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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

20 de maio de 2005

OPINIÃO
PCdoB rejeita CPI como
instrumento político da oposição


Tanto o líder da bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados, Renildo Calheiros (PE), como o presidente da legenda, Renato Rabelo, apontam o pedido de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios como um instrumento político da oposição. E julgam que o governo e a base aliada devem se mobilizar para que ela não se instale.

"Eu acho que a denúncia que a revista Veja mostrou, e depois a televisão, tem que ser apurada. É um fato que precisa ser averiguado em toda a sua extensão e com toda profundidade. Agora, para isso você tem a Polícia Federal, tem o Ministério Público, tem o Judiciário. É a eles que compete investigar. Uma CPI caberia se isso não funcionasse", raciocina Renildo, lembrando que a denúncia veio à luz a menos de uma semana, no sábado passado (14).

"Você tem que apurar mas não pode ser ingênuo"

Para Renildo, a iniciativa da CPI, tomada pelo PFL e o PSDB, "tem um conteúdo político muito forte". E o deputado recorda que ela foi pedida por "aquelas mesmas pessoas que no governo passado (do presidente Fernando Henrique Cardoso) não deixaram aprovar nenhuma CPI durante oito anos", mencionando os numerosos casos de Comissões de Inquérito abortadas em 1995/2002.

"Na verdade, não se trata aqui de uma investigação, mas de uma luta política em curso. Você tem que apurar os fatos, sim, mas não pode ser ingênuo na luta política", insiste.

Renildo reconhece que o episódio encontra a base de apoio do governo Lula em uma situação difícil, dados os tensionamentos entre o PT e os demais partidos aliados. E recorda que a atitude do principal acusado pela denúncia, deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, colaborou para aumentar o número de signatários do pedido de CPI.

"Jefferson foi para a tribuna e disse que é um homem inocente; desceu e assinou a CPI. Foi uma posição tirada no PTB, e o PTB todo assinou. Isso facilitou muito a coleta de assinaturas", avalia.

Mesmo achando "difícil ter volta", Renildo prevê que "será feita uma mobilização até quarta-feira pela manhã" — quando o Congresso Nacional examinará o pedido protocolado pela oposição. E opina que os parlamentares da base do governo devem retirar suas assinaturas.

Renato: "Vai depender da luta política"

Renato Rabelo é ainda mais incisivo. "Eu não sei se ela já passou ou não", opina, sobre as chances da CPI. "Ainda tem muita água para correr. Essa história de manter assinaturas ou retirar assinaturas vai depender da luta política. A questão de fundo é esta, que essa é uma CPI para a oposição fazer uso político contra o governo. É sobre isso que não se pode ter nenhuma ingenuidade", destaca o dirigente comunista.

Sobre os parlamentares governistas que assinaram o pedido, Renato avalia que "esse pessoal agiu de forma espontânea" e até "bem intencionada", porém em seguida indaga: "Mas quem assinou, ao fazer isso, faz o jogo de quem mesmo?".

Também o presidente do PCdoB enfatiza o sentido político da iniciativa oposicionista. "Neste quadro atual, de dificuldade política crescente para o governo Lula, eles vão aproveitar a CPI para uso político", insiste. Cita o ministro José Dirceu (Casa Civil), que se referiu à iniciativa como uma "conspirata". E define-a como "eminentemente um instrumento de ação política da oposição contra o governo".

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