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Um mês depois do início da
agressão americana, Faluja continua cercada e registram-se
ainda confrontos esporádicos com
a resistência. As tropas dos EUA
impedem o regresso dos refugiados e o
acesso das organizações
humanitárias à cidade, alegando
"razões de segurança",
mas cresce a convicção de
que os americanos pretendem evitar que
o mundo tenha conhecimento da verdadeira
dimensão da catástrofe provocada
pela sua "ação libertadora".
Segundo
declarações de residentes
de Faluja à agência IPS,
os EUA usaram gases venenosos e outras
armas não convencionais contra
a população civil.
Abu Hammad, um comerciante de 35 anos
que fugiu de Faluja para Bagdá,
garantiu que durante a ofensiva foram
usados todos os tipos de armamentos, incluindo
"gases tóxicos", e que
"as tropas de ocupação
bombardearam a cidade até deixá-la
em escombros".
Hammad contou
que alguns moradores tentaram passar o
rio Eufrates a nado para fugir da cidade,
mas "eram alvejados a partir da margem,
apesar de levarem uma bandeira branca
ou de terem a cabeça coberta com
um pano dessa cor, para assinalar que
não eram combatentes". O sobrevivente
garante que mulheres de idade com bandeiras
brancas foram atingidas pelos soldados
e que "também os feridos eram
assassinados". Segundo a mesma fonte,
"os americanos disseram às
pessoas que quisessem abandonar Faluja
para se juntarem numa certa mesquita,
mas mataram até as pessoas que
se dirigiram para o local hasteando bandeiras
brancas".
Abu Sabah,
outro refugiado do bairro de Julan, onde
se registraram os combates mais intensos
no ataque a Faluja, refere igualmente
que as forças americanas "usaram
essas bombas estranhas das quais a
fumaça toma a forma de cogumelo e que, após
a sua explosão, caem pequenos
pedaços com longos rastros de fumaça".
De acordo com Sabah, os tais pedaços explodem e queimam a pele, e continuam
a queimar mesmo quando se coloca a parte
atingida debaixo de água. Este
é o efeito provocado por armas
com fósforo e napalm.
Kassem Mohammed
Ahmed, fugido de Faluja há pouco
mais de uma semana, afirma por seu turno
ter testemunhado muitas atrocidades cometidas
pelos soldados americanos: "vi-os
esmagar com os seus tanques os feridos
caídos nas ruas", garante,
dizendo que "isso aconteceu muitas
vezes". Também Abdul Razaq
Ismail, outro sobrevivente, testemunhou
ter visto "corpos no chão
que ninguém podia enterrar, por
causa dos franco-atiradores", e que
"os americanos atiraram alguns cadáveres
no rio Eufrates, perto de Faluja".
Outros relatos
dão conta do assassinato de civis
que hasteavam bandeiras brancas. "Disparavam
em mulheres e velhos nas ruas, e depois
disparavam contra quem tentasse recolher
os corpos", conta Jalil, acrescentando
que "Faluja sofreu demais e está
praticamente arrasada".
O governo
fantoche provisório iraquiano informou,
por seu lado, que pelo menos 2.085 pessoas
morreram e cerca de 1.600 foram presas
durante os ataques, mas não referiu
quantos civis estavam entre as vítimas,
alegando que "há muita dificuldade
em identificar os cadáveres".
Catástrofe humanitária
Entretanto, mais de 200 mil pessoas que
fugiram de Faluja antes da agressão
indiscriminada dos EUA necessitam urgentemente
de ajuda, afirma um relatório da
ONU.
De acordo
com dados da Organização
Internacional de Migração,
citados pela Reuters, pelo menos 210.600
pessoas, ou mais de 35 mil famílias,
estão refugiadas desde 8 de novembro
em localidades próximas de Faluja,
em condições precárias,
e a proximidade do inverno faz temer pela
sua sobrevivência.
Os refugiados
não dispõem de alimentos
suficientes, roupa, abrigo e assistência
médica, e a sua situação
é agravada pelos entraves que os
invasores colocam ao deslocamento das
organizações humanitárias.
Segundo
o documento divulgado há doze dias
pelas Nações Unidas, intitulado
"Grupo de Trabalho de Emergência
- Crise de Faluja", o regresso à
cidade "pode ser mais uma questão
de meses do que de dias", dado que
a maior parte das áreas da cidade
se encontra sem energia elétrica,
água, saneamento e outros serviços
básicos, além de centenas
de edifícios totalmente destruídos
pelas bombas da aviação
americana e por disparos de artilharia
pesada.
O porta-voz
do Crescente Vermelho em Bagdá,
Abdel Hamid Salim, denunciou também
o fato dos EUA não permitirem à
organização entrar em Faluja
para "ajudar as pessoas" que
permanecem na cidade, praticamente sem
meios de subsistência.
Tomado do
jornal "Avante!", de 9 de dezembro
de 2004.
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