O Sindicato dos Jornalistas Profissionais
no Estado de São Paulo, filiado
à CUT, realiza nesta quinta-feira
(19) reunião aberta a todos os
interessados, jornalistas ou não,
para debater a proposta de criação
dos Conselhos Federal e Regionais de Jornalismo.
O Sindicato considera a reunião
"necessária para esclarecer
uma série de dúvidas e ‘maus
entendidos' causados, principalmente,
pela veiculação de matérias
distorcidas envolvendo esta proposta",
no que o presidente da entidade classifica
de "clima de guerra". Foram
convidados para a reunião vários
representantes de entidades da sociedade
civil. Também
em Salvador, o Sinjorba promove debate
semelhante, na sede da seção
Bahia da OAB.
Veja dedica capa a atacar o Conselho
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva apresentou projeto de lei,
de autoria da Federação
Nacional dos Jornalistas (Fenaj-CUT),
que institui a criação do
Conselho Federal de Jornalismo e de Conselhos
Regionais. Para entrar em vigor o projeto
deverá ser submetido à votação
na Câmara e no Senado Federal.
A proposta caiu feito “bomba atômica”
na grande imprensa que vem divulgando
que a criação do Conselho
significa “flagrante tentativa de cercear
a liberdade de imprensa, pensamento e
expressão”. Uma das publicações
que reforça essa tese é
a Revista Veja desta semana,
onde o assunto virou capa. Veja
ouviu 30 personalidades do mundo artístico,
político, acadêmico e cultural
que rechaçaram a proposta.
Para
o vice-presidente da Fenaj (Federação
Nacional dos Jornalistas) e presidente
do Sindicato dos Jornalistas de São
Paulo, Fred Guedini, "grande parte
mídia não está debatendo
idéias, mas slogans". Fred,
e um dos mais antigos defensores da criação
do polêmico Conselho Federal, foi
ouvido ontem por Pedro Venceslau, para
o Vermelho.
Vermelho - Você acredita
que o Conselho Federal de Jornalismo será
aprovado pelo Congresso?
Fred - Não dá para
implantar nada agora, com esse clima de
guerra que foi criado. Grande parte mídia
não está debatendo idéias,
mas slogans. O projeto deve ir para votação
só depois das eleições,
quando a poeira baixar. A idéia
é criar a cultura de um jornalismo
ético, criar a cultura da auto
-educação, não perseguir
jornalistas.
Vermelho
- Se o Conselho já existisse, o
caso do jornalista Luís Costa Pinto,
que confessou ter publicado uma matéria
mentirosa na Veja e destruído
a carreira de Ibsen Pinheiro, seria julgado
de que maneira? Qual seria a pena?
Fred - As matérias sobre
o Conselho estão cheias de erros
de apuração. Não
queremos julgar conteúdo, nem opinião
de ninguém. Ainda não estão
definidas punições, nem
critérios, mas o caso de Luís
costa Pinto é um daqueles exemplos
que não tem nada de subjetivo.
É aferível que houve uma
mentira, e ela seria julgada.
Vermelho - O que você achou
da matéria de capa da Veja,
que é praticamente um editorial
contra o Conselho?
Fred - Um exemplo do mau jornalismo:
eles tem a tese e vão a campo
comprová-la.
É a pauta que prevalece sobre os
fatos, quando deveria ocorrer o contrário.
Em nome da ética no jornalismo
Segundo a Fenaj, não é objetivo
do Conselho Federal de Jornalismo “cercear
a liberdade de expressão ou como
alguns editoriais vêm dizendo voltar
à ditadura”. "A finalidade
é cuidar dos registros para atuar
na profissão, do exercício
ético do jornalismo, e da adequada
formação dos futuros profissionais.
A ética jornalística – basicamente
não faltar com a verdade, checar
as informações antes que
estas sejam passadas ao público
e evidenciar os vários ângulos
e versões de um assunto quando
este envolve conflito de interesses – afetando toda a sociedade".
A
reunião acontece às 19 horas,
na sede do Sindicato (Rua Rego Freitas,
530 – sobreloja – Centro). A
Fenaj dedicou ao tema o seu último
boletim eletrônico (clique
aqui para ver).
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