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Brasil, quinta-feira, 3 de julho de 2008

28 de SETEMBRO de 2004

DIREITOS REPRODUTIVOS
Campanha luta pela descriminalização do aborto na América Latina e Caribe
 
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Faixa em protesto de mulheres dá o recado para a sociedade

Ganhar corações e mentes é a tônica das ações que marcam o Dia da Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe, nessa terça-feira, 28 de setembro. Trinta mil folhetos serão distribuídos pelos Estados através das regionais da Rede Feminista de Saúde, dos fóruns e redes de mulheres, apresentando os motivos, as circunstâncias, as conseqüências do abortamento clandestino na vida das mulheres e o que precisa ser feito para mudar a realidade sobre o aborto.

O mote da Campanha deste ano é Aborto — a mulher decide, a sociedade respeita, o Estado garante. E foi adotado em toda a América Latina e Caribe. A decisão foi tomada na última reunião realizada em Lima, em agosto deste ano.

A data serve também para a discussão de acontecimentos recentes que respaldam as propostas das Jornadas pelo Aborto Legal e Seguro - o debate no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a liminar que autoriza a interrupção da gravidez por anencefalia (feto com má formação cerebral incompatível com a vida); as denúncias e aprisionamento de mulheres que abortaram no Rio de Janeiro e Salvador; e a morte de Francisca Elizabeth por aborto inseguro em Fortaleza.

Um cartão postal eletrônico em apoio à aprovação da liminar no STF vai ser distribuído entre grupos e pessoas envolvidos no debate. Em Brasília, está prevista a colocação de um painel eletrônico com reforço à liminar do STF. As ações buscam pautar a mídia local e nacional para a ação do 28 de setembro.

Nota da UBM

A União Brasileira de Mulheres, entidade feminista de grande tradição de lutas no país, publicou em site na internet (www.ubmulheres.org.br) uma nota na qual afirma que o aborto constitui um problema de saúde pública e de justiça social. "Sabemos que as mulheres penalizadas pela sua ilegalidade são mulheres de baixa renda e que têm dificuldades de acesso a informação de como planejar seus filhos, têm dificuldades de acesso aos métodos contraceptivos, aos serviços de saúde, vivem em condições de subemprego e desemprego, que possui outros filhos e que muitas vezes arcam solitariamente com esta maternidade", diz o documento.

Clandestinidade

Segundo estudos da Rede Feminista de Saúde (Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos), o ciclo de clandestinidade do aborto tem produzido vários desvios e problemas, os mais graves deles são a morte e a prisão das mulheres que abortam. O debate quer abordar os aspectos do direito a saúde e a dignidade das mulheres como aspectos relevantes para sensibilizar a população.

O debate quer alcançar o Estado, aproveitando o período das eleições para denunciar e exigir solução para questões como irregularidades de atendimento , que resultam em mortalidade materna, discriminação e maus tratos no atendimento ao aborto inseguro, assim como a ausência de assistência às mulheres vítimas de violência sexual na rede pública de saúde.

No Brasil, o aborto constitui um problema de saúde pública e um tema de justiça social. Enquanto mulheres com recursos financeiros são atendidas de modo seguro — com qualidade e sem risco para a saúde e a vida —, mulheres pobres; negras e as adolescentes e jovens são empurradas para o aborto clandestino e inseguro.

Elas recorrem a práticas de grande risco — uso de sondas, chás tóxicos e outros remédios caseiros de efeitos colaterais danosos — ou buscam apoio em pessoas inescrupulosas ou sem competência profissional para realizar um aborto, expondo a saúde e a vida a riscos desnecessários.

A criminalização e a ilegalidade do aborto construíram a indústria do aborto clandestino, fonte de lucros incalculáveis, e que evidencia o caráter classista do acesso ao aborto seguro. Além disso, a criminalização e a ilegalidade geram a clandestinidade para a realização do aborto, que pode resultar na morte precoce e desnecessária de mulheres — um ônus apenas para quem não pode pagar por um aborto seguro.

Portanto, recorrer ao abortamento inseguro expressa desigualdade social, e abortar de modo inseguro é injustiça social. Quando a mulher decide interromper uma gravidez, cabe à sociedade respeitar e ao Estado garantir o exercício desse direito.

Rede Feminista de Saúde

A Rede Feminista de Saúde é um movimento de mulheres, fundada em 1991. Reúne cerca de 180 instituições — entre grupos de mulheres, organizações não governamentais, núcleos de pesquisa, organizações sindicais/profissionais e conselhos de direitos da mulher — além de profissionais de saúde e ativistas feministas, que desenvolvem trabalhos políticos e de pesquisa em saúde da mulher, direitos sexuais e direitos reprodutivos.

A Rede possui dez Regionais nos estados de Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal, com sede em Belo Horizonte. E tem representações em vários conselhos, comitês e comissões em âmbito nacional, estadual e municipal, além de ser membro de entidades da própria sociedade civil.

De Brasília
Márcia Xavier

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