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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

14 DE DEZEMBRO DE 2004

IMPERIALISMO

PC Português: Crimes de guerra americanos em Faluja



Um mês depois do início da agressão americana, Faluja continua cercada e registram-se ainda confrontos esporádicos com a resistência. As tropas dos EUA impedem o regresso dos refugiados e o acesso das organizações humanitárias à cidade, alegando "razões de segurança", mas cresce a convicção de que os americanos pretendem evitar que o mundo tenha conhecimento da verdadeira dimensão da catástrofe provocada pela sua "ação libertadora".

Segundo declarações de residentes de Faluja à agência IPS, os EUA usaram gases venenosos e outras armas não convencionais contra a população civil.

Abu Hammad, um comerciante de 35 anos que fugiu de Faluja para Bagdá, garantiu que durante a ofensiva foram usados todos os tipos de armamentos, incluindo "gases tóxicos", e que "as tropas de ocupação bombardearam a cidade até deixá-la em escombros".

Hammad contou que alguns moradores tentaram passar o rio Eufrates a nado para fugir da cidade, mas "eram alvejados a partir da margem, apesar de levarem uma bandeira branca ou de terem a cabeça coberta com um pano dessa cor, para assinalar que não eram combatentes". O sobrevivente garante que mulheres de idade com bandeiras brancas foram atingidas pelos soldados e que "também os feridos eram assassinados". Segundo a mesma fonte, "os americanos disseram às pessoas que quisessem abandonar Faluja para se juntarem numa certa mesquita, mas mataram até as pessoas que se dirigiram para o local hasteando bandeiras brancas".

Abu Sabah, outro refugiado do bairro de Julan, onde se registraram os combates mais intensos no ataque a Faluja, refere igualmente que as forças americanas "usaram essas bombas estranhas das quais a fumaça toma a forma de cogumelo e que, após a sua explosão, caem pequenos pedaços com longos rastros de fumaça". De acordo com Sabah, os tais pedaços explodem e queimam a pele, e continuam a queimar mesmo quando se coloca a parte atingida debaixo de água. Este é o efeito provocado por armas com fósforo e napalm.

Kassem Mohammed Ahmed, fugido de Faluja há pouco mais de uma semana, afirma por seu turno ter testemunhado muitas atrocidades cometidas pelos soldados americanos: "vi-os esmagar com os seus tanques os feridos caídos nas ruas", garante, dizendo que "isso aconteceu muitas vezes". Também Abdul Razaq Ismail, outro sobrevivente, testemunhou ter visto "corpos no chão que ninguém podia enterrar, por causa dos franco-atiradores", e que "os americanos atiraram alguns cadáveres no rio Eufrates, perto de Faluja".

Outros relatos dão conta do assassinato de civis que hasteavam bandeiras brancas. "Disparavam em mulheres e velhos nas ruas, e depois disparavam contra quem tentasse recolher os corpos", conta Jalil, acrescentando que "Faluja sofreu demais e está praticamente arrasada".

O governo fantoche provisório iraquiano informou, por seu lado, que pelo menos 2.085 pessoas morreram e cerca de 1.600 foram presas durante os ataques, mas não referiu quantos civis estavam entre as vítimas, alegando que "há muita dificuldade em identificar os cadáveres".

Catástrofe humanitária

Entretanto, mais de 200 mil pessoas que fugiram de Faluja antes da agressão indiscriminada dos EUA necessitam urgentemente de ajuda, afirma um relatório da ONU.

De acordo com dados da Organização Internacional de Migração, citados pela Reuters, pelo menos 210.600 pessoas, ou mais de 35 mil famílias, estão refugiadas desde 8 de novembro em localidades próximas de Faluja, em condições precárias, e a proximidade do inverno faz temer pela sua sobrevivência.

Os refugiados não dispõem de alimentos suficientes, roupa, abrigo e assistência médica, e a sua situação é agravada pelos entraves que os invasores colocam ao deslocamento das organizações humanitárias.

Segundo o documento divulgado há doze dias pelas Nações Unidas, intitulado "Grupo de Trabalho de Emergência - Crise de Faluja", o regresso à cidade "pode ser mais uma questão de meses do que de dias", dado que a maior parte das áreas da cidade se encontra sem energia elétrica, água, saneamento e outros serviços básicos, além de centenas de edifícios totalmente destruídos pelas bombas da aviação americana e por disparos de artilharia pesada.

O porta-voz do Crescente Vermelho em Bagdá, Abdel Hamid Salim, denunciou também o fato dos EUA não permitirem à organização entrar em Faluja para "ajudar as pessoas" que permanecem na cidade, praticamente sem meios de subsistência.

Tomado do jornal "Avante!", de 9 de dezembro de 2004.

 

 

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