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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

3 de maio de 2005

Hermanos
Argentina diz que Alca deve ser vista sem "avidez senhorial"


Em uma coluna publicada ontem (2) pelo jornal argentino Clarín, o chanceler da Argentina, Rafael Bielsa, disse que a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), prevista inicialmente para começar a vigorar neste ano, não está morta. Mas precisa ser vista de forma diferente. O chanceler defendeu a necessidade de encarar o processo "sem ideologia barata" ou "avidez senhorial". "Seria um erro infantil negociar a Alca a partir de preconceitos ideológicos", diz Bielsa no artigo.  "O mais correto seria afirmar que depende da vontade de negociar de algumas partes", ressaltou.

A Alca "fracassou até o momento devido ao desequilíbrio nas negociações, mas não existe nenhum impedimento ou condicionamento que nos impeça de avançar (no processo)", disse. Bielsa afirma que a Argentina e seus parceiros do Mercosul (Brasil, Paraguai e Uruguai) estão "preparados" para retomar as negociações se elas forem "equitativas". Segundo ele, existe "um compromisso e um interesse permanente" nesse e em outros projetos. Mas o ministro de Relações Exteriores destacou que é preciso "reforçar os mecanismos de convergência (econômica)" para evitar "cenários de confronto" e frear "projetos hegemônicos", em referência aos Estados Unidos, o principal defensor da Alca original.

Subsídios agrícolas

As negociações da Alca, que envolvem todos os países americanos — exceto Cuba, excluída por imposição dos Estados Unidos —, foram lançadas durante a 2ª Cúpula das Américas, realizada em 1998 em Santiago. A previsão era de que este ano começasse uma diminuição gradual das tarifas alfandegárias entre as 34 nações envolvidas.

O Mercosul exige, no entanto, a eliminação dos subsídios agrícolas aplicados por Estados Unidos e Canadá, o que, somado à falta de acordo no que diz respeito à abertura do setor de serviços e investimentos, emperra as negociações. Na coluna, Bielsa afirma ainda que os outros países americanos são o destino de 50% das exportações da Argentina, que compra na região 60% dos produtos que importa.

Com agências

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