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Em seu quarto dia de reuniões de
trabalho nos Estados Unidos, o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da
República, José Dirceu, esteve com a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e
ainda com o conselheiro de Segurança Nacional, Steven Hadley, em Washington. Com
a secretária de Estado, Dirceu tratou de temas como a Área de Livre Comércio das
Américas (Alca), a relação bilateral Brasil/Estados Unidos, a integração da
América do Sul e o papel do Brasil neste processo.
Dirceu também tratou da Alca com Hadley. "O importante é que haja um
desbloqueio e que se retomem as negociações", afirmou Dirceu. Ele disse que
ouviu de Hadley a confirmação de que os dois lados vão negociar a partir do
acordo fechado na reunião de Miami, no ano passado, de uma Alca básica para
todos os países e a possibilidade acordos mais abrangentes país por país. "Os
Estados Unidos e o Brasil estão procurando maneiras de levar esta negociação
adiante. Estamos trabalhando duro para isso e vamos continuar a trabalhar bem
juntos", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, embaixador Richard
Boucher.
Dirceu não quis prever um prazo para a conclusão das negociações, mas disse
que o Brasil está empenhado em discutir assunto por assunto, resolver os
problemas e avançar. "A agenda com o Brasil é mais complexa do que a agenda com
outros países da América. Temos que preservar a indústria brasileira e o
desenvolvimento do país. O Brasil não pode assinar um acordo sem levar em conta
seus interesses nacionais estratégicos. A negociação será mais longa, mais
complexa, mas existe uma disposição de negociar", afirmou.
Cuba e Venezuela
Na quarta-feira, em depoimento à Comissão de Relações Exteriores do Senado
sobre as prioridades do governo para a América Latina, o subsecretário de Estado
para o Hemisfério Ocidental, Roger Noriega, citou as boas relações entre os
presidente Bush e Lula, "as mais positivas e abertas na memória recente". "Temos
uma estratégia de construir laços ainda mais fortes. Vamos tentar engajar a
indústria e a mídia para apoiar a Alca e o livre comércio", afirmou Noriega.
Dirceu também disse que conversou sobre temas regionais com a secretária de
Estado, Condeleeza Rice. Sobre Cuba, disse que reiterou a posição do Brasil, de
maior aproximação com a ilha e que os dois conversaram sobre a Venezuela, mas
não abordaram a venda de aviões militares brasileiros para o país. O pleito do
Brasil por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU também foi
reiterado por Dirceu a Rice. "Ela não manifestou apoio, mas há uma compreensão
de que essa reivindicação do Brasil é válida", disse o ministro. "O Brasil,
quando demandado por outros países ou por organizações multilaterais, tem
exercido bem suas responsabilidade", avalia.
Visita ao Brasil
Com o assessor de segurança nacional, Dirceu disse ter conversado sobre a
missão brasileira no Haiti, a renegociação da dívida argentina e a retomada das
negociações do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a importância da
integração entre os países da América do Sul. "A integração não é contrária aos
interesses dos Estados Unidos, mas uma oportunidade para os investidores e as
empresas norte-americanas participarem de um mercado que vai crescer", afirmou.
O ministro também negou que participará das articulações para a reforma
ministerial e disse que não é ele quem vai negociar os cargos do PP com o
presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti. "Quem vai negociar é o
presidente", afirmou. "Se ele pedir a minha opinião, eu dou, como dei na semana
passada", disse.
O presidente norte-americano, George W. Bush, pode visitar o Brasil em
novembro, segundo Dirceu. Dirceu fez o convite ontem, no encontro que teve com
Condoleezza Rice, em Washington. "Não há confirmação oficial, mas a avaliação
que eu faço é que a tendência é de essa visita acontecer. O presidente Bush vai
à Argentina em novembro, para a reunião da Quarta Cúpula das Américas. Ele iria
ou na ida ou na volta", afirmou o ministro, salientando que não se trata de uma
escala, mas de uma visita oficial do presidente norte-americano.
As informações são da
Agência Brasil e da
agência BBC Brasil
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