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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

3 de maio de 2005

MEMÓRIA DA GUERRILHA
Presidente do PCdoB contesta
indenização a repressores do Araguaia
-
Renato: indenização é para perseguidos

Para o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, os relatos de ex-soldados do Exército que participaram das ações de repressão à Guerrilha do Araguaia, publicados no jornal Folha de São Paulo, no último dia 1º, são uma prova a mais de que as Forças Armadas empreenderam contra os guerrilheiros uma “guerra de extermínio” com práticas fora das leis da própria guerra, antagônicas com os “valores mais elementares da civilização.”

Quanto ao pedido de indenização que os ex-militares pleiteiam, o presidente do PCdoB manifestou-se contra. Na ótica de Renato, as indenizações derivadas da Lei da Anistia são direcionadas para reparar perdas de pessoas que foram prejudicadas pela perseguição política, pela repressão da ditadura militar. Esses ex-militares, ao contrário das vítimas do regime autoritário “faziam parte do próprio aparelho repressor”. Renato, concluiu que um caso diferente é o das famílias dos moradores da região, que foram igualmente alvo de perseguições e violências. “Estes, também, foram vítimas, e portanto, a exemplo dos familiares dos guerrilheiros, ao nosso ver, também têm direito a reparações”.

Abertura dos arquivos já

O dirigente do partido que encabeçou a resistência armada do Araguaia, em 1972-1975, explica que o uso brutal da tortura contra os guerrilheiros e, também, contra os moradores da região, a execução sumária de prisioneiros e mesmo a conduta macabra de decapitação de cadáveres e ocultação ou destruição de corpos, já haviam sido descritos em livros, reportagens, ensaios de vários jornalistas, pesquisadores e acadêmicos. Para Renato, no entanto, o depoimento destes ex-militares que participaram diretamente das operações, o relato que fazem das ordens recebidas de oficiais, tem um valor testemunhal que comprova as práticas hediondas, as selvagerias cometidas (clique aqui para ver o conteúdo dos depoimentos).

Renato Rabelo destaca que este fato ressalta a necessidade de o governo federal agilizar, sem mais demora, a abertura dos arquivos da época da Ditadura Militar, em especial os relativos à Guerrilha do Araguaia. Para ele, o reconhecimento oficial de que atrocidades foram perpetradas contra cidadãos brasileiros por instituições que compõem o Estado brasileiro contribuiria para fortalecer a democracia e impedir que práticas desumanas voltassem a acontecer no país.

Disse, ainda, que a abertura dos arquivos uma vez efetivada poderá ajudar a localizar os restos mortais dos guerrilheiros. “O PCdoB desde 1980 luta ao lado dos familiares dos combatentes do Araguaia para que seja possível enterrar em túmulo honroso os corpos dos guerrilheiros”. Segundo ele, isto é um direito humanitário que não pode ser negado nem a familiares e nem à consciência democrática da nação.

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