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Brasil, segunda-feira, 8 de setembro de 2008

22 de MAIO de 2005

PANFLETO DA DIREITA

Matéria da Veja sobre CPI dos Correios "cheira a golpismo", afirma Dirceu

 

Dirceu discursa durante reunião do PT

Dizendo-se “indignado e perplexo” com as acusações feitas pela Revista Veja na edição deste fim de semana, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, afirmou ontem (21) que a matéria, além de infame e mentirosa, “chega a beirar o golpismo”. As declarações foram feitas durante reunião do Diretório Nacional, que começou ontem e termina hoje em São Paulo.

A reportagem de Veja repercute denúncia feita por ela própria na semana passada, a respeito de um caso de corrupção envolvendo um funcionário dos Correios – que acabou originando pedido de CPI no Congresso Nacional. Na edição de hoje, a revista afirma que o governo federal trabalha contra a instalação da CPI porque isso acabaria respingando em integrantes do Partido dos Trabalhadores. Para provar sua tese, Veja publicou, entre aspas, um suposto comentário de José Dirceu, que, por sua vez, teria sido ouvido por alguém que a revista não diz quem é.

Afirma a matéria que, em suposta conversa com um aliado (não identificado no texto), Dirceu teria dito: "É impossível que uma CPI minimamente bem feita não pegue Delúbio e o Silvinho". Os nomes citados são de Delúbio Soares e Silvio Pereira, respectivamente secretário de Finanças e secretário-geral do PT.

Tal "informação" acabou alçada à capa da revista, na qualidade de verdade absoluta. “O que a Veja fez é de uma gravidade extrema. É má-fé ou o objetivo é inconfessável”, disse o ministro, lembrando vários episódios recentes em que a oposição e parte do noticiário estariam tentando tirar do governo o direito de governar o país. Ele citou uma manobra no Senado que tem por objetivo impedir o presidente Lula de nomear o próximo Procurador Geral da República – o que é um direito constitucional da Presidência.

Caminhando para o autoritarismo

Capa da edição deste final de semana

“Estamos caminhando para o autoritarismo. Agora o presidente não pode nem indicar o Procurador-Geral. Isso é uma tentativa clara de nos intimidar, de paralisar o governo e de nos chantagear”, acusou. Mais tarde, completou: “Não vamos nos esquecer de que parcela grande dos nossos adversários sempre viveu no autoritarismo, na ditadura militar”.

Com relação à proposta de CPI dos Correios, que, segundo a oposição, deveria se estender a todas as estatais, Dirceu afirmou que o governo não irá se envolver com o assunto em nível parlamentar. “Não se trata de ser a favor ou contra. Isso é um problema do Congresso e dos partidos. O governo não está voltado para CPI, está governando. E governando com ações, inclusive no Congresso, que está votando nossos projetos”.

O ministro lembrou, porém, que foram e estão sendo tomadas todas as medidas para investigar e punir os culpados no caso dos Correios, aproveitando para repetir que nunca se combateu tanto a corrupção como no governo Lula. Segundo dados apresentados por ele, somente a Polícia Federal, nestes dois anos e meio, fez 65 operações e prendeu 1.121 pessoas ligadas ao legislativo, ao judiciário, aos tribunais de conta, aos municípios e à própria estrutura da administração federal. “O governo não tem deixado de demitir e processar”, concluiu.

Para Dirceu, o fato de o governo não ter maioria na Câmara não pode ser classificado de crise institucional, como afirmou nesta semana, entre outros, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB). “Isso, para mim, chama-se democracia. O Serra (José Serra, prefeito tucano de São Paulo) governa por decreto porque também não tem maioria na Câmara Municipal. O próprio Alckmin outro dia perdeu a presidência da Assembléia Legislativa. Mas aí eles não falam de crise institucional”, argumentou.

