Não é só no Pará
que o latifúndio recorre à
violência para manter o monopólio
da terra. Um grupo de grandes proprietários
rurais de Santa Vitória do Palmar,
na fronteira com o Uruguai, bloqueou pela
força nesta quarta-feira (23) o
acesso de três funcionários
do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra) a uma
fazenda do município. Os
técnicos só conseguiram
entrar na área com auxílio
da Brigada Militar (a polícia militar
gaúcha) e da Polícia Federal.
O Incra está fazendo vistorias
em diversas áreas do Rio Grande
do Sul para verificar se há terras
improdutivas passíveis de desapropriação
para a reforma agrária. Os senhores
de terras resistem sob o argumento de
que, devido à seca no Estado, a
vistoria pode "produzir resultados
incorretos".
Em
São Gabriel, também na metade
sul do Estado, os produtores rurais prometem
montar barreiras nas estradas se o Incra
notificar algum proprietário de
que suas terras serão vistoriadas.
Em Livramento, o sindicato rural promete
entrar na Justiça para evitar a
vistoria de 6,6 mil hectares prevista
para março.
A
metade sul do Rio Grande do Sul é
justamente aquela onde predomina o latifúndio.
Não por acaso, é também
a parte mais pobre e atrasada do Estado.
E aquela onde os latifundiários
mostram-se mais agressivos em sua oposição
à reforma agrária. São
Gabriel viveu momentos de forte conflito
em agosto de 2003 devido a essa oposição:
os senhores de terras locais tentaram
barrar uma marcha do MST que reivindicava
a desapropriação de um mega-latifúndio
situado no município.
O
Incra informou que o cronograma de atividades
não será alterado, alegando
que a produtividade de cada fazenda não
é medida pelo atual período
de estiagem, mas pela ocupação
da terra nos últimos 12 meses.
Com
informações
da Agestado
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