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| Charge
de Amarildo para o Gazeta Online |
Por
Bernardo Joffily
O
jantar desta segunda-feira (13), que reuniu
o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva com seis senadores do PFL e um do
PSDB, provocou um clima de caça
às bruxas nas fileiras oposicionistas.
Há um expurgo em curso. É
melhor um partido pequeno com a cara limpa,
do que grande sem identidade, diz
o líder da agremiação
no Senado, José Agripino (RN).
Em
menos de 24 horas, foi instalado no interior
do PFL um processo visando a expulsão
do senador Antonio Carlos Magalhães
(BA), com o presidente da legenda, senador
Jorge Bornhausen (SC) indicando o deputado
Eduardo Sciarra (PR) para relatar o pedido
de expulsão formalizado pelo deputado
Onyx Lorenzoni (RS). O senador Marco Maciel
(PE), último vice-presidente da
ditadura militar e um dos cardeais pefelistas,
esteve presente na apresentação
do pedido de expulsão.
Objetivo:
"Causar um racha"
Segundo
o pedido de expulsão, o jantar
"foi organizado com o objetivo de
causar um racha na oposição
e abrir espaço político
para o governo do PT no Senado, com a
aprovação de matérias
de seu interesse". E qualifica a
presença dos comensais como um
"insuportável" gesto
de "autêntica rendição
ao governo e ao PT".
Bornhausen, já de hábito
uma das vozes mais estridentes da oposição
ao governo Lula, superou-se nos comentários
sobre o episódio. O senador disse
que a ação política
está sendo feita pelo comandante
José Dirceu e pelos seus dois comandados,
o presidente Lula e o ministro Aldo Rebelo.
Antes, segundo Bornhausen, esse trabalho
era feito pelo Waldomiro Diniz. E o senador
ataca "de um lado o comandante José
Dirceu e seus comandados Lula e Aldo Rebelo
praticando o ato explícito de cooptação.
Do outro, o senador Antonio Carlos oferecendo
adesão".
"Só
há um caminho no PFL"
O
senador foi enfático na reafirmação
da vocação oposicionista
intransigente da legenda que preside.
Ele que apoiou os seis governos fardados
da ditadura militar, foi chefe da Casa
Civil de Fernando Collor e perfilou com
Fernando Henrique Cardoso em seus dois
mandatos, ontem proclamava: "No PFL,
há um só caminho, o de oposição".
O
jantar ocorreu na casa do ministro José
Dirceu (Casa Civil). Participaram do jantar
todos os três senadores do PFL da
Bahia Antônio Carlos Magalhães,
César Borges e Rodolfo Tourinho;
do Maranhão, Roseana Sarney e Edson
Lobão, e do Tocantins, João
Ribeiro. Também participou do jantar
o senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO).
Pelo Governo, além de Lula e Dirceu,
estava presente o ministro Aldo Rebelo
(Coordenação Política).
O senadores do PFL Paulo Otávio(DF)
e Romeu Tuma (SP), que constavam da lista
de convidados, não compareceram.
Rebelo:
Lula fará outros encontros
Aldo
Rebelo, que visitou ontem o Senado, desmentiu
a versão de que foi um jantar de
cooptação. "Não
houve cooptação. As palavras
são injustas. Não se aplicam
ao encontro do presidente ontem com os
senadores. O presidente quer se encontrar
com todos os parlamentares, inclusive
com o senador Jorge Bornhausen. O senador
Bornhausen conta com o nosso respeito
e esperamos o seu respeito recíproco",
disse o ministro.
Segundo
Rebelo, o jantar foi uma etapa de outras
iniciativas já realizadas com parlamentares.
E o presidente vai promover outros encontros
com senadores e deputados, para
que o governo e o Congresso estabeleçam
objetivos comuns em função
dos interesses do país e da sociedade.
O ministro afirmou que o governo trabalha
para ampliar a base de apoio no Senado.
Hoje, os partidos aliados somam 39 senadores,
o que representa menos de 50% da bancada
do Senado - formada por 81 senadores.
Temos uma agenda de reuniões
do presidente e dos ministros com os senadores
da base aliada e da oposição.
Essa jornada vamos continuar cumprindo.
Rebelo reafirmou o interesse do governo
em aprovar logo no Senado os projetos
da lei de Biossegurança e das Parcerias
Público-Privadas (PPPs).
ACM,
a língua viperina
Já
ACM reagiu à ameaça de expulsão
com a língua viperina que fazia
a alegria da imprensa nos tempos em que
era tido como o vice-rei do governo FHC,
antes de cair em desgraça, em 2000.
"Não sei se vou apresentar
defesa. Não estou levando este
assunto a sério", disse o
senador baiano. Ele disse que tratará
do caso depois das eleições
de 3 de outubro.
ACM
lembra que não infringiu nenhuma
regra partidária ao participar
do jantar. "Acho que uma pessoa janta
onde quer, na casa de quem quer. Isto
tem sido feito por todos os parlamentares,
incluindo o líder do meu partido,
senador José Agripino, que janta
com ministros", espicaça.
"Aqueles
que não estão habituados
com a vida democrática, principalmente
os perdedores que não entendem
o que os vitoriosos fazem", provoca
ainda ACM, referindo-se à situação
aparentemente confortável de seu
grupo na Bahia, em contraste com os desempenhos
em geral precários do PFL nas pesquisas.
"Sei
que não está bem nas pesquisas"...
A
ironia se estende também ao autor
do pedido de expulsão. "Não
conheço bem quem pediu minha expulsão.
Sei que é um candidato que não
está bem nas pesquisas e que certa
feita me ofereceu aqui uma lingüiça
especial de sua terra. É o único
conhecimento que tenho do deputado, qual
é o nome mesmo? Onyx Lorenzoni",
arremata.
Lorenzoni
é candidato a prefeito de Porto
Alegre. Figura em sétimo lugar
na última pesquisa Ibope, entre
oito candidatos (está à
frente de Vera Guasso, do PSTU), com 3%
das intenções de voto. E
o PFL não faz segredo do estrago
que o racha em curso gera no seu esquema
eleitoral. Segundo declarou ontem Bornhausen,
o partido tem 1.700 candidatos nessas
eleições, dos quais 1.400
têm como adversário direto
o PT.
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