Certamente, tais
encontros estão entre os principais fatores
que conduziram à derrota desse projeto
neocolonialista do imperialismo
norte-americano", ressaltou José
Reinaldo de Carvalho.
Do 4º Encontro, saiu a decisão de
promover, entre os dias 1º e 5 de novembro,
a 3ª Cúpula dos Povos, em Mar del Plata,
Argentina. O evento acontece paralelamente
à 4ª Cúpula das Américas, convocada pela
OEA, que será realizada no mesmo local. A
Cúpula dos Povos - que já aconteceu em
Santiago do Chile e em Québec - é mais um
passo rumo à luta contra as tentativas de
implantação de áreas de livre comércio
encabeçadas pelos EUA, o pagamento da
dívida externa, a militarização, a guerra
e a exclusão social.
Declaração final
O documento conclusivo do 4º Encontro
comemora a não implantação da ALCA, mas
alerta para as futuras ações dos Estados
Unidos no sentido de colocar em prática uma
área de livre comércio dentro dos moldes
neoliberais. "Em 1º de janeiro deste
ano, o mundo amanheceu sem que a OMC
adquirisse novos poderes sobre o destino do
planeta e nosso continente se desperto sem a
calamidade de uma Área de Livre Comércio
das Américas (...). Depois de anos de luta
contra este projeto, celebramos aqui, em
Cuba, território livre da América, esta
primeira vitória", destaca a
declaração. Ressalta, no entanto,
"que o império não dorme" e que
as "negociações podem estar
congeladas, mas a ALCA não está morta. Os
Estados Unidos podem tentar reviver este
cadáver a qualquer momento".
A declaração adverte ainda sobre o atual
cenário da América Central, Caribe e
região andina, regiões de interesse dos
EUA e que estão na sua mira para que se
avance em tratados bilaterais e
sub-regionais de livre comércio,
enfraquecendo a união dos países
latino-americanos e aumentando a
dependência em relação aos desígnios
norte-americanos. "Na América Central
e na região andina está hoje o principal
campo de batalha contra os planos de
dominação do império. Se estes tratados
de livre comércio obtiverem sucesso, a ALCA
estará mais perto de se tornar
realidade", alerta o documento. No
texto, os organizadores lembram também que
em dezembro, em Hong Kong, acontecerá a
reunião da OMC, ocasião em que estará em
pauta o aprofundamento da agenda neoliberal.
Por isso, conclamam as organizações,
partidos progressistas e o povo para
continuar a luta contra o atual modelo
hegemônico de economia.
De São Paulo,
Priscila Lobregatte
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