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| A
capa de ontem do diário novaiorquino |
O
diário norte-americano The
New York Times pediu abertamente
votos para o candidato presidencial John
Kerry. O apoio, "com entusiasmo",
está no editorial deste domingo,
intitulado, sem meias-palavras, "John
Kerry para presidente".
O
texto qualifica a gestão de Bush
de "desastrosa" e salienta que
"Kerry oferece algo mais que uma
simples alternativa ao status quo".
Sem
farisaísmos
A
imprensa norte-americana, como a européia,
não partilha da farisaica relutância
usual na mídia brasileira, em explicitar
suas preferências eleitorais. Seu
mais prestigioso ícone, o New
York Times, não oculta sua
histórica proximidade do Partido
Democrata. O anúncio da opção
eleitoral costuma ser feito de forma rotineira,
como uma entre outros posicionamentos
editoriais do veículo.
Outros
jornais estadunidenses também declaram
seu apoio a Kerry neste domingo: Dayton
Daily News de Dayton, Ohio; Star-Tribune
de Minneapolis, Minnesota; The Boston
Globe de Boston, Massachusetts; San
Francisco Chronicle de São
Francisco, Califórnia; e The
Miami Herald, de Miami, Flórida.
Há
também os diários que apóiam
Bush. É o caso do Dallas Morning
News, do Texas, onde Bush foi governador.
"Os Estados Unidos querem e necessitam
de um presidente corajoso. Ainda que tenha
tropeçado e caído algumas
vezes, Bush sempre se levantou para combater
o segundo round. Isso é convicção.
Isso é coerência", escreveu
o diário de Dallas.
Outros
órgãos, como The Washington
Post, The Los Angeles Times e
The Wall Street Journal ainda não
declararam apoio a nenhum candidato.
"Gostamos
do que temos visto"
O
editorial do The New York Times
enumera críticas a Bush que vão
desde a guerra no Iraque até a
falta de respeito pelas liberdades civis
e qualifica a administração
de inepta. "Kerry, ao contrário,
tem as qualidades que poderiam ser a base
para um grande chefe do Executivo",
escreve o NYT, mencionando suas
virtudes, claridade de pensamento e capacidade
de reavaliar decisões quando as
condições se modificam".
O jornal declara que "gostamos do
que temos visto de Kerry".
O artigo segue atacando Bush ao citar
a escolha de John Ashcroft para o cargo
de procurador-geral. Segundo o jornal,
Ashcroft é "um querido da
extrema direita com um histórico
de insensibilidade com relação
às liberdades civis".
O
11 de Setembro
O conteúdo do editorial aponta
que o mandato de Bush só foi legítimo
depois dos ataques de 11 de setembro,
quando o atual presidente "viu a
oportunidade de pedir por qualquer tipo
de sacrifício compartilhado"
por conta do sentimento de união
do país. "O único limite
era sua imaginação",
disse o diário. O NYT
cita como conseqüência dessa
atitude uma ressurreição
da era Nixon, com "uma obsessão
pelo segredo, desrespeito às liberdades
civis e administração inepta".
Também são criticados o
investimento em educação
e em remédios para a população,
que ficou "abaixo do necessário",
o tratamento dado presos no Afeganistão,
privados de comunicação
com suas famílias, e a insistência
em relacionar, erroneamente, a rede terrorista
Al Qaeda com o ex-presidente do Iraque
Saddam Hussein.
O editorial ressalta que — por todos os
motivos citados — teme pelo rumo da história
dos Estados Unidos se Bush for reeleito,
inclusive no que diz respeito à
Corte Suprema. "Graça ao senhor
Bush, Jay Bybee, o autor de um memorando
infame do Departamento de Justiça
que justifica o uso de tortura como método
de interrogatórios, agora é
um juiz da Corte Federal de Apelação",
denuncia.
Por fim, o jornal afirma que os eleitores
devem analisar o que os candidatos fizeram
no passado, quais são suas prioridades
e seu caráter. "É com
base nesses critérios que apoiamos
com entusiasmo John Kerry", diz o
editorial.
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