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Com base nos registros de ocorrências da
malha de delegacias especializadas no
atendimento à mulher, a Comissão da Mulher
Advogada da OAB-SP finalizou — e divulga na
última quarta-feira (1/9), mapa estatístico
inédito da violência contra as mulheres em
todo o Estado de São Paulo, registradas
neste ano. Foram classificadas agressões
diversas, como lesões corporais dolosas,
maus tratos, calúnia, difamação,
constrangimento, ameaça, estupros,
tentativas de estupros, atentado ao pudor e
crimes sexuais sem violência. "Em todo o
Estado foram registrados mais de 132 mil
casos de violência contra a mulher, apenas
nos cinco primeiros meses desse ano, mas o
número pode ser muito maior, porque muitas
mulheres não fazem boletim de ocorrência por
medo ou vergonha", diz a presidente da
Comissão da Mulher Advogada, Maria Elisa
Munhol.
Para o presidente da OAB-SP — Luiz Flávio
Borges D'Urso — o mapa demonstra uma
realidade que precisa ser combatida.
"Precisamos erradicar todas as formas de
violência contra a mulher, que hoje ainda
sofre com a violência silenciosa, praticada
na esfera doméstica", diz D'Urso,
ressaltando que a OAB SP vem mantendo
convênio de assistência judiciária com o
Estado, que funciona junto a algumas DDMs,
para que a reação à violência não termine no
BO, mas tenha resposta jurídica e leve à
punição do autor do crime.
Na capital paulista, os dados provêm das
nove subseções da Delegacia da Mulher:
Centro, Sul, Oeste, Norte, Leste, Santo
Amaro, São Miguel, São Mateus e Pirituba,
que juntas contabilizam 21.888 casos com
algum tipo de violência contra a mulher, mas
apenas 241 prisões efetuadas. O bairro de
Santo Amaro registrou, neste período, o
maior número de ocorrências com 4.903 casos,
incluindo, entre outros, 1.146 lesões
corporais dolosas, 1.094 ameaças e 11
estupros. Também foi o bairro onde a
Delegacia da Mulher mais efetuou prisões:
152. São Miguel Paulista vem em seguida com
4.179 casos registrados, sendo 923 lesões
corporais; 1.321ameaças e 10 estupros. Foram
22 prisões.
Conforme o mapa, a região central revela-se
a área com maior incidência de crimes
sexuais. Houve 40 estupros, sendo 12 de
autoria conhecida e 28 de autoria
desconhecida, além de duas tentativas de
estupros e cinco atentados violentos ao
pudor. No entanto, teve a segunda menor taxa
de lesões corporais dolosas, atrás apenas de
Pirituba, que tem o maior número de boletins
de ocorrência por constrangimento ilegal.
Em relação ao interior de São Paulo, foram
analisados os dados de 116 municípios com
Delegacias de Defesa da Mulher, que
efetuaram 110.956 registros. Depois da
Capital, a Região Metropolitana de Campinas,
formada por 19 municípios e com 2,3 milhões
de habitantes mostra-se a mais violenta
contra a mulher. Em apenas sete desses
municípios foram realizados 8.602 registros.
Entre eles, Americana se destaca com 3.619
casos.
No interior, as grandes cidades também são
as campeãs em crimes sexuais. Guarulhos
lidera com 25 estupros contabilizados,
seguida de Campinas com 22, Franca com 13,
Ribeirão Preto com 12 e Santo André com
oito. Entre todos os municípios analisados,
apenas 26 não registraram crimes de estupro
ou atentado ao pudor no período.
Fonte:
Adital/Micheline
Matos
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