Alckmin abafou 44 CPIs

O ministro classificou de hipocrisia quando se diz que o governo federal quer abafar uma eventual CPI das Estatais. “Tem que fazer a CPI das Estatais, mas em São Paulo”, afirmou, citando os 44 pedidos de CPIs que estão parados na Assembléia paulista porque o governo Alckmin trabalha para abafar as investigações. Entre estes, Dirceu enumerou as CPIs da Eletropaulo, do Metrô, da Sabesp, da CPTM, das Ciretrans e do crime organizado na área fiscal.

“No governo federal, excetuando-se esse caso dos Correios, não há uma denúncia sequer contra a gestão das estatais. Nacionalizamos e reorganizamos a Petrobras; reestruturamos o setor elétrico; devolvemos o papel de fomento aos bancos públicos, que tinham virado bancos comerciais no governo anterior; reorganizamos o setor ferroviário; e a própria ECT é bem gerida”, disse.

Quanto à nomeação de cargos na administração, por indicação de partidos da base aliada, Dirceu reafirmou que isso faz parte da democracia. “O governo tem oito ou nove partidos aliados, e eles chamam de fisiologismo”, disse, lembrando que, em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin tem alianças com quase todos os partidos, e todos tem cargos na administração. “Mas em São Paulo, as nomeações não são políticas...”.

Dirceu encerrou seu pronunciamento reafirmando que não existe crise institucional e que o governo vai trabalhar para reconstruir a maioria na Câmara e no Senado. “Democraticamente”, frisou.

Genoino: CPI é palanque da oposição

No mesmo evento de ontem, na parte da manhã, o presidente nacional do PT, José Genoino, afirmou que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito  dos Correios é uma manobra de setores da oposição cujo alvo não é apurar irregularidades, mas impedir os avanços do governo Lula. Genoino fez a afirmação ao apresentar a jornalistas a proposta de resolução que levou para votação durante reunião do Diretório Nacional.

“Temos o dever de denunciar setores da oposição que querem fazer da CPI um palanque para tentar atacar o governo. Eles estão preocupados em precipitar uma disputa política sectarizada”, afirmou Genoino. Ele lembrou que o governo agiu prontamente ao assumir a responsabilidade de apuraras denúncias e punir os culpados. “A Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o Ministério Público estão cuidando do caso”, disse.

O presidente do PT afirma que não há a intenção de engavetar a CPI, ao contrário do que faz PSDB em suas administrações. “Duas grandes gravações, referentes ao governo FHC, publicadas por jornais de circulação nacional, não foram apuradas no Congresso Nacional: no caso da reeleição e da privatização do sistema Telebrás”. Em São Paulo, a situação se repete. “Existem mais de 40 CPIs do PSDB engavetadas na Assembléia Legislativa”.

Genoino esclarece que a CPI é um direito da oposição. “Se for julgado que a CPI é necessária e se for instalada, nós trabalharemos na Câmara e no Senado para que ela cumpra o objetivo determinado no requerimento”. A corrupção, afirma, tem sido enfrentada e diminuída no governo Lula.

Segundo o presidente do PT, não há crise política na relação institucional entre os poderes. “Existem alguns problemas que precisam ser superados: com a base aliada e na relação com o Congresso”. Todos os programas do governo, afirma, estão em curso e “repudiamos este ambiente artificial que setores da oposição estão querendo criar em torno de crises com o objetivo de atacar o governo”.

Verborragia tucana não merece resposta

Mais tarde, ao comentar as declarações feitas ontem pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em que desqualifica o governo petista, José Genoino disse que a atitude de FHC "é um disparate e não merece resposta". FHC compara a administração do governo Lula a "um peru bêbado em dia de carnaval", segundo noticiado na imprensa. “Estes termos não estão à altura de quem exerceu a Presidência da República. Portanto, não merece resposta”, disse.

Clique aqui e leia a íntegra do discurso do ministro José Dirceu

Leia a resolução do PT que denuncia a campanha contra o governo

Fonte: Linha Aberta

 

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