
Manifestação ocorreu na frente do Banco Central, em BrasíliaNesta
quinta-feira (25/11) a capital federal viveu um dia agitado com a realização de
três ruidosos protestos. O maior deles foi promovido por entidades que integram
a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). A manifestação juntou cerca de 10
mil pessoas que marcharam pelas ruas de Brasília até a sede do Banco Central
para exigir a mudança da política econômica, redução imediata das taxas de juros
e não renovação do acordo com o FMI, de modo a conduzir a nação a um novo
projeto nacional de desenvolvimento, com soberania e valorização do trabalho. A
passeata teve mais de um quilômetro de extensão. A multidão provocou um grande
congestionamento no chamado Eixo Monumental, que corta Brasília. Houve também
manifestações em outras cidades brasileiras.
Dois eventos recentes motivaram a convocação do protesto: um foi o novo
aumento na taxa de juros básicos da economia promovido pelo Copom na semana
passada e outro foi a demissão do economista Carlos Lessa do BNDES,
"interpretada, à direita e à esquerda, como uma vitória da dupla Palocci/Meireles
e do capital financeiro, além de ser mais um claro sinal de consolidação da
política econômica neoliberal", segundo comenta o boletim da Corrente Sindical
Classista (CSC), uma das participantes da mobilização.
A manifestação, batizada de "Ato por Mudanças na Política Econômica,
Desenvolvimento, Reforma agrária, emprego e o fim dos leilões de energia", foi
reforçada pela presença dos milhares de participantes da Conferência Água e
Terra, fazendo boa parte da imprensa interpretar o ato como um evento do MST,
quando na verdade a entidade é apenas uma das dezenas que compõem a Coordenação
dos Movimentos Sociais.
A manifestação contou com representantes da CUT, entre eles o vice-presidente
Wagner Gomes e o diretor Antonio Carlos Spis; da UNE, Gustavo Petta e Paulo
Vinícius; da Ubes, Marcelo Gavião; do MST, João Pedro Stédile; e Dom Tomaz
Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra. Os deputados federais Chico Alencar
(PT/RJ) e Adão Preto (PT/RS) também marcharam guiados por um potente carro de
som, com músicas e palavras de ordem.
Os manifestantes foram recebidos com festa pelos funcionários do Bacen, que
com aplausos mostraram a bandeira do Brasil e jogaram papéis picados pelas
janelas do prédio central. Já a direção do Banco foi menos calorosa e destacou
um funcionário chefe do almoxarifado para receber o documento final da
Conferência Terra e Água, encerrada no mesmo dia.
Durante o protesto, foi queimada uma grande bandeira norte-americana em que
havia a sigla FMI. Os manifestantes gritaram palavras de ordem pedindo a
demissão de Palocci, que cortou gastos públicos para cumprir as metas de
superávit acertadas com o FMI.
Os manifestantes pediram ainda uma audiência com o presidente Luis Inácio
Lula da Silva para a próxima terça-feira (30/11).
Segundo Spis, da CUT, o ato foi muito bem construído e serviu como "puxão de
orelha" em Lula. "A CMS reconhece a geração de empregos mas acredita que é
necessário repensar o projeto nacional de desenvolvimento", afirmou.
Tumulto na frente
do Congresso
Outra manifestação que agitou a capital federal ontem reuniu cerca de quatro
mil estudantes, a maioria formada militantes do PSTU, PSOL e de outras
organizações de extrema-esquerda que fazem oposição ao governo Lula. Havia
também uma grande quantidade de punks. Os jovens se concentraram em frente ao
Congresso Nacional em protesto contra as reformas sindical, trabalhista e
universitária, causando tumulto no local. Mil policiais foram chamados para
fazer a segurança da manifestação, informou o comando da Polícia Militar do
Distrito Federal.
Os manifestantes invadiram o espelho d´água em frente ao Congresso, jogaram
água nos policiais e quebraram vidros de janelas do prédio e de carros
estacionados no local. Uma bandeira dos Estados Unidos também foi queimada no
protesto. Dois jovens foram detidos acusados de atos de vandalismo. Darius Leva
Emrani, de 19 anos, e Thiago Madureira Araújo, de 23, foram levados para a sede
da Polícia Legislativa do Congresso.
Após a concentração em frente ao Congresso Nacional, os manifestantes se
deslocaram até o ministério da Educação. Uma comissão de estudantes foi recebida
pelo ministro interino da Educação, Fernando Hadat.
MTL protesta no Incra
A terceira manifestação do dia em Brasília foi realizada por um grupo de
cerca de duzentos militantes do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) que
foram à sede do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e aos gritos
de "Lula, vamos parar o Brasil" quebraram janelas e portas.
Os manifestantes ocuparam parte do prédio por cerca de duas horas até serem
retirados pela polícia. Dois policiais e dois manifestantes ficaram feridos.
Da redação
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