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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

13 de abril de 2005

LIVRO
"Operação Araguaia" revela
arquivos secretos da guerrilha
O livro: sete anos de buscas

Os jornalistas Taís Morais e Eumano Silva, ambos do jornal Correio Braziliense, lançam hoje em Brasília o livro Operação Araguaia – Os arquivos secretos da guerrilha.

A publicação é resultado de sete anos de buscas a documentos produzidos pelo PCdoB e por militares envolvidos com a guerrilha. Baseia-se também em depoimentos de guerrilheiros, familiares, militares e camponeses moradores da região da jornada guerrilheira dirigida pelo PCdoB no sul do Pará entre abril de 1972 e janeiro de 1975.

O livro é a confirmação de que é possível reconstituir a história do movimento armado e colabora para o esclarecimento das circunstâncias do conflito, apesar de as Forças Armadas afirmarem que todos os arquivos foram queimados.

Jornalismo investigativo

O trabalho de pesquisa revela depoimentos importantes do ponto de vista do PCdoB. O primeiro é o de Manoel Jover Telles ao Exército. Um documento assinado por Jover e transcrito no livro confirma a suspeita de sua contribuição para o episódio conhecido como “Chacina da Lapa”. O livro considera o ataque do II Exército contra uma casa no bairro paulistano da Lapa — no qual foram mortos três dirigentes do Partido, em dezembro de 1976 —, como o último combate da Guerrilha do Araguaia.

Jover Telles foi preso pelos órgãos repressivos uma semana antes do encontro. E foi solto após revelar ao Exército detalhes da reunião que iria ocorrer e da qual ele próprio participou.

O segundo depoimento registrado pelo Exército é de Foedes dos Santos, dirigente do Partido no Espírito Santo que, em 1972, entregou 20 militantes. Entre os denunciados estavam os jornalistas Marcelo Netto, atual assessor de imprensa do ministro Antonio Palocci; Miriam Leitão, colunista do jornal O Globo; Antonio Carlos Campos, jornalista em Brasília; e Dinis Brozeghuini, militante do Partido em Vitória/ES. Eumano esclarece que o episódio foi importante por ter sido o marco do fim da comunicação entre a guerrilha e a cidade, o que provocou uma situação de grande fragilidade para os guerrilheiros. O depoimento confirma que Foedes denunciou ainda o então dirigente do PCdoB do Rio de Janeiro, Lincoln Cordeiro Oest, e Carlos Danielli, dirigente do Partido em São Paulo, ambos mortos pela repressão.

O lançamento pela Editora Geração Editorial será hoje (13) a partir das 19h30 no Bar Monumental, na SCLS 201 – bloco C – loja 33 – Brasília/DF. Fone: (61) 224.9313

De Brasília,
Rita Polli

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