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Dirceu discursa durante reunião
do PT |
Dizendo-se
“indignado e perplexo” com as acusações
feitas pela Revista Veja na edição deste fim
de semana, o ministro da Casa Civil, José
Dirceu, afirmou ontem (21) que a matéria,
além de infame e mentirosa, “chega a beirar
o golpismo”. As declarações foram feitas
durante reunião do Diretório Nacional, que
começou ontem e termina hoje em São Paulo.
A reportagem de Veja repercute denúncia
feita por ela própria na semana passada, a
respeito de um caso de corrupção envolvendo
um funcionário dos Correios – que acabou
originando pedido de CPI no Congresso
Nacional. Na edição de hoje, a revista
afirma que o governo federal trabalha contra
a instalação da CPI porque isso acabaria
respingando em integrantes do Partido dos
Trabalhadores. Para provar sua tese, Veja
publicou, entre aspas, um suposto comentário
de José Dirceu, que, por sua vez, teria sido
ouvido por alguém que a revista não diz quem
é.
Afirma a matéria que, em suposta conversa
com um aliado (não identificado no texto),
Dirceu teria dito: "É impossível que uma CPI
minimamente bem feita não pegue Delúbio e o
Silvinho". Os nomes citados são de Delúbio
Soares e Silvio Pereira, respectivamente
secretário de Finanças e secretário-geral do
PT.
Tal "informação" acabou alçada à capa da
revista, na qualidade de verdade absoluta.
“O que a Veja fez é de uma gravidade
extrema. É má-fé ou o objetivo é
inconfessável”, disse o ministro, lembrando
vários episódios recentes em que a oposição
e parte do noticiário estariam tentando
tirar do governo o direito de governar o
país. Ele citou uma manobra no Senado que
tem por objetivo impedir o presidente Lula
de nomear o próximo Procurador Geral da
República – o que é um direito
constitucional da Presidência.
Caminhando para o autoritarismo
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Capa da edição deste final de
semana |
“Estamos
caminhando para o autoritarismo. Agora o
presidente não pode nem indicar o
Procurador-Geral. Isso é uma tentativa clara
de nos intimidar, de paralisar o governo e
de nos chantagear”, acusou. Mais tarde,
completou: “Não vamos nos esquecer de que
parcela grande dos nossos adversários sempre
viveu no autoritarismo, na ditadura
militar”.
Com relação à proposta de CPI dos Correios,
que, segundo a oposição, deveria se estender
a todas as estatais, Dirceu afirmou que o
governo não irá se envolver com o assunto em
nível parlamentar. “Não se trata de ser a
favor ou contra. Isso é um problema do
Congresso e dos partidos. O governo não está
voltado para CPI, está governando. E
governando com ações, inclusive no
Congresso, que está votando nossos
projetos”.
O ministro lembrou, porém, que foram e estão
sendo tomadas todas as medidas para
investigar e punir os culpados no caso dos
Correios, aproveitando para repetir que
nunca se combateu tanto a corrupção como no
governo Lula. Segundo dados apresentados por
ele, somente a Polícia Federal, nestes dois
anos e meio, fez 65 operações e prendeu
1.121 pessoas ligadas ao legislativo, ao
judiciário, aos tribunais de conta, aos
municípios e à própria estrutura da
administração federal. “O governo não tem
deixado de demitir e processar”, concluiu.
Para Dirceu, o fato de o governo não ter
maioria na Câmara não pode ser classificado
de crise institucional, como afirmou nesta
semana, entre outros, o governador de São
Paulo Geraldo Alckmin (PSDB). “Isso, para
mim, chama-se democracia. O Serra (José
Serra, prefeito tucano de São Paulo) governa
por decreto porque também não tem maioria na
Câmara Municipal. O próprio Alckmin outro
dia perdeu a presidência da Assembléia
Legislativa. Mas aí eles não falam de crise
institucional”, argumentou.
