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| Lula
cumprimenta o novo líder do
governo |
Por
Bernardo Joffily
O
presidente Luiz Inácio Lula da
Silva encerrou ontem com duas frases quase
cinco meses de uma copiosa e contraditória
fase de pressões e contrapressões,
intra e extra-petistas, em torno da reforma
ministerial. No fim da manhã, a
Secretaria de Imprensa da Presidência
anunciou uma curta nota:
"Conforme
estabelece a Constituição
Federal, é de competência
privativa do Presidente da República
a nomeação de Ministros
de Estado. No uso de suas atribuições,
o Presidente Luiz Inácio Lula
da Silva decidiu encerrar as conversações
em torno da reforma ministerial.
O Presidente indicou para o cargo de
Ministro de Estado do Planejamento,
Orçamento e Gestão o deputado
Paulo Bernardo.
Tendo recebido, no dia 15 de março
último, carta em que o senador
Amir Lando pede exoneração
do cargo de Ministro de Estado da Previdência
Social, o Presidente indicou para substituí-lo
o senador Romero Jucá.
Nesta oportunidade, o Presidente agradece
os inestimáveis serviços
prestados ao País pelos Ministros
Amir Lando e Nelson Machado à
frente daquelas pastas.
Brasília, 22 de março
de 2005.
André Singer
Secretário de Imprensa e Porta-voz
da Presidência da República"
Em
seguida, era anunciada a terceira e derradeira
mudança no esquema do Planalto:
o líder do governo na Câmara
passa a ser o deputado Arlindo Chinaglia
(SP), ex-líder da bancada petista
na Casa, em substituição
ao Professor Luizinho, também do
PT paulista. Os
novos ministros foram empossados às
17 horas, em cerimônia no Palácio
do Planalto, sem discursos.
Lula
a Aldo: "Você volta a trabalhar"
O
dia da reforma ministerial que não
houve se iniciou com uma conversa de Lula
com o ministro Aldo Rebelo, o mais cotado,
segundo a imprensa, para deixar a pasta
que exerce (Coordenação
Política). "Você volta
a trabalhar", teria dito Lula ao
ministro, segundo a assessoria deste.
Haverá
não pouco trabalho de articulação
política a fazer, em uma base governista
esgarçada por não poucas
ambições ministeriais atiçadas
durante estes meses, e pela eleição
para a Mesa da Câmara dos Deputados,
onde o PT apresentou-se com uma candidatura
oficial e outra dissidente, para terminar
derrotado por Severino Cavalcanti (PP/PE).
Severino
e o ultimato do "poderia"
Segundo
a interpretação corrente,
é atribuída a Severino a
causa do encerramento das conversações
sobre a reforma. Na segunda-feira, ele
fizera o que foi visto pelos jornais de
ontem como um ultimato: "Se o presidente
não assinar a nomeação
(de Ciro Nogueira, do PP/PI como ministro
das Comunicações) amanhã
mesmo (terça-feira), o PP será
aliado do PFL", disse Severino.
Se
não foi a causa profunda, pode
ter sido a gota d'água. Lula deu
o dito, ou o cogitado, por não
dito. O PP permanece fora do primeiro
escalão do governo. E o presidente
da Câmara falava ontem em outro
tom.
"Nós
vamos dar sustentação ao
governo. O PP não vai para a oposição",
disse Severino, após o anúncio
do Planalto. Ele explicou que, ontem,
quando disse em Curitiba que o partido
"poderia" ir para a oposição,
que "poderia" não é
poder. "Poderia é condicional.
O PP não vai para a oposição
coisa nenhuma, salvo se o presidente Lula
apresentar algum projeto que seja contra
a nação", asseverou.
"Quem
tem o poder da caneta é o presidente",
disse ainda Severino. "Ele achou
que devia fazer uma pequena reforma agora.
Isso é prerrogativa dele. Como
não aceito interferência
aqui (na Câmara), eu não
vou interferir nas decisões do
presidente da República",
acrescentou.
