A Aliança Social Continental, a Campanha Continental de Luta contra a Alca e
o Capítulo Cubano da Aliança Social Continental, tornaram pública ontem a
convocação do 4º Encontro Hemisférico de Luta contra a Alca, em um documento que
abaixo reproduzimos:
Nem a Alca, nem os Tratados de Livre Comércio, nem o
neoliberalismo poderão
se eternizar e triunfar frente aos movimentos sociais massivos, unidos e
organizados dentro de cada país e na escala continental.
A luta contra a Alca tem sido vitoriosa e frutífera no ano que acaba de
terminar, não somente porque o governo dos Estados Unidos não pode estabelecer
seu projeto de anexação na data que havia previsto, mas também porque cresceu
vigorosamente a consciência latino-americana e caribenha de que as grandes metas
de independência, progresso, democracia e justiça social, unicamente poderão se
conquistar no processo de luta por conseguir a verdadeira integração econômica e
política de Nossa América.
Por isso, ao convocar o 4º Encontro Hemisférico de Luta contra a Alca, que
se realizará em Havana, de 27 a 30 de abril próximo, desejamos conhecer com
legítimo orgulho que todos os povos digam enfaticamente “não” à Alca, cada um de
sua maneira, cada um com seu estilo, cada um na medida de suas possibilidades.
Mas o otimismo e a satisfação por nossas vitórias não devem evitar que
avaliemos com realismo o que temos conseguido e o que nos falta por fazer.
Nem a Alca morreu ainda definitivamente, nem o sonho bolivariano de plena
integração latino-americana se encontra ao dobrar a esquina.
O imperialismo não acabará com seus propósitos de saque econômico, de
dominação política e de submissão de nossas nações. Assim como o tratado de
impulsionar um chamado “Alca light” e continuar impondo os “Tratados de Livre
Comércio”, poderá idealizar novas fórmulas para cumprir seus objetivos e,
chegado o momento, tentará pôr em jogo, sem escrúpulo algum, todas suas cartas:
desde a intriga diplomática até a compra de intenções, desde as mais brutais
pressões do poder econômico e o abandono de todo vestígio de democracia formal,
até a força repressiva e assassina da militarização.
Estamos agora, não obstante, em um melhor momento desta batalha porque agora
não somente sabemos melhor contra o que e contra quem lutamos, mas também
sabemos melhor qual é o caminho que nos levará à Pátria Grande, solidária e
unida na justiça social e a realização humana de seus povos e nações.
Já começa a se abrir, como tem se dito com esperançosa certeza, uma nova
época na América Latina e no Caribe: a de luta pela verdadeira
integração latino-americana e caribenha, que tem na Alternativa Bolivariana para
as Américas (Alba) uma excelente proposta que vem desenvolvendo o líder
venezuelano Hugo Chávez, a quem deveríamos agradecer por sua posição de exemplar
firmeza na denúncia clara e na defesa de nossos povos diante da ameaça do
projeto imperial conhecido por Alca.
Neste 4º Encontro que convocamos se realizará em momentos de mudanças muito
significativas no mapa político de nossa região. Ventos de rebeldia sopram com
força na América Latina; cada vez mais os povos, por uma ou outra via, estão
sendo os protagonistas decisivos da derrota das oligarquias que funcionam como
serviçais do poder imperialista.
Nós, representantes de todos os países do hemisfério que nos reuniremos em
abril teremos que nos projetar sobre um cenário continental cujas vivências
políticas tem amadurecido extraordinariamente. Hoje, a luta contra a Alca, os
TLCs e o neoliberalismo no Norte, no Centro e no Sul da América, demandam
estratégias de coordenação, organização e mobilização muito mais complexas e
ambiciosas que nos anos anteriores.
Agora, devemos planejar com toda claridade que o objetivo final de nossa luta
é a segunda independência da América Latina e do Caribe, a verdadeira garantia
para a definitiva morte da Alca e seus sucessores.
Os acordos e planos que assinamos serão encaminhados para nos libertar para
sempre do saque transnacional de nossos países; da ingerência imperialista nos
assuntos que somente interessam aos povos latino-americanos e caribenhos; da
custosa dívida externa, que nos arrebata como fruto de nosso trabalho e serve
como pivô para a imposição das políticas econômicas mais convenientes ao
império; da pobreza que esgota nossos povos e expandem em nossas terras os
flagelos da fome, a ignorância e as enfermidades; do fundamentalismo de mercado
que nos escraviza na má consciência do egoísmo e da regra besta do salve-se quem
puder.
Convocamos a todos os povos da América para o 4º Encontro de Luta Contra a
Alca com a certeza de que nem a Alca, nem os Tratados de Livre Comércio, nem o
neoliberalismo, poderão se eternizar e triunfar frente aos movimentos sociais
massivos, unidos e organizados dentro de cada país e escala continental.
Chamamos a todas as forças que vêm atuando no marco da Campanha Continental
de Luta contra a Alca a montarem fileiras no caminho desta unidade junto aos
representantes e membros das organizações sociais e políticas da América; a
indígenas, negros, sindicalistas, camponeses, estudantes, populações,
religiosos, ambientalistas, antibelicistas, defensores de direitos humanos,
criadores, comunicadores, parlamentares, artistas e intelectuais, homens e
mulheres de todas as raças e povos da América.
Por uma integração baseada na cooperação, na solidariedade e no progresso de
todos!
Pela construção de outra América Possível!
Não a Alca e ao fundamentalismo de mercado!
Aliança Social Continental:
secr.asc@cut.org.br
Campanha Continental de Luta contra a Alca:
secr-cont@uol.com.br
Capítulo Cubano de Aliança Social Continental:
america@ctc.cu
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