Alckmin
abafou 44 CPIs
O ministro classificou de hipocrisia quando
se diz que o governo federal quer abafar uma
eventual CPI das Estatais. “Tem que fazer a
CPI das Estatais, mas em São Paulo”,
afirmou, citando os 44 pedidos de CPIs que
estão parados na Assembléia paulista porque
o governo Alckmin trabalha para abafar as
investigações. Entre estes, Dirceu enumerou
as CPIs da Eletropaulo, do Metrô, da Sabesp,
da CPTM, das Ciretrans e do crime organizado
na área fiscal.
“No governo federal, excetuando-se esse caso
dos Correios, não há uma denúncia sequer
contra a gestão das estatais. Nacionalizamos
e reorganizamos a Petrobras; reestruturamos
o setor elétrico; devolvemos o papel de
fomento aos bancos públicos, que tinham
virado bancos comerciais no governo
anterior; reorganizamos o setor ferroviário;
e a própria ECT é bem gerida”, disse.
Quanto à nomeação de cargos na
administração, por indicação de partidos da
base aliada, Dirceu reafirmou que isso faz
parte da democracia. “O governo tem oito ou
nove partidos aliados, e eles chamam de
fisiologismo”, disse, lembrando que, em São
Paulo, o governador Geraldo Alckmin tem
alianças com quase todos os partidos, e
todos tem cargos na administração. “Mas em
São Paulo, as nomeações não são
políticas...”.
Dirceu encerrou seu pronunciamento
reafirmando que não existe crise
institucional e que o governo vai trabalhar
para reconstruir a maioria na Câmara e no
Senado. “Democraticamente”, frisou.
Genoino: CPI é palanque da oposição
No mesmo
evento de ontem, na parte da manhã, o
presidente nacional do PT, José Genoino,
afirmou que a criação de uma Comissão
Parlamentar de Inquérito dos Correios
é uma manobra de setores da oposição cujo
alvo não é apurar irregularidades, mas
impedir os avanços do governo Lula. Genoino fez a afirmação ao apresentar a
jornalistas a
proposta de resolução que levou
para votação durante reunião do Diretório
Nacional.
“Temos o dever de denunciar setores da
oposição que querem fazer da CPI um palanque
para tentar atacar o governo. Eles estão
preocupados em precipitar uma disputa
política sectarizada”, afirmou Genoino. Ele
lembrou que o governo agiu prontamente ao
assumir a responsabilidade de apuraras
denúncias e punir os culpados. “A Polícia
Federal, o Ministério da Justiça e o
Ministério Público estão cuidando do caso”,
disse.
O presidente do PT afirma que não há a
intenção de engavetar a CPI, ao contrário do
que faz PSDB em suas administrações. “Duas
grandes gravações, referentes ao governo
FHC, publicadas por jornais de circulação
nacional, não foram apuradas no Congresso
Nacional: no caso da reeleição e da
privatização do sistema Telebrás”. Em São
Paulo, a situação se repete. “Existem mais
de 40 CPIs do PSDB engavetadas na Assembléia
Legislativa”.
Genoino esclarece que a CPI é um direito da
oposição. “Se for julgado que a CPI é
necessária e se for instalada, nós
trabalharemos na Câmara e no Senado para que
ela cumpra o objetivo determinado no
requerimento”. A corrupção, afirma, tem sido
enfrentada e diminuída no governo Lula.
Segundo o presidente do PT, não há crise
política na relação institucional entre os
poderes. “Existem alguns problemas que
precisam ser superados: com a base aliada e
na relação com o Congresso”. Todos os
programas do governo, afirma, estão em curso
e “repudiamos este ambiente artificial que
setores da oposição estão querendo criar em
torno de crises com o objetivo de atacar o
governo”.
Verborragia tucana não merece resposta
Mais tarde,
ao comentar as declarações feitas ontem pelo
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em
que desqualifica o governo petista, José
Genoino disse que a atitude de FHC "é um
disparate e não merece resposta". FHC
compara a administração do governo Lula a
"um peru bêbado em dia de carnaval", segundo
noticiado na imprensa. “Estes termos não
estão à altura de quem exerceu a Presidência
da República. Portanto, não merece
resposta”, disse.
Clique aqui e
leia a íntegra do discurso do ministro José
Dirceu
Leia a resolução
do PT que denuncia a campanha contra o
governo
Fonte: Linha Aberta
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