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Adalberto Monteiro, do CC,
lê texto em homenagem aos 33 anos da
Guerrilha
Uma Sessão
Especial na Câmara Municipal de Salvador
realizada ontem (12/4) pela manhã, marcou
os 33 anos da deflagração da Guerrilha do
Araguaia. O presidente da Câmara
Municipal, Valdenor Cardoso (PTC), autor
da iniciativa, dirigiu o evento que
homenageou os combatentes do Araguaia. Dez
baianos morreram na guerrilha de
resistência à ditadura militar no Brasil,
no sul do Pará: Maurício Grabois (comandante da guerrilha), Dinalva Oliveira
Teixeira (Dina), Antonio Carlos Monteiro
Teixeira (Antonio), Nelson Lima Piauhy
Dourado (Nelito), Rosalindo de Souza (Mundico),
Uirassu de Assis Batista (Valdir),
Dinaelza Santana Coqueiro (Mariadina),José
Lima Piauhy Dourado (José ou Ivo),
Dermeval da Silva Pereira (João
Araguaia), Wandick Reidner F. Coqueiro
(João). Luzia Ribeiro, baiana e Michéas
Gomes de Almeida (Zezinho), paraense,
sobreviventes da guerrilha, participaram
emocionados da homenagem na Bahia. Lá
estavam familiares dos combatentes
baianos, estudantes universitários e
secundaristas, historiadores,
representantes de várias entidades,
parlamentares e representações
partidárias, além de Ronaldo Duque,
diretor do filme Araguaya, a
conspiração do silêncio.
Adalberto
Monteiro, representante da direção nacional
do PCdoB, disse que a Guerrilha do Araguaia é
um tema que persiste. “Onde estão os
mortos e desaparecidos?", esta pergunta,
lançada em 1980, ainda em plena ditadura,
pelo movimento dos familiares dos mortos e
desaparecidos na guerrilha do Araguaia, com
o apoio do PCdoB, o partido que organizou,
até hoje está sem resposta. O governo
democrático do presidente Lula
comprometeu-se publicamente em resolver essa questão. É preciso, como já dito, que o
governo agilize o resgate desse
compromisso. A abertura imediata dos
arquivos da época da ditadura militar, entre
eles os referentes ao Araguaia, é uma
exigência das forças democráticas do país,
que não pode e não tem motivos para ser
protelada. Esta providência, longe de
debilitar a democracia brasileira,
contribuiria, isto sim, para amadurecê-la”.
Diva
Santana, irmã de Dinaelza Santana Coqueiro,
integrante do movimento dos familiares dos
mortos e desaparecidos do Araguaia e
diretora do Grupo Tortura Nunca Mais/BA,
muita emocionada recebeu o apoio do
presidente da Câmara, que encaminhará em
plenário a formação de uma comissão de
vereadores para solicitar ao ministro da
Justiça, Nilmário Miranda, o prosseguimento
das escavações e a busca dos corpos
desaparecidos dos combatentes.
Depoimento inédito de Jorge Amado sobre
Maurício Grabois
Foi lido na Sessão Especial que homenageou
os combatentes do Araguaia, um depoimento
inédito do escritor Jorge Amado, antes da
sua morte, sobre o comandante da guerrilha
Maurício Grabois, um herói brasileiro.
“Entre os muitos dirigentes comunistas com
quem tratei durante meus anos de Partido,
Maurício Grabois foi um daqueles por quem me
liguei por laços mais profundos do que o da
luta política, da militância. Além de
companheiros, fomos amigos. Quero dizer com
isso, que nosso relacionamento, diário
durante algum tempo, não se reduzia aos
limites das circunstâncias partidárias,
gostávamos de estar juntos, conversar fora
das reuniões, falar de temas que não tinham
que ver com as tarefas recebidas e cobradas.
Maurício era verboso, falava muito — quando
o conheci, ainda bem jovem, seu apelido era
Vitrola —, mas sabia ouvir, hábito raro em
geral e ainda mais num dirigente.
Fui seu
colega de bancada, na Constituinte, em 1946
e na Câmara Federal, em 1947: a meu ver
Maurício era, de todos nós, o de maior
vocação parlamentar, um brilhante deputado.
Não da mesma forma como era brilhante Marighela (Carlos
Marighela); diferente,
menos zombador, mais malicioso. Recordo
ainda hoje, de um discurso que Maurício
pronunciou às vésperas da cassação da
bancada comunista, respondendo a Flores da
Cunha que nos acusara de traidores da
pátria. Um primor de discurso, de exemplar
dignidade.
A última vez
que o vi foi em Cuba. Veio comentar comigo
uma entrevista que eu dera num jornal de lá.
Depois vieram os anos da ditadura militar,
eu soube de Maurício apenas notícias vagas,
até que um dia alguém me informou que ele
morrera, numa guerrilha, no Araguaia. Eu
sempre vira nele mais um intelectual do que
um soldado. Mas não me admirei que morresse
guerrilheiro: escolhera seu caminho e o
trilhou até o fim. Haja o que houver, me
disse um dia”.
Sessão especial de cinema – Araguaya -
a conspiração do silêncio
No mesmo dia, promovido pelo PCdoB,
Secretaria de Educação e Cultura de
Salvador, Circuito Sala de Arte e Grupo
Tortura Nunca Mais/BA, foi exibido o longa
metragem Araguaya – a conspiração do
silêncio, de Ronaldo Duque, em sessão
especial de cinema, às 21h, no Cine de Arte
do Baiano, em Salvador. Casa cheia.
Presentes cineastas baianos, publicitários,
jornalistas, representantes de várias
entidades, padres da Igreja Católica,
estudantes, parlamentares, militantes e
dirigentes do PCdoB. Nas primeiras filas
para assistir à ficção baseada na guerrilha
do Araguaia, o presidente da OAB, Dinailton
Oliveira; o vice-presidente da ABI, Agostinho
Muniz; o presidente da Câmara Municipal de
Salvador,Valdenor Cardoso; a secretária de
Educação e Cultura de Salvador, Olívia
Santana; o presidente estadual do PCdoB,
Péricles de Souza; e o dirigente nacional
Adalberto Monteiro; os deputados estaduais
Álvaro Gomes e Javier Alfaya (PCdoB); a
vereadora Aladilce Souza (PCdoB); os
sobreviventes da guerrilha Zezinho do
Araguaia e Luzia Ribeiro; além de familiares
dos combatentes: Dinaelza, Rosalindo,
Nelson Piahuy Dourado, Uirassu e João Carlos
Haas.
De Salvador,
Fernando Udo e Julieta Palmeira
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