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Tanto o líder da bancada do PCdoB
na Câmara dos Deputados, Renildo
Calheiros (PE), como o presidente da legenda,
Renato Rabelo, apontam o pedido de
uma Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) dos Correios como um instrumento
político da oposição.
E julgam que o governo e a base aliada
devem se mobilizar para que ela não
se instale.
"Eu
acho que a denúncia que a revista
Veja mostrou, e depois a televisão,
tem que ser apurada. É um fato
que precisa ser averiguado em toda a sua
extensão e com toda profundidade.
Agora, para isso você tem a Polícia
Federal, tem o Ministério Público,
tem o Judiciário. É a eles
que compete investigar. Uma CPI caberia
se isso não funcionasse",
raciocina Renildo, lembrando que a denúncia
veio à luz a menos de uma semana,
no sábado passado (14).
"Você
tem que apurar mas não pode ser
ingênuo"
Para
Renildo, a iniciativa da CPI, tomada pelo
PFL e o PSDB, "tem um conteúdo
político muito forte". E o
deputado recorda que ela foi pedida por
"aquelas mesmas pessoas que no governo
passado (do presidente Fernando Henrique
Cardoso) não deixaram aprovar nenhuma
CPI durante oito anos", mencionando
os numerosos casos de Comissões
de Inquérito abortadas em 1995/2002.
"Na
verdade, não se trata aqui de uma
investigação, mas de uma
luta política em curso. Você
tem que apurar os fatos, sim, mas não
pode ser ingênuo na luta política",
insiste.
Renildo
reconhece que o episódio encontra
a base de apoio do governo Lula em uma
situação difícil,
dados os tensionamentos entre o PT e os
demais partidos aliados. E recorda que
a atitude do principal acusado pela denúncia,
deputado Roberto Jefferson, presidente
do PTB, colaborou para aumentar o número
de signatários do pedido de CPI.
"Jefferson
foi para a tribuna e disse que é
um homem inocente; desceu e assinou a
CPI. Foi uma posição tirada
no PTB, e o PTB todo assinou. Isso facilitou
muito a coleta de assinaturas", avalia.
Mesmo
achando "difícil ter volta",
Renildo prevê que "será
feita uma mobilização até
quarta-feira pela manhã" —
quando o Congresso Nacional examinará
o pedido protocolado pela oposição.
E opina que os parlamentares da base do
governo devem retirar suas assinaturas.
Renato:
"Vai depender da luta política"
Renato
Rabelo é ainda mais incisivo. "Eu
não sei se ela já passou
ou não", opina, sobre as chances
da CPI. "Ainda tem muita água
para correr. Essa história de manter
assinaturas ou retirar assinaturas vai
depender da luta política. A questão
de fundo é esta, que essa é
uma CPI para a oposição
fazer uso político contra o governo.
É sobre isso que não se
pode ter nenhuma ingenuidade", destaca
o dirigente comunista.
Sobre
os parlamentares governistas que assinaram
o pedido, Renato avalia que "esse
pessoal agiu de forma espontânea"
e até "bem intencionada",
porém em seguida indaga: "Mas
quem assinou, ao fazer isso, faz o jogo
de quem mesmo?".
Também
o presidente do PCdoB enfatiza o sentido
político da iniciativa oposicionista.
"Neste quadro atual, de dificuldade
política crescente para o governo
Lula, eles vão aproveitar a CPI
para uso político", insiste.
Cita o ministro José Dirceu (Casa
Civil), que se referiu à iniciativa
como uma "conspirata". E define-a
como "eminentemente um instrumento
de ação política
da oposição contra o governo".
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