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O Comitê Estadual Contra a Alca do Rio de Janeiro promoveu ontem (5/4) uma
palestra sobre o movimento revolucionário na América Latina, a Alca e a Alba
(Alternativa Bolivariana para as Américas) ministrada pelo jornalista e
professor da Universidade de Havana, Eddy Jiménez Pérez, realizada na Associação
Brasileira de Imprensa.
O professor de comunicação, Eddy Pérez, iniciou sua explanação falando da Alca,
que comparou com a globalização: “o imperialismo tenta mostrar esse momento como
algo de novo, bonito, mas a globalização nasceu com a Revolução Industrial
inglesa. Naquela época, a Inglaterra precisa de mercado e de matéria-prima para
abastecer a indústria nascente. Karl Marx já falava nisso no Manifesto
Comunista”.
Contra a Alca só a Alba
O professor se mostrou preocupado com o atual momento em que se encontra a Alca:
“agora, se fala que está em crise, mas eu não sou tão otimista. Estão sendo
negociadas muitas alcas, em separado. E isso é mais cômodo para os EUA do que
negociar em bloco”.
Para contrapor a Alca, Eddy Pérez defendeu “a criação da Alba, como um movimento
de integração dos povos, dos pobres contra os ricos e o grande capital”. Para
Eddy, “o primeiro passo da Alba foram os acordos entre Hugo Chávez (presidente
da Venezuela) e Fidel Castro (presidente de Cuba) realizados em dezembro de
2004, onde houve ênfase na união dos dois países”.
A América do Sul se levanta
Em seguida, Eddy falou sobre os governos e movimentos sociais dos principais
países da América do Sul: “a Venezuela é o pior problema para os EUA hoje, mais
ainda do que Cuba, principalmente pelo seu petróleo e o presidente Hugo Chávez,
que pode se tornar um exemplo para outros países. Na Colômbia, há 40 anos
acontece uma guerra, onde nenhum dos lados consegue vencer e por isso, o governo
norte-americano fez o Plano Colômbia para destruir o movimento revolucionário”.
Eddy classificou países como “Equador e Bolívia como lugares de grande
instabilidade. No Peru há um governo com apenas 8% de aprovação, na Argentina
temos hoje um presidente nacionalista e no Uruguai um movimento progressista
vitorioso”, finalizou o professor cubano.
Brasil
Notado pela platéia de que não havia abordado o Brasil, a primeira pergunta para
Eddy Pérez foi sobre a esquerda brasileira e a eleição de Lula para presidente:
“esse país é minha segunda pátria e não seria ético falar sobre ele”. Porém, em
seguida criticou aqueles que acreditam apenas na via eleitoral para chegar ao
poder: “há um espírito na América Latina e no Brasil de que tudo pode ser
resolvido pela institucionalidade, de que as eleições resolvem tudo. Isso é obra
da burguesia e dos EUA”.
“Na esquerda, o primeiro dever de um revolucionário é tomar o poder, o segundo
se manter nele sem dar um único espaço para a burguesia. Eu acredito na ditadura
do proletariado, em Marx e Lênin”, foram suas palavras finais.
Do Rio de Janeiro,
Marcos Pereira
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