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Roqueiros
na frente da Câmara de Salvador |
Os roqueiros baianos, através da
Associação Cultural Clube do Rock (ACCR),
protestam contra a política cultural
reinante em Salvador, que segundo eles,
favorece a poucos de uma maneira
monopolista. Este foi um dos debates da
audiência pública “A importância do Rock
para a cidade de Salvador e os problemas
enfrentados pela ACCR (Associação Cultural
Clube do Rock)”. A audiência, de autoria
do vereador Reginaldo Oliveira (PCdoB),
foi realizada no auditório da Câmara
Municipal de Salvador, no dia 27 de maio.
“A Bahia é também o berço do Rock
nacional. São produzidos atualmente
diversos trabalhos em Salvador, mas não
têm visibilidade”, diz Oliveira, que é, ao
lado do deputado estadual Javie Alfaya
(PCdoB), um dos poucos políticos baianos
que apóiam a causa dos roqueiros.
A ACCR também reivindica o retorno do
palco Rock Livre ao Carnaval de Salvador.
E a criação da Praça do Rock. A associação
já conta inclusive com um projeto visando
a implantação da Praça do Rock, na antiga
Praça Jubiabá, na Ladeira do Passo, no
Pelourinho. Eles também sugerem como
alternativa a implantação da Praça do Rock
no Comércio.
A idéia central é criar e divulgar um
espaço onde bandas do segmento rocker
possam divulgar os seus trabalhos
musicais. No local também seriam
instalados equipamentos para a prática do
skate. O projeto sugere ainda a instalação
de um Museu do Rock, com espaço nobre
reservado a Raul Seixas. “Ele foi o
primeiro brasileiro a montar uma banda de
Rock no Brasil. Seu acervo é grande e
requer maior atenção”, afirma Sandra de
Cássia, da ACCR. A cidade de Salvador tem
inclusive um Dia Municipal do Rock (Lei
5404/98) celebrado todo dia 28 de junho,
dia do aniversário de Raul Seixas.
A luta dos roqueiros soteropolitanos
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Folheto
de convocação para a audiência pública |
Em um manifesto de convocação para a
Audiência Pública, a ACCR intimava "Eu,
você, sua família, seus amigos, sua banda,
sua loja, sua casa de show, simpatizantes,
estudantes de Comunicação (que também tem
realizado trabalhos de faculdade usando o
rock como tema), radialistas dos novos e
dos velhos programas de rock de redes
FM’s, AM’s e Rádios Comunitárias, os
portais que estão ligados diretamente com
a cultura rocker, enfim, todos que vivem o
velho e bom ROCK n’ ROLL", a ajudar nesta
luta que tem como objetivo "mudar os
conceitos e preconceitos relacionado à
cultura rocker na Bahia."
"O nosso segmento tem o direito de mostrar
que está sendo afetado pela 'política
cultural' existente, que favorece a
poucos, e de maneira monopolista!!!!",
dizia o manifesto.
Um outro documento da entidade,
divulgado nos primeiros dias do Carnaval
de 2004, informava que "a Emtursa, órgão
que organiza o carnaval do Salvador sob o
comando da fiel festeira da cidade Eliana
Dumêt e o Sr. Prefeito desconhecem o
direito do segmento rocker em ter o seu
espaço aberto nesta festa."
Segundo a ACCR, os organizadores do
Carnaval de Salvador apresentaram ma
"mentira" ao público quando batizaram o
Carnaval de 2004 com o slogan “O Carnaval
da Mistura”, querendo dizer que havia
espaço para todos. "MENTIRA!! Somos os
discriminados, o que causa muita tristeza
às nossas bandas, associados e público.
