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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

13 de abril de 2005

ARAGUAIA 33 ANOS

Baianos homenageiam os combatentes da Guerrilha do Araguaia 


Adalberto Monteiro, do CC, lê texto em homenagem aos 33 anos da Guerrilha

Uma Sessão Especial na Câmara Municipal de Salvador realizada ontem (12/4) pela manhã, marcou os 33 anos da deflagração da Guerrilha do Araguaia. O presidente da Câmara Municipal, Valdenor Cardoso (PTC), autor da iniciativa, dirigiu o evento que homenageou os combatentes do Araguaia. Dez baianos morreram na guerrilha de resistência à ditadura militar no Brasil, no sul do Pará: Maurício Grabois (comandante da guerrilha), Dinalva Oliveira Teixeira (Dina), Antonio Carlos Monteiro Teixeira (Antonio), Nelson Lima Piauhy Dourado (Nelito), Rosalindo de Souza (Mundico), Uirassu de Assis Batista (Valdir), Dinaelza Santana Coqueiro (Mariadina),José Lima Piauhy Dourado (José ou Ivo), Dermeval da Silva Pereira (João Araguaia), Wandick Reidner F. Coqueiro (João). Luzia Ribeiro, baiana e Michéas Gomes de Almeida (Zezinho), paraense, sobreviventes da guerrilha, participaram emocionados da homenagem na Bahia. Lá estavam familiares dos combatentes baianos, estudantes universitários e secundaristas, historiadores, representantes de várias entidades, parlamentares e representações partidárias, além de Ronaldo Duque, diretor do filme Araguaya, a conspiração do silêncio.

Adalberto Monteiro, representante da direção nacional do PCdoB, disse que a Guerrilha do Araguaia é um tema que persiste. “Onde estão os mortos e desaparecidos?", esta pergunta, lançada em 1980, ainda em plena ditadura, pelo movimento dos familiares dos mortos e desaparecidos na guerrilha do Araguaia, com o apoio do PCdoB, o partido que organizou, até hoje está sem resposta. O governo democrático do presidente Lula comprometeu-se publicamente em resolver essa questão. É preciso, como já dito, que o governo agilize o resgate desse compromisso. A abertura imediata dos arquivos da época da ditadura militar, entre eles os referentes ao Araguaia, é uma exigência das forças democráticas do país, que não pode e não tem motivos para ser protelada. Esta providência, longe de debilitar a democracia brasileira, contribuiria, isto sim, para amadurecê-la”.

Diva Santana, irmã de Dinaelza Santana Coqueiro, integrante do movimento dos familiares dos mortos e desaparecidos do Araguaia e diretora do Grupo Tortura Nunca Mais/BA, muita emocionada recebeu o apoio do presidente da Câmara, que encaminhará em plenário a formação de uma comissão de vereadores para solicitar ao ministro da Justiça, Nilmário Miranda, o prosseguimento das escavações e a busca dos corpos desaparecidos dos combatentes.

Depoimento inédito de Jorge Amado sobre Maurício Grabois

Foi lido na Sessão Especial que homenageou os combatentes do Araguaia, um depoimento inédito do escritor Jorge Amado, antes da sua morte, sobre o comandante da guerrilha Maurício Grabois, um herói brasileiro. “Entre os muitos dirigentes comunistas com quem tratei durante meus anos de Partido, Maurício Grabois foi um daqueles por quem me liguei por laços mais profundos do que o da luta política, da militância. Além de companheiros, fomos amigos. Quero dizer com isso, que nosso relacionamento, diário durante algum tempo, não se reduzia aos limites das circunstâncias partidárias, gostávamos de estar juntos, conversar fora das reuniões, falar de temas que não tinham que ver com as tarefas recebidas e cobradas. Maurício era verboso, falava muito — quando o conheci, ainda bem jovem, seu apelido era Vitrola —, mas sabia ouvir, hábito raro em geral e ainda mais num dirigente.

Fui seu colega de bancada, na Constituinte, em 1946 e na Câmara Federal, em 1947: a meu ver Maurício era, de todos nós, o de maior vocação parlamentar, um brilhante deputado. Não da mesma forma como era brilhante Marighela (Carlos Marighela); diferente, menos zombador, mais malicioso. Recordo ainda hoje, de um discurso que Maurício pronunciou às vésperas da cassação da bancada comunista, respondendo a Flores da Cunha que nos acusara de traidores da pátria. Um primor de discurso, de exemplar dignidade.

A última vez que o vi foi em Cuba. Veio comentar comigo uma entrevista que eu dera num jornal de lá. Depois vieram os anos da ditadura militar, eu soube de Maurício apenas notícias vagas, até que um dia alguém me informou que ele morrera, numa guerrilha, no Araguaia. Eu sempre vira nele mais um intelectual do que um soldado. Mas não me admirei que morresse guerrilheiro: escolhera seu caminho e o trilhou até o fim. Haja o que houver, me disse um dia”.

Sessão especial de cinema – Araguaya - a conspiração do silêncio

No mesmo dia, promovido pelo PCdoB, Secretaria de Educação e Cultura de Salvador, Circuito Sala de Arte e Grupo Tortura Nunca Mais/BA, foi exibido o longa metragem Araguaya – a conspiração do silêncio, de Ronaldo Duque, em sessão especial de cinema, às 21h, no Cine de Arte do Baiano, em Salvador. Casa cheia. Presentes cineastas baianos, publicitários, jornalistas, representantes de várias entidades, padres da Igreja Católica, estudantes, parlamentares, militantes e dirigentes do PCdoB. Nas primeiras filas para assistir à ficção baseada na guerrilha do Araguaia, o presidente da OAB, Dinailton Oliveira; o vice-presidente da ABI, Agostinho Muniz; o presidente da Câmara Municipal de Salvador,Valdenor Cardoso; a secretária de Educação e Cultura de Salvador, Olívia Santana; o presidente estadual do PCdoB, Péricles de Souza; e o dirigente nacional Adalberto Monteiro; os deputados estaduais Álvaro Gomes e Javier Alfaya (PCdoB); a vereadora Aladilce Souza (PCdoB); os sobreviventes da guerrilha Zezinho do Araguaia e Luzia Ribeiro; além de familiares dos combatentes: Dinaelza, Rosalindo, Nelson Piahuy Dourado, Uirassu e João Carlos Haas.

De Salvador,
Fernando Udo e Julieta Palmeira

 

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