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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

19 de fevereiro de 2005

DESMENTIDO
Pais de estudantes brasileiros em
Cuba refutam campanha de mídia


Hélio Campagnucio, secretário Apac (Associação de Pais e Amigos dos Estudantes Brasileiros em Cuba), dirigiu uma carta ao diário gaúcho Zero Hora onde aponta nos órgãos de imprensa, especialmente jornais e TV, "uma campanha de alguns órgãos corporativistas visando denegrir o ensino de medicina em Cuba". Segundo o texto, o objetivo da campanha é "tentar jogar a opinião pública contra os 700 jovens brasileiros que estudam medicina em Cuba e o Governo brasileiro que vem trabalhando para solucionar a questão da revalidação desses diplomas".

Campagnucio lembra que a grande maioria desses 700 estudantes "são jovens pobres e bem preparados que tiveram excelentes notas em sua vida acadêmica. São pretos, índios, mulatos e brancos."

"Eles passam por rigorosos testes na Embaixada de Cuba e fazem um curso pré-médico, todo em espanhol, durante cinco meses em que fazem provas semanais de biologia, química e outras matérias básicas do curso médico. O ensino e a prática da medicina em Cuba é prioridade de Governo. Cada cubano tem no mínimo sete consultas médicas por ano, a mortalidade infantil é uma das menores do mundo atingindo a cerca de 4 recém nascidos de até um ano no grupo de mil. A expectativa de vida do cubano já supera os 75 anos. É nesse ambiente de seriedade com a saúde da população que os jovens brasileiros aprendem a ser médicos e a salvar vidas", defende a carta.

Ao defender a validação do diploma cubano de medicina, Campagnucio expõe os vícios do sistema atual, que exige provas de revalidação. "O que ocorre hoje é que as provas de revalidação são formuladas para reprovar esses jovens. Temos algumas dezenas de jovens médicos formados em Cuba em depressão, pois algumas universidades federais cobram de 500 a 2 mil reais pela taxa de inscrição para se fazer uma prova e muitos deles são pobres e não podem pagar. Outras universidades retém os documentos dos candidatos por até três anos, quando o prazo regulamentar é de seis meses", denuncia

O sítio da Apac (http://www.programandoofuturo.org.br/apac/) apresenta no seu conteúdo, em forma de perguntas e respostas, "O Que Você Deve Saber Sobre Os Estudantes Brasileiros Em Cuba ". Confira:

1) Como são escolhidos esses estudantes?

R: O governo cubano oferece a brasileiros bolsas de estudos anualmente. Somente no curso de medicina são cerca de 100 vagas, cujos estudantes são indicados por entidades civis, partidos políticos e organizações não governamentais, dentre outras. Cada entidade faz uma seleção interna e remete os nomes para a embaixada de Cuba no Brasil que procede a entrevistas, testes e verificação do currículo escolar do pretendente. São necessárias excelentes notas na vida escolar do candidato, atestado de bons antecedentes e comprovação de aptidão para o curso de medicina. Maiores informações podem ser obtidas no site da embaixada (www.embaixadaCuba .org.br).

2) quem são esses brasileiros?

R: São oriundos das mais diversas classes sociais, etnias e regiões brasileiras. E, assim, representam a diversidade racial e cultural de nosso país. São índios que após formados voltarão para suas aldeias para atuarem como médicos, jovens oriundos de movimentos sociais como o MST, que ao voltarem atuarão nos acampamentos, negros, brancos, do Acre ao Rio Grande do Sul. Em comum o bom currículo escolar, a boa formação moral e vocação pela medicina e o entusiasmo em atuar nas regiões mais carentes do pais.

3) esses candidatos prestam provas em Cuba ?

R: Os candidatos passam por um curso chamado de pré-médico, com duração de cerca de quatro meses, onde têm aulas em tempo integral e prestam provas semanais das matérias básicas do curso de medicina, como biologia e química. Aprendem nesse período a língua espanhola com provas rigorosas.

4) o que oferece o governo cubano a esses alunos?

R: Com exceção das passagens aéreas, o governo cubano oferece alojamento, alimentação completa, livros, uniformes, material escolar, material de uso pessoal, tratamento médico, social e odontológico, e uma ajuda de custo mensal para pequenas despesas pessoais. O governo brasileiro não gasta um centavo na formação desses excelentes médicos.

5) o que pretende o governo cubano ao conceder tais bolsas?

