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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

1º de JUNHO de 2004

CENA MUSICAL EM SALVADOR
Vereador do PCdoB apóia roqueiros contra discriminação no meio musical soteropolitano

 
 
Roqueiros na frente da Câmara de Salvador

Os roqueiros baianos, através da Associação Cultural Clube do Rock (ACCR), protestam contra a política cultural reinante em Salvador, que segundo eles, favorece a poucos de uma maneira monopolista. Este foi um dos debates da audiência pública “A importância do Rock para a cidade de Salvador e os problemas enfrentados pela ACCR (Associação Cultural Clube do Rock)”. A audiência, de autoria do vereador Reginaldo Oliveira (PCdoB), foi realizada no auditório da Câmara Municipal de Salvador, no dia 27 de maio. “A Bahia é também o berço do Rock nacional. São produzidos atualmente diversos trabalhos em Salvador, mas não têm visibilidade”, diz Oliveira, que é, ao lado do deputado estadual Javie Alfaya (PCdoB), um dos poucos políticos baianos que apóiam a causa dos roqueiros.

A ACCR também reivindica o retorno do palco Rock Livre ao Carnaval de Salvador. E a criação da Praça do Rock. A associação já conta inclusive com um projeto visando a implantação da Praça do Rock, na antiga Praça Jubiabá, na Ladeira do Passo, no Pelourinho. Eles também sugerem como alternativa a implantação da Praça do Rock no Comércio.

A idéia central é criar e divulgar um espaço onde bandas do segmento rocker possam divulgar os seus trabalhos musicais. No local também seriam instalados equipamentos para a prática do skate. O projeto sugere ainda a instalação de um Museu do Rock, com espaço nobre reservado a Raul Seixas. “Ele foi o primeiro brasileiro a montar uma banda de Rock no Brasil. Seu acervo é grande e requer maior atenção”, afirma Sandra de Cássia, da ACCR. A cidade de Salvador tem inclusive um Dia Municipal do Rock (Lei 5404/98) celebrado todo dia 28 de junho, dia do aniversário de Raul Seixas.

A luta dos roqueiros soteropolitanos

 
Folheto de convocação para a audiência pública

Em um manifesto de convocação para a Audiência Pública, a ACCR intimava "Eu, você, sua família, seus amigos, sua banda, sua loja, sua casa de show, simpatizantes, estudantes de Comunicação (que também tem realizado trabalhos de faculdade usando o rock como tema), radialistas dos novos e dos velhos programas de rock de redes FM’s, AM’s e Rádios Comunitárias, os portais que estão ligados diretamente com a cultura rocker, enfim, todos que vivem o velho e bom ROCK n’ ROLL", a ajudar nesta luta que tem como objetivo "mudar os conceitos e preconceitos relacionado à cultura rocker na Bahia."

"O nosso segmento tem o direito de mostrar que está sendo afetado pela 'política cultural' existente, que favorece a poucos, e de maneira monopolista!!!!", dizia o manifesto.

Um outro documento da entidade, divulgado nos primeiros dias do Carnaval de 2004, informava que "a Emtursa, órgão que organiza o carnaval do Salvador sob o comando da fiel festeira da cidade Eliana Dumêt e o Sr. Prefeito desconhecem o direito do segmento rocker em ter o seu espaço aberto nesta festa."

Segundo a ACCR, os organizadores do Carnaval de Salvador apresentaram ma "mentira" ao público quando batizaram o Carnaval de 2004 com o slogan “O Carnaval da Mistura”, querendo dizer que havia espaço para todos. "MENTIRA!! Somos os discriminados, o que causa muita tristeza às nossas bandas, associados e público. Parece que os organizadores não entendem ou não procuram se informar que existem os sub-estilos do rock que jamais tocarão nestes espaços dentro do carnaval tradicional, como o rock “pesadão”, ou seja, Heavy Metal, Hard Core, Punk Rock, e os seus mais 34 (trinta e quatro) sub-estilos. Estes espaços, como sempre, privilegiarão os poucos que fazem o dito Pop Rock (rock leve) ou os bens relacionados, causando a insatisfação e revolta em todo mundo, porque se existe o rock no carnaval hoje em dia, fomos nós (a ACCR e as bandas de rock “pesadão”) que o infiltrou, pois nós bem sabemos o sofrimento e humilhação que passamos em 1994 para implantar o PALCO DO ROCK, sem contar com as difamações dos estilos “convencionais” (que vocês sabem quais são) que não entendiam os nossos propósitos, achando eles, que queríamos tomar os seus espaços. E atualmente, não podemos usufruir do que nós implantamos. Sentimos como se tivéssemos erguido a casa, e de repente, fomos colocados para fora sem direito a nada.", afirmava o manifesto.

O texto afirma ainda que foi solicitado por várias vezes ao prefeito da cidade do Salvador, Antônio Imbassahy, que revisse esta exclusão do segmento no Carnaval e que tanto a Policia Militar e Civil não se opunham à instalação do Palco do Rock. Mas que diante da recusa do prefeito se sentiam no direito de interpretar que "não vivemos uma democracia, e sim, uma ditadura disfarçada, uma escravidão em um estado de um homem só, que transforma nossa cidade em uma MAGALHÂNDIA, sem ninguém conseguir detê-lo."

"Esta estratégia de atrasar sempre estas respostas nós já conhecemos bem. Deixam até o último momento para que não tenhamos mais condições de realizar mais nada, e quando forem questionados sobre o assunto pela imprensa, dirão que fomos nós que não quisemos realizar o evento. Todo ano acontece a mesma coisa, mas para tanto, estamos preparados.", acusam os roqueiros soteropolitanos.

