Hélio Campagnucio, secretário
Apac (Associação de Pais
e Amigos dos Estudantes Brasileiros em
Cuba), dirigiu uma carta ao diário
gaúcho Zero Hora onde
aponta nos órgãos de imprensa,
especialmente jornais e TV, "uma
campanha de alguns órgãos
corporativistas visando denegrir o ensino
de medicina em Cuba". Segundo o
texto, o objetivo da campanha é
"tentar jogar a opinião pública
contra os 700 jovens brasileiros que estudam
medicina em Cuba e o Governo brasileiro
que vem trabalhando para solucionar a
questão da revalidação
desses diplomas".
Campagnucio
lembra que a grande maioria desses 700
estudantes "são jovens pobres
e bem preparados que tiveram excelentes
notas em sua vida acadêmica. São
pretos, índios, mulatos e brancos."
"Eles passam por rigorosos testes
na Embaixada de Cuba e fazem um curso
pré-médico, todo em espanhol,
durante cinco meses em que fazem provas
semanais de biologia, química e
outras matérias básicas
do curso médico. O ensino e a prática
da medicina em Cuba é prioridade
de Governo. Cada cubano tem no mínimo
sete consultas médicas por ano,
a mortalidade infantil é uma das
menores do mundo atingindo a cerca de
4 recém nascidos de até
um ano no grupo de mil. A expectativa
de vida do cubano já supera os
75 anos. É nesse ambiente de seriedade
com a saúde da população
que os jovens brasileiros aprendem a ser
médicos e a salvar vidas",
defende a carta.
Ao
defender a validação do
diploma cubano de medicina, Campagnucio
expõe os vícios do sistema
atual, que exige provas de revalidação.
"O que ocorre hoje é que as
provas de revalidação são
formuladas para reprovar esses jovens.
Temos algumas dezenas de jovens médicos
formados em Cuba em depressão,
pois algumas universidades federais cobram
de 500 a 2 mil reais pela taxa de inscrição
para se fazer uma prova e muitos deles
são pobres e não podem pagar.
Outras universidades retém os documentos
dos candidatos por até três
anos, quando o prazo regulamentar é
de seis meses", denuncia
O
sítio da Apac (http://www.programandoofuturo.org.br/apac/)
apresenta no seu conteúdo, em forma
de perguntas e respostas, "O Que
Você Deve Saber Sobre Os Estudantes
Brasileiros Em Cuba ". Confira:
1)
Como são escolhidos esses estudantes?
R:
O governo cubano oferece a brasileiros
bolsas de estudos anualmente. Somente
no curso de medicina são cerca
de 100 vagas, cujos estudantes são
indicados por entidades civis, partidos
políticos e organizações
não governamentais, dentre outras.
Cada entidade faz uma seleção
interna e remete os nomes para a embaixada
de Cuba no Brasil que procede a entrevistas,
testes e verificação do
currículo escolar do pretendente.
São necessárias excelentes
notas na vida escolar do candidato, atestado
de bons antecedentes e comprovação
de aptidão para o curso de medicina.
Maiores informações podem
ser obtidas no site da embaixada (www.embaixadaCuba .org.br).
2)
quem são esses brasileiros?
R:
São oriundos das mais diversas
classes sociais, etnias e regiões
brasileiras. E, assim, representam a
diversidade
racial e cultural de nosso país.
São índios que após
formados voltarão para suas aldeias
para atuarem como médicos, jovens
oriundos de movimentos sociais como o
MST, que ao voltarem atuarão nos
acampamentos, negros, brancos, do Acre
ao Rio Grande do Sul. Em comum o bom currículo
escolar, a boa formação
moral e vocação pela medicina
e o entusiasmo em atuar nas regiões
mais carentes do pais.
3)
esses candidatos prestam provas em Cuba ?
R:
Os candidatos passam por um curso chamado
de pré-médico, com duração
de cerca de quatro meses, onde têm
aulas em tempo integral e prestam provas
semanais das matérias básicas do
curso de medicina, como biologia e química.
Aprendem nesse período a língua
espanhola com provas rigorosas.
4) o que oferece o governo cubano
a esses alunos?
R:
Com exceção das passagens
aéreas, o governo cubano oferece
alojamento, alimentação
completa, livros, uniformes, material
escolar, material de uso pessoal, tratamento
médico, social e odontológico,
e uma ajuda de custo mensal para pequenas
despesas pessoais. O governo brasileiro
não gasta um centavo na formação
desses excelentes médicos.
5)
o que pretende o governo cubano ao conceder
tais bolsas?
R:
As becas, como são chamadas as
bolsas em Cuba, têm o objetivo de
formar jovens da América Latina,
África e Caribe para atuarem em
seus países no foco da medicina
preventiva e no atendimento preferencial
das populações mais carentes
e interioranas, onde a medicina com foco
comercial não atua. Assim, o governo
cubano pretende disseminar essa medicina
social nos países carentes (atendimento
médico preventivo).
