Por Márcia Xavier
O
jantar do presidente Lula com um grupo
de senadores liderados por Antônio
Carlos Magalhães (PFL-BA) na noite
de ontem, segunda-feira (13), na casa
do chefe da Casa Civil, José Dirceu,
alimenta os boatos de que o senador Antônio
Carlos Magalhães movimenta-se para
fundar outro partido político,
governista. Seu principal parceiro na
empreitada é o deputado federal
Delfim Neto (PP-SP), que defende a atual
política econômica do ministro
Antônio Palloci, da Fazenda.
Segundo
O Globo, o encontro provoca reações
contrárias nos dois partidos -
irrita os petistas e é reprovado
pela direção do PFL. O argumento
é de que as legendas são
adversárias nas eleições
municipais que se avizinham e o momento
não é oportuno para o encontro.
Na
imprensa, o jantar foi noticiado como
parte do esforço do Governo para
romper a paralisia do Congresso e ampliar
a base de sustentação no
Senado, diz-se que o Palácio do
Planalto, estimula a movimentação
de setores do PFL alinhados ao governo
para formar um novo partido. A partir
dessa terça-feira, quando começam
de fato os trabalhos no Congresso, há
11 medidas provisórias trancando
a pauta da Câmara e uma no Senado.
Segundo
os analistas políticos, o jantar
do presidente com senadores pefelistas,
liderados por Antonio Carlos Magalhães,
está sendo visto como uma provocação
pela direção do PFL. O esforço
para construir maioria no Senado também
desperta reservas entre os aliados, por
causa da emenda da reeleição
da mesa diretora das duas Casas – Câmara
e Senado.
PFL
anuncia "refundação"
O
PFL estuda um projeto de novo modelo econômico
para o País - a ser discutido com
a sociedade depois da eleição
municipal. Também está prevista
a realização de um congresso
visando à "refundação"
do partido. Esta "refundação",
anunciada pelo presidente nacional do
partido, senador Jorge Bornhausen, quando
esteve no Recife, na semana passada, implica
mudança de programa, de estrutura
e inclui uma "purificação"
interna com a saída de quem não
se dispuser a assumir um papel de oposição
ao governo federal ou não se afinar
com a nova bandeira de modelo econômico
a ser proposto.
"Nosso
partido chegou a 20 anos e muito do que
está no programa já não
é objeto de prioridade atual",
explicou Bornhausen. Com a mudança
e atualização do programa,
Bornhausen disse que o partido poderá
abrir as portas para "os homens e
mulheres de bem que querem fazer política
e estão mal acomodados ou fora
das agremiações partidárias".
A purificação da legenda,
segundo ele, já começou
com a saída de quem aceitou convite
do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) para participar do governo.
"Quem adere, não merece consideração".
Assim,
depois de uma longa (para alguns observadores,
multi-secular) experiência governista,
as forças que comandam o PFL adotam
face ao governo Lula uma linha de oposição
pura e dura. E tratam de expurgar quem
não adote esta alternativa.
Bornhausen
descartou a possibilidade de mudança
de nome do partido. “Não está
em pauta, mas o partido se prepara para
voltar a ter identidade e um projeto de
governo, tornando-se opção
para disputar a Presidência da República”,
disse, destacando que o candidato só
será escolhido depois da consolidação
do novo modelo econômico, que deverá
ter seus pilares na redução
de impostos e corte de despesas governamentais.
O ex-vice-presidente da República,
senador Marco Maciel (PE) é o coordenador
dos estudos do novo modelo.
"O
governo do presidente Lula mostrou logo
no primeiro dia ser perdulário",
afirmou Bornhausen, ao dizer que o povo
está maduro para não acreditar
mais em ilusão (a exemplo da promessa
de criação de 10 milhões
de emprego), esperando propostas factíveis
que possam ser cumpridas. Ele reiterou
que o crescimento de 3% da economia é
"medíocre" e que o presidente
Lula se limitou a continuar a política
econômica, "com mau gerenciamento".
Além de Bornhausen e Maciel, compõem
a cúpula pefelista os senadores
José Agripino Maia (RN), Romeu
Tuma (SP), José Jorge (PE) e os
deputados federais José Carlos
Aleluia (BA) e André de Paula (PE).
De
Brasília
|