História

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Palco do Rock em 1998

A Associação Cultural Clube do Rock foi criada em 1991 com o objetivo de incentivar a cultura rocker local. Sua primeira diretoria era composta por Humberto César (Tedão), integrante da banda Sexto Sentido, Ediomário (Tuca) da banda Razão Social e Maria Luíza, advogada e simpatizante do movimento. Muitas reuniões foram feitas com as entidades responsáveis pela organização do carnaval baiano para que as bandas de Rock tivessem seu espaço. A idéia inicial do projeto era com bandas de Rock tocando em trios elétricos, porém não obteve êxito. Em 1994, Sandra e Ray da banda Ulo Selvagem se integraram a diretoria, fazendo com que idéias novas e maduras fossem implantadas. Sandra tinha um projeto que visava a realização de um grande festival em Arembepe (praia de uma cidade próxima, Camaçari) reciclando ao grupo uma opção de obter um palco alternativo só para bandas de Rock. O projeto então foi levado ao conhecimento do Sindicato dos Músicos, e o mesmo encaminhou até a Prefeitura. Depois de muito esforço, foi aprovado na Câmara Municipal de Salvador o Projeto Alternativo Palco do Rock, criando uma categoria intitulada "bandas de Rock". Neste primeiro ano, foi realizado um concurso público desenvolvido pela Prefeitura (Emtursa), Sindicato dos Músicos e Ordem dos Músicos do Brasil na Associação Atlética da Bahia, com as bandas divididas nas seguintes categorias: Música baiana, Samba e Pagode, Categoria Mirim, Bandas e Fanfarras e Bandas de Rock.

A categoria "bandas de Rock" obteve inscrição de mais de 40 (quarenta) bandas para o Concurso Público obtendo espaço para 2 (duas) bandas notórias, sendo elas; Ulo Selvagem, que ficou em primeiro lugar e a The Farpa, que ficou em segundo, conquistando assim o direito de fazer duas apresentações ao lado das bandas Cravo Negro, Treblinka e Úteros em Fúria. A categoria "bandas de Rock" obteve a melhor pontuação perante às outras categorias. Ao total, foram 27 (vinte e sete) bandas de Rock classificadas para tocar no primeiro Palco do Rock, montado na Praia de Jaguaribe. Todas elas receberam um cachê que variavam entre 1.000 (mil) a 3.000 (três mil) dólares. Cerca de mais de 3.000 (três mil) pessoas compareceram diariamente.

No ano seguinte, o evento cresceu e ganhou visibilidade. Mas a partir de 1996 começaram os problemas com a prefeitura. Mesmo com cobertura da MTV e despertando o interesse de um público cada vez maior, houve falhas na infra-estrutura do evento. Em 1997, a nova administração da cidade de Salvador fez uma série de mudanças no Carnaval, principalmente na contenção de despesas. Antes, Salvador tinha cerca de 21 (vinte e um) palcos alternativos (não de rock, e sim, axé e pagode) espalhados por toda cidade. Esses palcos foram diminuídos para apenas 4 (quatro) e o Palco do Rock não estava incluído. Com muita pressão, os roqueiros conseguiram que o Palco do Rock fosse mantido, mas os "cachês" foram extintos. Com isso, uma polêmica muito grande foi criada, porque o concurso público já havia sido realizado e as bandas escolhidas com seus respectivos cachês publicados no Diário Oficial do Município. Muitas delas se recusaram tocar gratuitamente. Foi concebida então uma reunião emergencial, onde ficou decidido convidar algumas bandas para suprir as vagas em aberto. Neste ano, apesar de alguns empecilhos, a ACCR obteve uma vitória importante para o Rock local com a coletânea "Bahia Rock Collection" lançada pelo selo WR Discos, sendo composta com o melhor que existia no Rock local, tendo como seu principal objetivo mostrar o que a Bahia estava produzindo, com bandas como Nós nem Liga, Mercy Killing, Peacemaker, Slow, Crotalus, Blackness, Ulo Selvagem, Shadows, Síncope, Yonsem Maia, Dê Cream Cracker, Autonomia e Dois Sapos e Meio. Foi bem recebida pela crítica local e nacional pelo alto nível de gravação e qualidade técnica das bandas.

Em sua quinta edição (1998), o concurso público foi destituído e as bandas passaram a ser selecionadas através dos seus materiais pela própria ACCR. O Palco continuou desenvolvendo suas atividades nos três anos seguintes, sendo que em 20o0, em sua sétima edição, o Palco do Rock recebeu pela primeira vez representantes internacionais entre as atrações. E no ano de 2001 o evento ganhou um website e estruturas "extra-palco-do- rock", como FutAreia e FutEspuma (Campeonato de Futebol masculino e feminino entre as bandas), além de reuniões mais estruturadas e festas de confraternização entre os músicos. O Festival Alternativo Palco do Rock de 2001 foi também o mais eclético em termos de estilos musicais, tendo tudo para ser um sucesso, mas alguns episódios localizados de violência (comuns no Carnaval de Salvador, mas raros no Palco do Rock) levam a prefeitura a pedir o cancelamento do festival.

Em 2002, com o boicote da prefeitura, o Palco do Rock não aconteceu e em 2003, com uma nova diretoria e nova estrutura, a ACCR, em protesto à não liberação para realização do evento, realizou o mesmo de uma maneira totalmente independente, alternativa e sem patrocínio, num local mais reduzido e com bilheteria. Agregou cerca de 800 pessoas por dia, tocando ao todo 28 (vinte e oito) bandas.

De Salvador,
Pedro Castro Filho
Colaborou: Cláudio Gonzalez, com informações do site da ACCR

 

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