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É possível que a al-Qaida — o grupo no qual Bush baseou sua campanha de "guerra ao terrorismo" e definido como o centro de uma
vasta — bem financiada e bem organizada máquina terrorista internacional, não exista?
Se alguém se atrevesse a sugerir uma teoria parecida, diriam a ele que está "do lado deles",
do lado oposto aos que "combatem"
para libertar o planeta dos "grupos terroristas".
Entretanto, um novo documentário produzido pela rede britânica de televisão, a BBC, põe em dúvida a teoria da administração Bush e apresenta questões sobre outros temas que a maior parte do mundo aceitou sem nenhuma discussão, apenas a fé cega, na crença de que formam parte na chamada "guerra contra o terrorismo".
O documentário da BBC chamado "The Power of Nightmaers: The Rise of the Politics of Fear" (O poder dos Pesadelos: O Alvorecer da Política do Medo) argumenta que a maior parte do que se foi dito ao público sobre os perigos do terrorismo internacional não é outra coisa que simples "fantasia que foi exagera e deformada por políticos. É uma ilusão lúgubre, que foi difundida sem qualquer oposição através dos governos de todo o mundo, dos serviços de segurança e dos meios de comunicação internacionais".
E não é só isso.
O documentário investiga e formula perguntas muito mais pertinentes. Bush afirma que Osama bin Laden é chefe dessa imensa organização terrorista internacional, que treinou agentes em mais de 40 países. Mas, apesar dos interrogatórios e dos métodos de obtenção de informação mediante a tortura, utilizados nos prisioneiros que teoricamente pertenciam à al-Qaida, por que Washington não conseguiu nenhuma prova, nenhuma evidência concreta que prove suas afirmações?
Desde o 11 de setembro de 2001, quase 665 pessoas foram presas no Reino Unido, mas como pode ser que apenas 17 foram consideradas culpadas e em nenhum dos casos foi provado que seriam membros da al-Qaida?
Além disso, porque o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, afirmou em 2001 em um programa de notícias de uma emissora de tevê americana que a al-Qaida controlava enormes complexos de cavernas com altíssima tecnologia no Afeganistão, se as forças militares britânicas e americanas não encontraram nada parecido posteriormente?
O programa da BBC não duvida que Osama bin Laden ajudou a financiar vários grupos, mas argumenta que a administração Bush "dirigida por uma
tramóia bem urdida de maquiavélicos neoconservadores, se aproveitou da falsa imagem de uma ameaça terrorista internacional unificada para colocar no lugar da extinta União Soviética, a fim de impor um programa político".
O documentário apresenta séria duvidas sobre a dimensão real da tal "ameaça terrorista. Mesmo reconhecendo que o
terrorismo existe, está em desacordo com a teoria aceita de que ele é centralizado, dizendo que é muito mais fragmentado e complexo do que os EUA querem que o mundo aceite.
"São indivíduos e grupos perigosos e fanáticos de todo o mundo que foram
inspirados por idéias... extremas e que utilizarão as técnicas de terror em massa... mas a visão do pesadelo de uma organização oculta, única e poderosa, que espera para atacar nossas sociedades, é uma ilusão. Onde quer que essa organização esteja, desde as montanhas do Afeganistão às
'células dormentes' nos EUA, britânicos e estadunidenses estão caçando um inimigo fantasma".
Toda a informação que se conhece sobre a "ameaça de terrorismo global" veio apenas de dois lados: os agentes de grupos como a al-Qaida e as agências militares e de inteligência que têm
interesse na manutenção da impressão
criada de que, lá fora, em algum lugar, existe um inimigo altamente perigoso.
Publicado originalmente em http://www.aljazeera.com/cgi-bin/review/article_full_story.asp?service_ID=6666 , traduzido para o Rebelíon por Germán Leyens e vertido para o português por Humberto Alencar.
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