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| ---Os
dirigentes das centrais sindicais
à frente da marcha |
Milhares
de trabalhadores, líderes sindicais
e representantes de movimentos sociais
chegam nessa terça-feira (14) ao
Parque da Cidade, em Brasília,
na Marcha a Brasília pelo
salário mínimo. A hora prevista
da chegada é às 16 horas,
quando haverá ato político
e cultural, reunindo manifestantes e políticos
na defesa do reajuste do salário
mínimo para R$320,00. Atualmente,
o valor do salário mínimo
é de R$260,00.
Dois
mil manifestantes deram início
à Marcha, na segunda-feira (13),
saindo da cidade goiana de Valparaíso.
Eles caminharão cerca de 50 quilômetros
em três dias, até quarta-feira
(15), data em que os presidentes das centrais
sindicais esperam ser recebidos pelo presidente
Lula. A Carta Aberta ao Presidente da
República, com as reivindicações
dos trabalhadores brasileiros, será
divulgada depois de ser protocolada oficialmente
no Palácio do Planalto.
A
organização da Marcha prevê
a chegada de 3 mil manifestantes, com
caravanas de pelo menos 11 Estados. Vários
delas foram se incorporando à Marcha
ao longo do caminho. Do Parque da Cidade,
onde os manifestantes pernoitarão
de terça para quarta-feira, eles
saem em caminhada pelo Eixo Monumental
até a Esplanada dos Ministérios.
Na noite dessa terça-feira, haverá
ato político no Parque, com a presença
de representantes da CNBB (Conferência
Nacional dos Bispos de Brasil), OAB (Ordem
dos Advogados do Brasil), MST (Movimento
Sem-Terra), UNE (União Nacional
os Estudantes) e CMP (Central de Movimentos
Populares).
Unificação
Segundo
João Lopes, secretário de
Política Sindical da CUT (Central
Única dos Trabalhadores) do Distrito
Federal, as reivindicações
unificam os trabalhadores. A Marcha é
promovida pela CUT, CGT, SDS e Força
Sindical. As centrais sindicais querem,
além do reajuste do salário
mínimo para R$ 320,00, o compromisso
do governo de que não aumentará
a defasagem existente na tabela do Imposto
de Renda, corrigindo a tabela com a inflação
registrada durante o mandato, que nos
dois primeiros anos, é de 17%.
Outra
questão que as centrais sindicais
querem ver debatida, ainda este ano, com
o governo federal, é o reajuste
do salário do servidor público
federal. A proposta orçamentária
do governo não reserva recursos
para isso.
Na
noite de segunda-feira (13), os manifestantes
pernoitaram na Asmec (Associação
dos Servidores do Ministério da
Educação e Cultura), no
Núcleo Bandeirantes, onde foram
desenvolvidas atividades culturais e debate
sobre o orçamento 2005 e o salário
mínimo entre as entidades promotoras
da Marcha.
Novo
valor
O
presidente Luiz Inácio Lula da
Silva reuniu na segunda-feira (13) a coordenação
política do governo para tentar
definir o novo valor do salário
mínimo. Lula pediu aos ministérios
da Fazenda e do Planejamento que refaçam
as contas para que permitam um mínimo
de R$ 300. A quantia representa aumento
real de 8% acima da inflação
e impacto adicional de R$ 2,5 bilhões
no orçamento de 2005.
O
governo analisa duas propostas: conceder
R$ 300 a partir de maio ou antecipar a
data do reajuste para janeiro, fixando
o mínimo em R$ 290.
“Construção
coletiva”
O
senador Romero Jucá (PMDB/RR),
relator-geral do projeto de orçamento
da União para 2005, disse ter recebido
do presidente Lula pedido para buscar
recursos "confiáveis"
destinados a garantir o reajuste do valor
do salário no próximo ano,
sem ferir o equilíbrio fiscal.
“A elevação do salário
mínimo é uma bandeira do
presidente Lula e estamos procurando fórmulas
responsáveis para enfrentar este
desafio”, relatou Jucá.
O
senador observou, porém, que será
necessário buscar um caminho de
equilíbrio na definição
do valor do salário mínimo.
Enquanto as centrais sindicais propõem
a concessão de aumento real, ponderou,
prefeitos de pequenas cidades do país
têm demonstrado preocupação
com os efeitos de reajuste mais elevado
sobre as contas dos municípios
e com a possibilidade de demissão
de servidores.
Jucá
ressaltou ainda a dificuldade de se definir
o reajuste da tabela do Imposto de Renda
de Pessoas Físicas. Se, por um
lado, a medida pode beneficiar a classe
média, lembrou, por outro poderá
levar à diminuição
da arrecadação do imposto
e a conseqüente redução
de repasses a estados e municípios.
Para
o senador, até agora, a única
garantia era de que o mínimo poderia
ser aumentado para R$ 283,00, acrescentando
que, qualquer valor acima disso, a ser
pago em maio ou já a partir de
janeiro, depende de se encontrar fontes
de custeio. O senador Paulo Paim (PT/RS)
vem defendendo um mínimo de R$300
e há notícias na imprensa
de que o ministro do Trabalho, Ricardo
Berzoini, também defenderia patamar
maior para o mínimo.
De
Brasília.
Márcia Xavier,
com agências
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