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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

23 de julho de 2004

Justiça
Petrobras suspende compra de álcool de trabalho escravo


A Petrobras Distribuidora confirma a suspensão da compra de álcool do Grupo José Pessoa, controlador da Usina Santa Cruz, em Campos dos Goytacazes, no litoral norte do Rio de Janeiro, que foi autuada por manter trabalhadores em situação de trabalho escravo. A assessoria da Petrobras Distribuidora afirma que a empresa não mantinha qualquer contrato direto de fornecimento regular com a Santa Cruz. A distribuidora se limitava a adquirir o álcool no mercado spot, que comercializa o produto proveniente de várias usinas, inclusive a da própria Santa Cruz. Ao tomar conhecimento das denúncias, a Petrobrás suspendeu a compra de álcool que pudesse ter sua origem na usina autuada e ainda encaminhou carta aos usineiros, solicitando esclarecimentos a respeito da situação.

Em uma operação conjunta com o Ministério Público e a Polícia Federal, o Ministério do Trabalho comprovou a prática de trabalho escravo na usina Santa Cruz. O procurador do Trabalho Wilson Prudente disse que a operação foi desencadeada a partir de denuncia feita por um dos empregados que conseguiu escapar e chegar à Delegacia de Trabalho de Campos. A partir da comprovação da pratica de trabalho escravo, o Ministério do Trabalho deu entrada com uma ação civil pública com pedido de indenização por danos morais coletivo no valor de cinco milhões de reais, contra o Grupo José Pessoa. A justiça já obteve, inclusive, a liminar que coloca indisponíveis os bens da empresa.

Empresa pública

Para o procurador, não há dúvidas da caracterização do trabalho escravo. "Ficou constatado pelas condições degradantes do alojamento, pelo fato de a maioria dos trabalhadores não estarem recebendo sequer o salário mínimo e, desta forma, ficavam impossibilitados de se deslocarem. Eles estavam presos por dívidas de aluguel e de alimentação. É a chamada escravidão contemporânea. No local estavam presentes todos os elementos caracterizadores de trabalho escravo", disse.

Wilson Prudente afirmou que a decisão da Petrobras é condizente com uma empresa pública. "A Petrobras, neste caso, ao cortar negociações com uma empresa que comprovadamente prática o trabalho escravo - verificado pelos auditores fiscais - se comportou como uma empresa publica, uma sociedade de economia mista, deve se comportar em um regime democrático. A Petrobras é uma empresa brasileira e nós não queremos a imagem do Brasil manchada pela chaga do trabalho escravo. Nós não esperávamos que, em um governo democrático, a Petrobras pudesse ter um comportamento melhor do que este", afirmou.

Dutra na Colômbia

A Petrobras anunciou também que vai investir US$ 60 milhões nas primeiras fases de um projeto petroleiro no Caribe colombiano, anunciou o presidente da empresa, José Eduardo Dutra, em uma entrevista publicada ontem pelo jornal El Tiempo, de Bogotá. Dutra, que chega ontem à capital colombiana, informou que a Petrobras "espera investir cerca de US$ 25 milhões em aquisição de dados entre 2004 e 2006, e caso decida fazer perfurações, 35 milhões adicionais por poço, ou seja, US$ 60 milhões nas primeiras fases". O presidente da Petrobras explicou que o Mar do Caribe está incluído na estratégia de longo prazo da empresa, e que já começaram a aquisição de dados através do levantamento sísmico 3D realizado pela estatal Empresa Colombiana de Petróleos (Ecopetrol) e outros estudos.

Há dois meses, a Ecopetrol anunciou a assinatura de um memorando com a Petrobras para a exploração de uma área de 45 mil km² no Caribe colombiano, em associação com a americana ExxonMobil. Segundo Dutra, a decisão de entrar no mercado colombiano foi tomada após a melhoria das condições para investimentos em exploração e produção. "O governo colombiano, através de suas últimas reformas, como a criação da Agência Nacional de Hidrocarbonetos (ANH), e das mudanças em seu modelo contratual, está aumentando a competitividade das atividades de exploração e produção", explicou.

Dutra acrescentou que, do ponto de vista da Petrobras, há condições de que mais petroleiras cheguem à Colômbia para explorar. "As mudanças no aspecto regulador, a conhecida estabilidade política e econômica do país, e, principalmente, os avanços importantes que o governo conseguiu em segurança interna e suporte institucional aos investidores nos permitem afirmar que a Colômbia segue na direção correta para atrair mais capital de risco. A Petrobras está apostando neste cenário", garantiu. Durante a visita de dois dias a Bogotá, Dutra se reunirá com o presidente colombiano, Alvaro Uribe, e com o presidente da Ecopetrol, Isaac Yanovich.

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