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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

6 DE ABRIL DE 2005

COMITÊ RIO

Professor cubano debate Alca e defende Alba como alternativa para as Américas

O Comitê Estadual Contra a Alca do Rio de Janeiro promoveu ontem (5/4) uma palestra sobre o movimento revolucionário na América Latina, a Alca e a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) ministrada pelo jornalista e professor da Universidade de Havana, Eddy Jiménez Pérez, realizada na Associação Brasileira de Imprensa.

O professor de comunicação, Eddy Pérez, iniciou sua explanação falando da Alca, que comparou com a globalização: “o imperialismo tenta mostrar esse momento como algo de novo, bonito, mas a globalização nasceu com a Revolução Industrial inglesa. Naquela época, a Inglaterra precisa de mercado e de matéria-prima para abastecer a indústria nascente. Karl Marx já falava nisso no Manifesto Comunista”.

Contra a Alca só a Alba

O professor se mostrou preocupado com o atual momento em que se encontra a Alca: “agora, se fala que está em crise, mas eu não sou tão otimista. Estão sendo negociadas muitas alcas, em separado. E isso é mais cômodo para os EUA do que negociar em bloco”.

Para contrapor a Alca, Eddy Pérez defendeu “a criação da Alba, como um movimento de integração dos povos, dos pobres contra os ricos e o grande capital”. Para Eddy, “o primeiro passo da Alba foram os acordos entre Hugo Chávez (presidente da Venezuela) e Fidel Castro (presidente de Cuba) realizados em dezembro de 2004, onde houve ênfase na união dos dois países”.

A América do Sul se levanta

Em seguida, Eddy falou sobre os governos e movimentos sociais dos principais países da América do Sul: “a Venezuela é o pior problema para os EUA hoje, mais ainda do que Cuba, principalmente pelo seu petróleo e o presidente Hugo Chávez, que pode se tornar um exemplo para outros países. Na Colômbia, há 40 anos acontece uma guerra, onde nenhum dos lados consegue vencer e por isso, o governo norte-americano fez o Plano Colômbia para destruir o movimento revolucionário”. Eddy classificou países como “Equador e Bolívia como lugares de grande instabilidade. No Peru há um governo com apenas 8% de aprovação, na Argentina temos hoje um presidente nacionalista e no Uruguai um movimento progressista vitorioso”, finalizou o professor cubano.

Brasil

Notado pela platéia de que não havia abordado o Brasil, a primeira pergunta para Eddy Pérez foi sobre a esquerda brasileira e a eleição de Lula para presidente: “esse país é minha segunda pátria e não seria ético falar sobre ele”. Porém, em seguida criticou aqueles que acreditam apenas na via eleitoral para chegar ao poder: “há um espírito na América Latina e no Brasil de que tudo pode ser resolvido pela institucionalidade, de que as eleições resolvem tudo. Isso é obra da burguesia e dos EUA”.

“Na esquerda, o primeiro dever de um revolucionário é tomar o poder, o segundo se manter nele sem dar um único espaço para a burguesia. Eu acredito na ditadura do proletariado, em Marx e Lênin”, foram suas palavras finais.

Do Rio de Janeiro,
Marcos Pereira

 

 

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