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Com o
lançamento da 4ª edição da Revista do
Araguaia e a projeção do filme Araguaya – a
Conspiração do Silêncio, o Instituto
Maurício Grabois e a Casa Amarela Eusélio de
Oliveira, da Universidade Federal do Ceará,
ficaram encerradas, em Fortaleza, as
comemorações dos 33 anos da deflagração da
Guerrilha do Araguaia, a maior resistência
armada à ditadura militar no Brasil. Os dois
eventos aconteceram no Espaço Cultural
Unibanco Dragão do Mar, que ficou
completamente lotado, com pessoas inclusive
em pé.
O advogado
Bendito Bizerril, presidente do Instituto
Maurício Gabois, no Ceará, discorreu sobre a
importância da resistência no Araguaia, uma
das mais belas páginas de nossa história mas
que, mesmo assim, está incompleta. “As
elites sempre procuraram esconder e a
censura imposta pelo regime militar impediu
por certo tempo o que se passava no Sul do
Pará. Após o fim da ditadura os militares
impuseram o silêncio sobre o fato, mas com o
passar do tempo, com a conquista da
liberdade, muitas informações foram
colhidas”, salientou Benedito Bizerril,
acrescentando que muitas informações
precisam ser reveladas, especialmente onde
se encontram os restos mortais dos heróicos
guerrilheiros que tombaram em combate ou sob
tortura depois de presos. Conclui afirmando
que os familiares têm o direito de dar uma
sepultura digna a seus ente queridos.
O deputado Chico Lopes, líder do PCdoB na
Assembléia Legislativa do Ceará, fez a
apresentação da 4a edição da Revista do
Araguaia e emocionou-se ao lembrar que
dividiu a mesma casa com Glênio Sá,
guerrilheiro do Sul do Pará, mas que morreu
depois, no Rio Grande do Norte, de desastre
automobilístico. Aos que não viveram o
período da ditadura militar, Chico Lopes
recordou as perseguições aos que lutavam por
liberdades, as punições nas universidades
brasileiras com o famigerado Decreto 477 que
acabaram levando muitos estudantes a se
refugiarem no Sul do Pará.
Observou
ainda Chico Lopes que os que foram para o
Araguaia fizeram uma opção revolucionária,
mas não sabiam que a guerrilha seria
deflagrada no dia 12 de abril de 1972.
Enfatizou que a Revista tenta resgatar a
história da principal resistência à tirania,
e chamou a atenção dos jovens para a leitura
do depoimento de João Amazonas. Lopes
agradeceu a presença daquele grande número
de pessoas e disse que era muito feliz por
pertencer ao Partido Comunista do Brasil.
Antes do
início da projeção do filme, o jornalista e
cineasta Ronaldo Duque entregou um exemplar
da Revista do Araguaia aos familiares dos
guerrilheiros cearenses mortos no Sul do
Pará. Demócrito Saraiva, parente de Custódio
Saraiva; Oswald Barroso, primo de Jana
Barroso; e Paulo de Castro, primo de Teodoro
de Castro.
Ronaldo
Duque, diretor de Araguaya, a Conspiração do
Silêncio, afirmou que, como idealizador,
enfrentou grandes dificuldades para fazer o
filme e esperava que até o final de junho ou
início de julho os cinemas de todo o País
pudessem exibi-lo. “Estou muito feliz por
estar aqui com vocês”, concluiu Ronaldo
Duque.
A solenidade
contou com a presença do presidente da
seccional da Ordem dos Advogados do Brasil,
Hélio Leitão; do presidente da Associação
64/68 Anistia Ceará, Mário Albuquerque; da
diretora da Associação de Amizade Brasil
Cuba do Ceará, Nazaré Antero; do advogado e
cineasta Francis Vale; do professor e
ex-deputado estadual e federal Manuel Arruda;
do diretor da UBES, Gerson Meneses; do
presidente do Sindicato dos Funcionários do
Banco Central, Luis Carlos Paes de Castro;
dos dirigentes da UJS, grêmios estudantis e
de parentes dos guerrilheiros cearenses
mortos.
De Fortaleza,
Messias Pontes
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