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livro: sete anos de buscas |
Os
jornalistas Taís Morais e Eumano
Silva, ambos do jornal Correio Braziliense,
lançam hoje em Brasília
o livro Operação Araguaia
– Os arquivos secretos da guerrilha.
A publicação é resultado
de sete anos de buscas a documentos produzidos
pelo PCdoB e por militares envolvidos
com a guerrilha. Baseia-se também
em depoimentos de guerrilheiros, familiares,
militares e camponeses moradores da região
da jornada guerrilheira dirigida pelo
PCdoB no sul do Pará entre abril
de 1972 e janeiro de 1975.
O
livro é a confirmação
de que é possível reconstituir
a história do movimento armado
e colabora para o esclarecimento das circunstâncias
do conflito, apesar de as Forças
Armadas afirmarem que todos os arquivos
foram queimados.
Jornalismo
investigativo
O
trabalho de pesquisa revela depoimentos
importantes do ponto de vista do PCdoB.
O primeiro é o de Manoel Jover
Telles ao Exército. Um documento
assinado por Jover e transcrito no livro
confirma a suspeita de sua contribuição
para o episódio conhecido como
“Chacina da Lapa”. O livro considera o
ataque do II Exército contra uma
casa no bairro paulistano da Lapa — no
qual foram mortos três dirigentes
do Partido, em dezembro de 1976 —, como
o último combate da Guerrilha do
Araguaia.
Jover
Telles foi preso pelos órgãos
repressivos uma semana antes do encontro.
E foi solto após revelar ao Exército
detalhes da reunião que iria ocorrer
e da qual ele próprio participou.
O
segundo depoimento registrado pelo Exército
é de Foedes dos Santos, dirigente
do Partido no Espírito Santo que,
em 1972, entregou 20 militantes. Entre
os denunciados estavam os jornalistas
Marcelo Netto, atual assessor de imprensa
do ministro Antonio Palocci; Miriam Leitão,
colunista do jornal O Globo;
Antonio Carlos Campos, jornalista em Brasília;
e Dinis Brozeghuini, militante do Partido
em Vitória/ES. Eumano esclarece
que o episódio foi importante por
ter sido o marco do fim da comunicação
entre a guerrilha e a cidade, o que provocou
uma situação de grande fragilidade
para os guerrilheiros. O depoimento confirma
que Foedes denunciou ainda o então
dirigente do PCdoB do Rio de Janeiro,
Lincoln Cordeiro Oest, e Carlos Danielli,
dirigente do Partido em São Paulo,
ambos mortos pela repressão.
O
lançamento pela Editora Geração
Editorial será hoje (13) a partir
das 19h30 no Bar Monumental, na SCLS 201 – bloco C – loja 33 – Brasília/DF.
Fone: (61) 224.9313
De
Brasília,
Rita Polli
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