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Brasil, segunda-feira, 8 de setembro de 2008

16 de abril de 2005

GUERRILHA DO ARAGUAIA

Comissão coleta DNA da família do guerrilheiro do Araguaia, Bergson Gurjão

 

CLique na imagem para saber mais sobre Bergson GurãoA Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, esteve em Fortaleza para coletar sangue dos familiares do cearense Bergson Gurjão Farias, para confirmar se duas caixas de ossadas humanas, a RI-2 e a X2 (Reserva Indígena 2 e Xambioá 2), incluiriam restos mortais dele.

No início da semana, uma das integrantes da Comissão, Yara Xavier Pereira, acompanhou em Fortaleza a coleta de sangue da irmã de Bergson, Tânia Gurjão, e da mãe do cearense, Luíza Gurjão Farias. Na sexta-feira foi coletado o sangue do irmão de Bergson, Gessiner Farias Júnior.

A coleta de sangue ocorre pouco mais de três meses depois do jornal cearense O Povo ter revelado a existência das ossadas, que permaneceriam em poder do Governo Federal há nove anos. No último dia 11 de janeiro, o jornal revelou a existência das ossadas a partir de relatório da Equipo Argentino de Antropologia Forense (EAAF). O órgão é responsável pela identificação das supostas ossadas de desaparecidos políticos exumadas no cemitério de Xambioá.

Conforme Simone Botelho, permanece indefinido o prazo em que será conhecido o resultado dos exames que comprovariam se o DNA dos familiares de Bergson Gurjão Farias é o que foi identificado nas ossadas. ''Estamos investigando de quem seriam as ossadas. Elas podem ser de cinco ou seis pessoas, dentre elas o Bergson'', quantifica a secretária executiva da Comissão.

Na prática, de acordo com Simone Botelho, as amostras sangüíneas terão o DNA isolado. Com isto, seria possível a comparação entre os códigos genéticos de Bergson e de seus familiares.

Até o final do mês, de acordo com Yara Xavier, os exames serão encaminhados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos à Universidade de Farmácia e Bioquímica de Buenos Aires, na Argentina. Lá, um exame a ser feito pelo serviço Hullas Digitales comprovará se entre as ossadas foi encontrado DNA de Bergson. Conforme Yara, a expectativa da Comissão é a de que o resultado dos exames seja divulgado pela universidade argentina em um prazo que varia de dois a três meses. A Comissão informa que as amostras sangüíneas terão o DNA isolado. Com isto, seria possível a comparação entre os códigos genéticos das ossadas e dos familiares de Bergson e dos demais desaparecidos - o que comprovaria se restos mortais do cearense foram realmente encontrados.

Expectativa na família

A irmã de Bergson Gurjão Farias, Tânia Gurjão, afirma que a principal expectativa da família do cearense é a de que o resultado dos exames seja conhecido rapidamente. ''O que a família espera é que os restos mortais dele (Bergson) tenham sido realmente encontrados'', frisa Tânia, sustentando que a expectativa é compartilhada por sua mãe, Luíza Gurjão Farias, hoje com 90 anos.

Tânia Gurjão elogia a decisão do Governo Federal de promover a coleta de sangue dos familiares das pessoas que teriam morrido ao longo da Guerrilha. ''O primeiro passo importante do governo foi a indenização dada às famílias dos mortos em 1997. Foi um reconhecimento de que atrocidades foram cometidas'', enfatiza.

Dirigente do PCdoB cearense e chefe de gabinete do deputado estadual Chico Lopes (PCdoB), Inácio Carvalho lembra que o último dia 12 de abril marcou os 33 anos em que foi iniciada a Guerrilha. Para ele, no entanto, o resultado dos exames não sairá logo. ''Trata-se de um exame muito minucioso e como serão confrontados muitos dados, acho que (o resultado) é coisa para (sair em) pelo menos um mês'', frisa.

Fonte: jornal O Povo (CE)

 

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