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A
Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos,
ligada à Secretaria Especial de Direitos
Humanos da Presidência da República, esteve
em Fortaleza para coletar sangue dos
familiares do cearense Bergson Gurjão
Farias, para confirmar se duas caixas de
ossadas humanas, a RI-2 e a X2 (Reserva
Indígena 2 e Xambioá 2), incluiriam restos
mortais dele.
No início da semana, uma das integrantes da
Comissão, Yara Xavier Pereira, acompanhou em
Fortaleza a coleta de sangue da irmã de
Bergson, Tânia Gurjão, e da mãe do cearense,
Luíza Gurjão Farias. Na sexta-feira foi
coletado o sangue do irmão de Bergson,
Gessiner Farias Júnior.
A coleta de sangue ocorre pouco mais de três
meses depois do jornal cearense O Povo ter
revelado a existência das ossadas, que
permaneceriam em poder do Governo Federal há
nove anos. No último dia 11 de janeiro, o
jornal revelou a existência das ossadas a
partir de relatório da Equipo Argentino de
Antropologia Forense (EAAF). O órgão é
responsável pela identificação das supostas
ossadas de desaparecidos políticos exumadas
no cemitério de Xambioá.
Conforme Simone Botelho, permanece
indefinido o prazo em que será conhecido o
resultado dos exames que comprovariam se o
DNA dos familiares de Bergson Gurjão Farias
é o que foi identificado nas ossadas.
''Estamos investigando de quem seriam as
ossadas. Elas podem ser de cinco ou seis
pessoas, dentre elas o Bergson'', quantifica
a secretária executiva da Comissão.
Na prática, de acordo com Simone Botelho, as
amostras sangüíneas terão o DNA isolado. Com
isto, seria possível a comparação entre os
códigos genéticos de Bergson e de seus
familiares.
Até o final do mês, de acordo com Yara
Xavier, os exames serão encaminhados pela
Secretaria Especial de Direitos Humanos à
Universidade de Farmácia e Bioquímica de
Buenos Aires, na Argentina. Lá, um exame a
ser feito pelo serviço Hullas Digitales
comprovará se entre as ossadas foi
encontrado DNA de Bergson. Conforme Yara, a
expectativa da Comissão é a de que o
resultado dos exames seja divulgado pela
universidade argentina em um prazo que varia
de dois a três meses. A Comissão informa que
as amostras sangüíneas terão o DNA isolado.
Com isto, seria possível a comparação entre
os códigos genéticos das ossadas e dos
familiares de Bergson e dos demais
desaparecidos - o que comprovaria se restos
mortais do cearense foram realmente
encontrados.
Expectativa na família
A irmã de Bergson Gurjão Farias, Tânia
Gurjão, afirma que a principal expectativa
da família do cearense é a de que o
resultado dos exames seja conhecido
rapidamente. ''O que a família espera é que
os restos mortais dele (Bergson) tenham sido
realmente encontrados'', frisa Tânia,
sustentando que a expectativa é
compartilhada por sua mãe, Luíza Gurjão
Farias, hoje com 90 anos.
Tânia Gurjão elogia a decisão do Governo
Federal de promover a coleta de sangue dos
familiares das pessoas que teriam morrido ao
longo da Guerrilha. ''O primeiro passo
importante do governo foi a indenização dada
às famílias dos mortos em 1997. Foi um
reconhecimento de que atrocidades foram
cometidas'', enfatiza.
Dirigente do PCdoB cearense e chefe de
gabinete do deputado estadual Chico Lopes (PCdoB),
Inácio Carvalho lembra que o último dia 12
de abril marcou os 33 anos em que foi
iniciada a Guerrilha. Para ele, no entanto,
o resultado dos exames não sairá logo.
''Trata-se de um exame muito minucioso e
como serão confrontados muitos dados, acho
que (o resultado) é coisa para (sair em)
pelo menos um mês'', frisa.
Fonte: jornal O Povo (CE)
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