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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

26 de NOVEMBRO de 2004

EM MOVIMENTO

10 mil participam de protesto por mudanças na política econômica


Manifestação ocorreu na frente do Banco Central, em Brasília

Nesta quinta-feira (25/11) a capital federal viveu um dia agitado com a realização de três ruidosos protestos. O maior deles foi promovido por entidades que integram a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). A manifestação juntou cerca de 10 mil pessoas que marcharam pelas ruas de Brasília até a sede do Banco Central para exigir a mudança da política econômica, redução imediata das taxas de juros e não renovação do acordo com o FMI, de modo a conduzir a nação a um novo projeto nacional de desenvolvimento, com soberania e valorização do trabalho. A passeata teve mais de um quilômetro de extensão. A multidão provocou um grande congestionamento no chamado Eixo Monumental, que corta Brasília. Houve também manifestações em outras cidades brasileiras.

Dois eventos recentes motivaram a convocação do protesto: um foi o novo aumento na taxa de juros básicos da economia promovido pelo Copom na semana passada e outro foi a demissão do economista Carlos Lessa do BNDES, "interpretada, à direita e à esquerda, como uma vitória da dupla Palocci/Meireles e do capital financeiro, além de ser mais um claro sinal de consolidação da política econômica neoliberal", segundo comenta o boletim da Corrente Sindical Classista (CSC), uma das participantes da mobilização.

A manifestação, batizada de "Ato por Mudanças na Política Econômica, Desenvolvimento, Reforma agrária, emprego e o fim dos leilões de energia", foi reforçada pela presença dos milhares de participantes da Conferência Água e Terra, fazendo boa parte da imprensa interpretar o ato como um evento do MST, quando na verdade a entidade é apenas uma das dezenas que compõem a Coordenação dos Movimentos Sociais.

A manifestação contou com representantes da CUT, entre eles o vice-presidente Wagner Gomes e o diretor Antonio Carlos Spis; da UNE, Gustavo Petta e Paulo Vinícius; da Ubes, Marcelo Gavião; do MST, João Pedro Stédile; e Dom Tomaz Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra. Os deputados federais Chico Alencar (PT/RJ) e Adão Preto (PT/RS) também marcharam guiados por um potente carro de som, com músicas e palavras de ordem.

Os manifestantes foram recebidos com festa pelos funcionários do Bacen, que com aplausos mostraram a bandeira do Brasil e jogaram papéis picados pelas janelas do prédio central. Já a direção do Banco foi menos calorosa e destacou um funcionário chefe do almoxarifado para receber o documento final da Conferência Terra e Água, encerrada no mesmo dia.

Durante o protesto, foi queimada uma grande bandeira norte-americana em que havia a sigla FMI. Os manifestantes gritaram palavras de ordem pedindo a demissão de Palocci, que cortou gastos públicos para cumprir as metas de superávit acertadas com o FMI.

Os manifestantes pediram ainda uma audiência com o presidente Luis Inácio Lula da Silva para a próxima terça-feira (30/11).

Segundo Spis, da CUT, o ato foi muito bem construído e serviu como "puxão de orelha" em Lula. "A CMS reconhece a geração de empregos mas acredita que é necessário repensar o projeto nacional de desenvolvimento", afirmou.

Tumulto na frente do Congresso

Outra manifestação que agitou a capital federal ontem reuniu cerca de quatro mil estudantes, a maioria formada militantes do PSTU, PSOL e de outras organizações de extrema-esquerda que fazem oposição ao governo Lula. Havia também uma grande quantidade de punks. Os jovens se concentraram em frente ao Congresso Nacional em protesto contra as reformas sindical, trabalhista e universitária, causando tumulto no local. Mil policiais foram chamados para fazer a segurança da manifestação, informou o comando da Polícia Militar do Distrito Federal.

Os manifestantes invadiram o espelho d´água em frente ao Congresso, jogaram água nos policiais e quebraram vidros de janelas do prédio e de carros estacionados no local. Uma bandeira dos Estados Unidos também foi queimada no protesto. Dois jovens foram detidos acusados de atos de vandalismo. Darius Leva Emrani, de 19 anos, e Thiago Madureira Araújo, de 23, foram levados para a sede da Polícia Legislativa do Congresso.

Após a concentração em frente ao Congresso Nacional, os manifestantes se deslocaram até o ministério da Educação. Uma comissão de estudantes foi recebida pelo ministro interino da Educação, Fernando Hadat.

MTL protesta no Incra

A terceira manifestação do dia em Brasília foi realizada por um grupo de cerca de duzentos militantes do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) que foram à sede do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e aos gritos de "Lula, vamos parar o Brasil" quebraram janelas e portas.

Os manifestantes ocuparam parte do prédio por cerca de duas horas até serem retirados pela polícia. Dois policiais e dois manifestantes ficaram feridos.

Da redação

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