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Brasil, sábado, 11 de outubro de 2008

23 DE MARÇO DE 2005

ATO ESTÚPIDO
Nota da UJS repudia ação da prefeitura de Xambioá contra memorial da Guerrilha

Repercutindo o grande choque causado pela notícia de que o prefeito de Xambioá, Richard Santiago Pereira (PFL), mandou destruir, na sexta-feira passada, o memorial da Guerrilha do Araguaia, a União da Juventude Socialista manifestou-se indignada através de uma nota na qual qualifica o gesto da administração municipal de Xambioá como "ato de insanidade".

Confira abaixo a íntegra da nota:

RESPEITO À MEMÓRIA DO POVO BRASILEIRO

A União da Juventude Socialista vem a público manifestar sua profunda tristeza e indignação em relação ao condenável ato de insanidade e desprezo pela história de lutas do povo brasileiro ocorrido na cidade de Xambioá/TO, com o removimento do singelo monumento que registrava o local onde foram depositadas as cinzas de João Amazonas, herói do povo brasileiro.

A história se repete. Nessa região, onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia, as forças de repressão do governo militar sobrevoaram lançando 2-4 D (herbicida também conhecido com agente-laranja) com o propósito de apagar toda e qualquer lembrança desse episódio de resistência. Também doaram vastas extensões de terras aos latifundiários locais desde que os mesmos se comprometessem a desmatar a mata fechada que serviu de abrigo aos guerrilheiros para formar pasto.

Hoje, trinta e três anos após o extermínio dos patriotas que ousaram defender o retorno da democracia em nosso país, o prefeito do município de Xambioá, em um ato deplorável que fez relembrar os tenebrosos anos da ditadura militar, ordenou a demolição do humilde monumento, composto por uma placa erigida de alvenaria centrada em uma praça de apenas 30 metros quadrados que recebeu as cinzas mortais de Amazonas.

João Amazonas, mundialmente reconhecido como uma das principais referências dos povos na luta contra as diversas formas de opressão, solicitou que suas cinzas fossem lançadas na região do Araguaia, que como afirmava, seria uma forma de juntar-se aos que ali tombaram por ocasião da guerrilha do Araguaia. Assim foi feito.

Seguindo todos os procedimentos legais e com comunidade local mobilizada, a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, a desapropriação de um espaço destinado a receber as cinzas de Amazonas. O prefeito, da época, sancionou o projeto clamado pelo povo.

O descaso das autoridades locais com uma das mais importantes páginas da história do povo brasileiro chama atenção pelo desrespeito à memória e história da região e do Brasil e nos remete a pensar que se trata de resquícios do mais tacanho anticomunismo manifestado pelas elites em oposição a todas os símbolos e memórias do povo brasileiro.

A UJS, que levou estudantes de todo o Brasil até Xambioá no ano passado, organizando a primeira Caravana do Araguaia, seguirá mobilizando milhares de jovens a conhecerem in loco um pouco dessa história e repudiar o ato perpetrado pelo prefeito local.

São Paulo, 21 de março de 2005.
Executiva Nacional da União da Juventude Socialista (UJS)

 

 

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