Parece que os organizadores não entendem
ou não procuram se informar que existem os
sub-estilos do rock que jamais tocarão
nestes espaços dentro do carnaval
tradicional, como o rock “pesadão”, ou
seja, Heavy Metal, Hard Core, Punk Rock, e
os seus mais 34 (trinta e quatro)
sub-estilos. Estes espaços, como sempre,
privilegiarão os poucos que fazem o dito
Pop Rock (rock leve) ou os bens
relacionados, causando a insatisfação e
revolta em todo mundo, porque se existe o
rock no carnaval hoje em dia, fomos nós (a
ACCR e as bandas de rock “pesadão”) que o
infiltrou, pois nós bem sabemos o
sofrimento e humilhação que passamos em
1994 para implantar o PALCO DO ROCK, sem
contar com as difamações dos estilos
“convencionais” (que vocês sabem quais
são) que não entendiam os nossos
propósitos, achando eles, que queríamos
tomar os seus espaços. E atualmente, não
podemos usufruir do que nós implantamos.
Sentimos como se tivéssemos erguido a
casa, e de repente, fomos colocados para
fora sem direito a nada.", afirmava o
manifesto.
O texto afirma ainda que foi solicitado
por várias vezes ao prefeito da cidade do
Salvador, Antônio Imbassahy, que revisse
esta exclusão do segmento no Carnaval e
que tanto a Policia Militar e Civil não se
opunham à instalação do Palco do Rock. Mas
que diante da recusa do prefeito se
sentiam no direito de interpretar que "não
vivemos uma democracia, e sim, uma
ditadura disfarçada, uma escravidão em um
estado de um homem só, que transforma
nossa cidade em uma MAGALHÂNDIA, sem
ninguém conseguir detê-lo."
"Esta estratégia de atrasar sempre estas
respostas nós já conhecemos bem. Deixam
até o último momento para que não tenhamos
mais condições de realizar mais nada, e
quando forem questionados sobre o assunto
pela imprensa, dirão que fomos nós que não
quisemos realizar o evento. Todo ano
acontece a mesma coisa, mas para tanto,
estamos preparados.", acusam os roqueiros
soteropolitanos.
História

Palco
do Rock em 1998
A Associação Cultural Clube do Rock foi
criada em 1991 com o objetivo de
incentivar a cultura rocker local. Sua
primeira diretoria era composta por
Humberto César (Tedão), integrante da
banda Sexto Sentido, Ediomário (Tuca) da
banda Razão Social e Maria Luíza, advogada
e simpatizante do movimento. Muitas
reuniões foram feitas com as entidades
responsáveis pela organização do carnaval
baiano para que as bandas de Rock tivessem
seu espaço. A idéia inicial do projeto era
com bandas de Rock tocando em trios
elétricos, porém não obteve êxito. Em
1994, Sandra e Ray da banda Ulo Selvagem
se integraram a diretoria, fazendo com que
idéias novas e maduras fossem implantadas.
Sandra tinha um projeto que visava a
realização de um grande festival em
Arembepe (praia de uma cidade próxima,
Camaçari) reciclando ao grupo uma opção de
obter um palco alternativo só para bandas
de Rock. O projeto então foi levado ao
conhecimento do Sindicato dos Músicos, e o
mesmo encaminhou até a Prefeitura. Depois
de muito esforço, foi aprovado na Câmara
Municipal de Salvador o Projeto
Alternativo Palco do Rock, criando uma
categoria intitulada "bandas de Rock".
Neste primeiro ano, foi realizado um
concurso público desenvolvido pela
Prefeitura (Emtursa), Sindicato dos
Músicos e Ordem dos Músicos do Brasil na
Associação Atlética da Bahia, com as
bandas divididas nas seguintes categorias:
Música baiana, Samba e Pagode, Categoria
Mirim, Bandas e Fanfarras e Bandas de
Rock.