6)
o governo cubano oferece bolsas de estudos
apenas para o curso de medicina?
R:
Não. São oferecidas bolsas
para os cursos de educação
física, engenharia, artes (cinema,
balé etc.) Entre outros cursos.
7)
como é o curso de medicina em Cuba
?
R:
Referência mundial no ensino da
medicina, os estudantes tem aulas em tempo
integral inclusive aos sábados.
Nos dois primeiros anos o curso é
realizado na Elam (Escola Latino-Americana
de Medicina) com aulas teóricas
e práticas. As aulas de anatomia
são feitas em turmas de no máximo
oito alunos, com professores altamente
qualificados. Após esses dois anos,
os estudantes são encaminhados
para uma das dezenas de faculdade de
medicina
em Cuba, que ficam dentro de hospitais
e, junto com alunos cubanos, têm
aulas práticas e teóricas
ao longo de quatro anos, atuando inclusive
junto a médicos e professores no
atendimento médico ao povo cubano.
Mas mais do que lições de
anatomia, esses jovens recebem importantes
lições de solidariedade,
de viver em comunidade e de praticar uma
medicina alicerçada no atendimento
aos pacientes com respeito, ética
e humanidade. Tornam-se jovens entusiastas,
motivados e determinados a oferecem em
seus países aquele atendimento
médico que testemunharam e aprenderam.
8) Como é a medicina em
Cuba?
R:
Cuba é referência mundial
na medicina, notadamente em algumas especialidades,
como no tratamento do vitiligo, na oftalmologia
etc. Existem em Cuba mais de 65 mil médicos
para uma população de 11
milhões de habitantes, o que corresponde
a um médico para cada grupo de
170 cubanos. Cada cidadão cubano
tem em média, no mínimo,
sete consultas médicas por ano.
Os tratamentos médicos, inclusive
hospitalar, social e odontológico
são totalmente gratuitos e de excelente
qualidade. Predomina a medicina preventiva,
onde as famílias recebem a visita
de equipes médicas em suas residências.
A taxa de mortalidade infantil em Cuba
é uma das menores do mundo, chegando
a 4 mortes em cada grupo de mil nascimentos.
A expectativa de vida ultrapassa os 75
anos, patamar este de países europeus.
Algumas doenças ainda comuns no
Brasil e em outros países do terceiro
mundo como difteria, rubéola, dengue,
sarampo e coqueluche já foram erradicadas
de Cuba há alguns anos. Nesse ambiente
de completa prioridade ao atendimento
médico é que se formam os
jovens brasileiros.
9)
o que pretendem esses jovens após
formados?
R:
Após seis anos e meio de grande
esforço, muito estudo, saudades
da família, dos amigos, esses jovens pretendem
ser úteis ao seu país e
ao povo brasileiro. Como brasileiros,
querem ter a oportunidade de atuar como
médicos sem serem discriminados,
vítimas de movimentos corporativos
que tentam impedir a inserção
deles no mercado de trabalho local. Desejam
que a população brasileira
possa ter mais essa alternativa de atendimento
médico. E que a sociedade brasileira
possa avaliar e julgar o seu trabalho.
Juntos com os excelentes médicos
aqui formados, pretendem oferecer um tratamento
médico humano a cada brasileiro.
Tanto àqueles que possam pagar
pelo atendimento quanto àqueles
milhões que não podem pagar
pelo atendimento e que se encontram à
margem do socorro médico, morrendo
nas portas dos hospitais brasileiros.
Mais do que isto: pretendem atuar para
evitar que os brasileiros adoeçam.
10)
E a convivência entre os médicos
formados em Cuba e os formados no Brasil?
R:
nos últimos anos a experiência
de maior sucesso em nosso país
em termos de medicina foram a do Saúde
em Casa, Médico da Família e tantos
outros nomes. Mas o fundamento é
o atendimento preventivo do cidadão;
e foi copiado da medicina cubana. A medicina
preventiva evita que o cidadão
tome remédio, vá ao hospital
e se interne, com pesados ônus para
os governos federal, estadual e municipal.
A parceria entre a excelente medicina
curativa praticada no Brasil e a preventiva,
também especialidade dos estudantes
de medicina em Cuba, ensejará ao
povo brasileiro opções de
atendimento e combate a doenças
que poderiam ser evitadas. O atendimento
médico à população
mais carente e àquela que reside
no interior proporcionará um melhor
atendimento médico para aqueles
que habitam nas grandes cidades brasileiras.
Enfim, não vislumbramos concorrência
entre eles, mas sim um caráter de
complementaridade em suas atuações
que só trará benefício
ao povo brasileiro.
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