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Brasil, sábado, 11 de outubro de 2008

16 de abril de 2005

Araguaia - 33 anos depois

Evento em Fortaleza encerra comemorações dos 33 anos da Guerrilha do Araguaia

 

Com o lançamento da 4ª edição da Revista do Araguaia e a projeção do filme Araguaya – a Conspiração do Silêncio, o Instituto Maurício Grabois e a Casa Amarela Eusélio de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará, ficaram encerradas, em Fortaleza, as comemorações dos 33 anos da deflagração da Guerrilha do Araguaia, a maior resistência armada à ditadura militar no Brasil. Os dois eventos aconteceram no Espaço Cultural Unibanco Dragão do Mar, que ficou completamente lotado, com pessoas inclusive em pé.

O advogado Bendito Bizerril, presidente do Instituto Maurício Gabois, no Ceará, discorreu sobre a importância da resistência no Araguaia, uma das mais belas páginas de nossa história mas que, mesmo assim, está incompleta. “As elites sempre procuraram esconder e a censura imposta pelo regime militar impediu por certo tempo o que se passava no Sul do Pará. Após o fim da ditadura os militares impuseram o silêncio sobre o fato, mas com o passar do tempo, com a conquista da liberdade, muitas informações foram colhidas”, salientou Benedito Bizerril, acrescentando que muitas informações precisam ser reveladas, especialmente onde se encontram os restos mortais dos heróicos guerrilheiros que tombaram em combate ou sob tortura depois de presos. Conclui afirmando que os familiares têm o direito de dar uma sepultura digna a seus ente queridos.

O deputado Chico Lopes, líder do PCdoB na Assembléia Legislativa do Ceará, fez a apresentação da 4a edição da Revista do Araguaia e emocionou-se ao lembrar que dividiu a mesma casa com Glênio Sá, guerrilheiro do Sul do Pará, mas que morreu depois, no Rio Grande do Norte, de desastre automobilístico. Aos que não viveram o período da ditadura militar, Chico Lopes recordou as perseguições aos que lutavam por liberdades, as punições nas universidades brasileiras com o famigerado Decreto 477 que acabaram levando muitos estudantes a se refugiarem no Sul do Pará.

Observou ainda Chico Lopes que os que foram para o Araguaia fizeram uma opção revolucionária, mas não sabiam que a guerrilha seria deflagrada no dia 12 de abril de 1972. Enfatizou que a Revista tenta resgatar a história da principal resistência à tirania, e chamou a atenção dos jovens para a leitura do depoimento de João Amazonas. Lopes agradeceu a presença daquele grande número de pessoas e disse que era muito feliz por pertencer ao Partido Comunista do Brasil.

Antes do início da projeção do filme, o jornalista e cineasta Ronaldo Duque entregou um exemplar da Revista do Araguaia aos familiares dos guerrilheiros cearenses mortos no Sul do Pará. Demócrito Saraiva, parente de Custódio Saraiva; Oswald Barroso, primo de Jana Barroso; e Paulo de Castro, primo de Teodoro de Castro.

Ronaldo Duque, diretor de Araguaya, a Conspiração do Silêncio, afirmou que, como idealizador, enfrentou grandes dificuldades para fazer o filme e esperava que até o final de junho ou início de julho os cinemas de todo o País pudessem exibi-lo. “Estou muito feliz por estar aqui com vocês”, concluiu Ronaldo Duque.

A solenidade contou com a presença do presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, Hélio Leitão; do presidente da Associação 64/68 Anistia Ceará, Mário Albuquerque; da diretora da Associação de Amizade Brasil Cuba do Ceará, Nazaré Antero; do advogado e cineasta Francis Vale; do professor e ex-deputado estadual e federal Manuel Arruda; do diretor da UBES, Gerson Meneses; do presidente do Sindicato dos Funcionários do Banco Central, Luis Carlos Paes de Castro; dos dirigentes da UJS, grêmios estudantis e de parentes dos guerrilheiros cearenses mortos.

De Fortaleza,
Messias Pontes

 

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