O
PMDB mantém seu quinhão
As
mudanças são limitadas tanto
no número como no conteúdo
político. A ida de Romero Jucá
para a Previdência mantém
o ministério com o PMDB. Lula esteve
nesta semana com o presidente da sigla,
deputado Michel Temer (SP), buscando atrair
a ala que até agora não
acompanhava o governo e depois das eleições
de outubro passado chegou a exigir que
os peemedebistas deixassem seus cargos
no Executivo. O Ministério das
Comunicações, alvo do apetite
de Severino, permanece nas mãos
peemedebistas de Eunício Oliveira.
"O
PMDB ganhou a queda de braço com
o governo. O PMDB bateu o pé que
não queria sair do Ministério
das Comunicações e não
saiu", analisava ontem o líder
do PP na Câmara, José Janene
(PR), assegurando também que seu
partido permanece na base governista.
"Nós temos votado com o governo
e nunca tivemos um ministério.
Então, ministério a mais,
ministério a menos, não
vai mudar nossa posição.
Vamos continuar na base aliada, votando
as matérias que sempre defendemos",
disse, embora se queixe de que "o
Planalto foi vacilante, arrastou a reforma
por cinco meses e provocou o desgaste
dos partidos da base aliada".
Renan
crê que reforma ainda virá
Figura
importante no PMDB atual e interlocutor
de Lula durante as conversações
da reforma, o presidente do Senado Federal,
Renan Calheiros (AL), afirmou que seu
partido deu "total apoio" à
decisão do presidente Lula. "Só
os físicos, inspirados na Lei de
Newton (, segundo a qual a toda ação
corresponde uma reação),
podem explicar a reação
presidencial", afirmou também,
em uma menção não-explícita ao ultimato de Severino.
"Entendemos
que é uma decisão correta,
equilibrada. O PMDB não postulou
nada, não vai postular nada. Mas
o PMDB entende que o presidente precisa
fazer uma reforma profunda para melhorar
o funcionamento do governo,e melhorar
a relação com os partidos
de sustentação", agregou
o senador alagoano.
Renan
insiste que "o presidente suspendeu
a reforma, a reforma não houve.
Vamos ter a reforma mais adiante, foi
isso que ele deixou entender. A oportunidade
para que as mudanças ocorram será
na reforma, para melhorar o funcionamento
do governo e relação com
os partidos, mas ele não estipulou
prazo", disse ainda.
Renato:
"Lula respondeu à altura"
Renato
Rabelo, presidente do PCdoB, partido de
Aldo Rebelo, comentou que a nota do Planalto
"foi uma decisão correta de
Lula". E argumentou: "Aquela
nota do presidente da Câmara, de
procurar intimidar o presidente, queria
colocar Lula numa situação
difícil. E Lula respondeu a contento,
respondeu à altura."
O
dirigente comunista avalia que "não
há mudança praticamente
nenhuma" e "a reforma mesmo
não aconteceu". Ele não
acredita, porém, que o assunto
permaneça em pauta. "Pode
até ser que outra reforma ministerial
se realize, mas esta está encerrada",
comenta.
Genoino:
"PT não criará constrangimentos"
As
reações do PT foram comedidas.
O presidente da legenda, José Genoino,
fez um curto comentário para o
site petista. “As iniciativas do presidente
Lula em relação à
reforma ministerial estão corretas
e têm o apoio e a solidariedade
do PT. Diante das especulações,
das pressões desmedidas e das precipitações
em torno da reforma, o presidente fez
o que era correto e necessário.
Reafirmamos que a reforma é um
assunto de competência exclusiva
do presidente. O PT não criará
constrangimentos nem alimentará
pressões”, afirmou Genoino.
José
Dirceu, chefe da Casa Civil, comentou
que vão viu "que nenhum ministério
tenha parado de trabalhar por causa da
reforma". Lembrou que a equipe modificada
já tem uma primeira reunião
marcada, para hoje de manhã. E
disse "nem saber" porque os
ministros teriam saído enfraquecidos,
escolhendo como exemplo o titular da Saúde,
Humberto Costa, que "continuou coordenando
a intervenção nos hospitais
do Rio e esteve em vários estados
nos últimos dias".
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