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| Renato:
indenização é
para perseguidos |
Para
o presidente do PCdoB, Renato Rabelo,
os relatos de ex-soldados do Exército
que participaram das ações
de repressão à Guerrilha
do Araguaia, publicados no jornal Folha
de São Paulo, no último
dia 1º, são uma prova a mais
de que as Forças Armadas empreenderam
contra os guerrilheiros uma “guerra de
extermínio” com práticas
fora das leis da própria guerra,
antagônicas com os “valores mais
elementares da civilização.”
Quanto ao pedido de indenização
que os ex-militares pleiteiam, o presidente
do PCdoB manifestou-se contra. Na ótica
de Renato, as indenizações
derivadas da Lei da Anistia são
direcionadas para reparar perdas de pessoas
que foram prejudicadas pela perseguição
política, pela repressão
da ditadura militar. Esses ex-militares,
ao contrário das vítimas
do regime autoritário “faziam parte
do próprio aparelho repressor”.
Renato, concluiu que um caso diferente
é o das famílias dos moradores
da região, que foram igualmente
alvo de perseguições e violências.
“Estes, também, foram vítimas,
e portanto, a exemplo dos familiares dos
guerrilheiros, ao nosso ver, também
têm direito a reparações”.
Abertura
dos arquivos já
O dirigente do partido que encabeçou
a resistência armada do Araguaia,
em 1972-1975, explica que o uso brutal
da tortura contra os guerrilheiros e,
também, contra os moradores da
região, a execução
sumária de prisioneiros e mesmo
a conduta macabra de decapitação
de cadáveres e ocultação
ou destruição de corpos,
já haviam sido descritos em livros,
reportagens, ensaios de vários
jornalistas, pesquisadores e acadêmicos.
Para Renato, no entanto, o depoimento
destes ex-militares que participaram diretamente
das operações, o relato
que fazem das ordens recebidas de oficiais,
tem um valor testemunhal que comprova
as práticas hediondas, as selvagerias
cometidas (clique
aqui para ver o conteúdo dos depoimentos).
Renato Rabelo destaca que este fato ressalta
a necessidade de o governo federal agilizar,
sem mais demora, a abertura dos arquivos
da época da Ditadura Militar, em
especial os relativos à Guerrilha
do Araguaia. Para ele, o reconhecimento
oficial de que atrocidades foram perpetradas
contra cidadãos brasileiros por
instituições que compõem
o Estado brasileiro contribuiria para
fortalecer a democracia e impedir que
práticas desumanas voltassem a acontecer
no país.
Disse, ainda, que a abertura dos arquivos
uma vez efetivada poderá ajudar
a localizar os restos mortais dos guerrilheiros.
“O PCdoB desde 1980 luta ao lado dos familiares
dos combatentes do Araguaia para que seja
possível enterrar em túmulo
honroso os corpos dos guerrilheiros”.
Segundo ele, isto é um direito
humanitário que não pode
ser negado nem a familiares e nem à consciência
democrática da nação.
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