R: As becas, como são chamadas as bolsas em Cuba, têm o objetivo de formar jovens da América Latina, África e Caribe para atuarem em seus países no foco da medicina preventiva e no atendimento preferencial das populações mais carentes e interioranas, onde a medicina com foco comercial não atua. Assim, o governo cubano pretende disseminar essa medicina social nos países carentes (atendimento médico preventivo).

6) o governo cubano oferece bolsas de estudos apenas para o curso de medicina?

R: Não. São oferecidas bolsas para os cursos de educação física, engenharia, artes (cinema, balé etc.) Entre outros cursos.

7) como é o curso de medicina em Cuba ?

R: Referência mundial no ensino da medicina, os estudantes tem aulas em tempo integral inclusive aos sábados. Nos dois primeiros anos o curso é realizado na Elam (Escola Latino-Americana de Medicina) com aulas teóricas e práticas. As aulas de anatomia são feitas em turmas de no máximo oito alunos, com professores altamente qualificados. Após esses dois anos, os estudantes são encaminhados para uma das dezenas de faculdade de medicina em Cuba, que ficam dentro de hospitais e, junto com alunos cubanos, têm aulas práticas e teóricas ao longo de quatro anos, atuando inclusive junto a médicos e professores no atendimento médico ao povo cubano. Mas mais do que lições de anatomia, esses jovens recebem importantes lições de solidariedade, de viver em comunidade e de praticar uma medicina alicerçada no atendimento aos pacientes com respeito, ética e humanidade. Tornam-se jovens entusiastas, motivados e determinados a oferecem em seus países aquele atendimento médico que testemunharam e aprenderam.

8) Como é a medicina em Cuba?

R: Cuba é referência mundial na medicina, notadamente em algumas especialidades, como no tratamento do vitiligo, na oftalmologia etc. Existem em Cuba mais de 65 mil médicos para uma população de 11 milhões de habitantes, o que corresponde a um médico para cada grupo de 170 cubanos. Cada cidadão cubano tem em média, no mínimo, sete consultas médicas por ano. Os tratamentos médicos, inclusive hospitalar, social e odontológico são totalmente gratuitos e de excelente qualidade. Predomina a medicina preventiva, onde as famílias recebem a visita de equipes médicas em suas residências. A taxa de mortalidade infantil em Cuba é uma das menores do mundo, chegando a 4 mortes em cada grupo de mil nascimentos. A expectativa de vida ultrapassa os 75 anos, patamar este de países europeus. Algumas doenças ainda comuns no Brasil e em outros países do terceiro mundo como difteria, rubéola, dengue, sarampo e coqueluche já foram erradicadas de Cuba há alguns anos. Nesse ambiente de completa prioridade ao atendimento médico é que se formam os jovens brasileiros.

9) o que pretendem esses jovens após formados?

R: Após seis anos e meio de grande esforço, muito estudo, saudades da família, dos amigos, esses jovens pretendem ser úteis ao seu país e ao povo brasileiro. Como brasileiros, querem ter a oportunidade de atuar como médicos sem serem discriminados, vítimas de movimentos corporativos que tentam impedir a inserção deles no mercado de trabalho local. Desejam que a população brasileira possa ter mais essa alternativa de atendimento médico. E que a sociedade brasileira possa avaliar e julgar o seu trabalho. Juntos com os excelentes médicos aqui formados, pretendem oferecer um tratamento médico humano a cada brasileiro. Tanto àqueles que possam pagar pelo atendimento quanto àqueles milhões que não podem pagar pelo atendimento e que se encontram à margem do socorro médico, morrendo nas portas dos hospitais brasileiros. Mais do que isto: pretendem atuar para evitar que os brasileiros adoeçam.

10) E a convivência entre os médicos formados em Cuba e os formados no Brasil?

R: nos últimos anos a experiência de maior sucesso em nosso país em termos de medicina foram a do Saúde em Casa, Médico da Família e tantos outros nomes. Mas o fundamento é o atendimento preventivo do cidadão; e foi copiado da medicina cubana. A medicina preventiva evita que o cidadão tome remédio, vá ao hospital e se interne, com pesados ônus para os governos federal, estadual e municipal. A parceria entre a excelente medicina curativa praticada no Brasil e a preventiva, também especialidade dos estudantes de medicina em Cuba, ensejará ao povo brasileiro opções de atendimento e combate a doenças que poderiam ser evitadas. O atendimento médico à população mais carente e àquela que reside no interior proporcionará um melhor atendimento médico para aqueles que habitam nas grandes cidades brasileiras. Enfim, não vislumbramos concorrência entre eles, mas sim um caráter de complementaridade em suas atuações que só trará benefício ao povo brasileiro.

 

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