A categoria "bandas de Rock" obteve
inscrição de mais de 40 (quarenta) bandas
para o Concurso Público obtendo espaço
para 2 (duas) bandas notórias, sendo elas;
Ulo Selvagem, que ficou em primeiro lugar
e a The Farpa, que ficou em segundo,
conquistando assim o direito de fazer duas
apresentações ao lado das bandas Cravo
Negro, Treblinka e Úteros em Fúria. A
categoria "bandas de Rock" obteve a melhor
pontuação perante às outras categorias. Ao
total, foram 27 (vinte e sete) bandas de
Rock classificadas para tocar no primeiro
Palco do Rock, montado na Praia de
Jaguaribe. Todas elas receberam um cachê
que variavam entre 1.000 (mil) a 3.000
(três mil) dólares. Cerca de mais de 3.000
(três mil) pessoas compareceram
diariamente.
No ano seguinte, o evento cresceu e
ganhou visibilidade. Mas a partir de 1996
começaram os problemas com a prefeitura.
Mesmo com cobertura da MTV e despertando o
interesse de um público cada vez maior,
houve falhas na infra-estrutura do evento.
Em 1997, a nova administração da cidade de
Salvador fez uma série de mudanças no
Carnaval, principalmente na contenção de
despesas. Antes, Salvador tinha cerca de
21 (vinte e um) palcos alternativos (não
de rock, e sim, axé e pagode) espalhados
por toda cidade. Esses palcos foram
diminuídos para apenas 4 (quatro) e o
Palco do Rock não estava incluído. Com
muita pressão, os roqueiros conseguiram
que o Palco do Rock fosse mantido, mas os
"cachês" foram extintos. Com isso, uma
polêmica muito grande foi criada, porque o
concurso público já havia sido realizado e
as bandas escolhidas com seus respectivos
cachês publicados no Diário Oficial do
Município. Muitas delas se recusaram tocar
gratuitamente. Foi concebida então uma
reunião emergencial, onde ficou decidido
convidar algumas bandas para suprir as
vagas em aberto. Neste ano, apesar de alguns empecilhos, a ACCR obteve uma
vitória importante para o Rock local com a
coletânea "Bahia Rock Collection" lançada
pelo selo WR Discos, sendo composta com o
melhor que existia no Rock local, tendo
como seu principal objetivo mostrar o que
a Bahia estava produzindo, com bandas como
Nós nem Liga, Mercy Killing, Peacemaker,
Slow, Crotalus, Blackness, Ulo Selvagem,
Shadows, Síncope, Yonsem Maia, Dê Cream
Cracker, Autonomia e Dois Sapos e Meio.
Foi bem recebida pela crítica local e
nacional pelo alto nível de gravação e
qualidade técnica das bandas.
Em sua quinta edição (1998), o concurso
público foi destituído e as bandas
passaram a ser selecionadas através dos
seus materiais pela própria ACCR. O Palco
continuou desenvolvendo suas atividades
nos três anos seguintes, sendo que em
20o0, em sua sétima edição, o Palco do
Rock recebeu pela primeira vez
representantes internacionais entre as
atrações. E no ano de 2001 o evento ganhou
um
website e
estruturas "extra-palco-do- rock", como
FutAreia e FutEspuma (Campeonato de
Futebol masculino e feminino entre as
bandas), além de reuniões mais
estruturadas e festas de confraternização
entre os músicos. O Festival Alternativo
Palco do Rock de 2001 foi também o mais
eclético em termos de estilos musicais,
tendo tudo para ser um sucesso, mas alguns
episódios localizados de violência (comuns
no Carnaval de Salvador, mas raros no
Palco do Rock) levam a prefeitura a pedir
o cancelamento do festival.
Em 2002, com o boicote da prefeitura, o
Palco do Rock não aconteceu e em 2003, com
uma nova diretoria e nova estrutura, a
ACCR, em protesto à não liberação para
realização do evento, realizou o mesmo de
uma maneira totalmente independente,
alternativa e sem patrocínio, num local
mais reduzido e com bilheteria. Agregou
cerca de 800 pessoas por dia, tocando ao
todo 28 (vinte e oito) bandas.
De Salvador,
Pedro Castro Filho
Colaborou: Cláudio Gonzalez,
com informações do site da ACCR
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