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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

25 de maio de 2004

ASSENTAMENTOS
Governo e MST divergem sobre
números da reforma agrária


Uma reunião que entrou pela noite de ontem, entre líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e três ministros, tentou passar a limpo as estimativas da reforma agrária para 2004. Os números não batem. O MDA afirma ter assentado de janeiro a maio 29.847 famílias nas diversas etapas do processo de assentamento; já os números do MST dão conta de cerca de 8 mil famílias.

José Dirceu (Casa Civil); Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) conversaram durante mais de quatro horas com João Paulo Rodrigues, membro da coordenação do MST, e líderes regionais do movimento sobre as metas do Plano Nacional da Reforma Agrária (PNRA), anunciado pelo presidente Lula no final de 2003. O compromisso do governo Lula é assentar 400 mil famílias até o final do mandato, sendo 115 mil ainda em 2004.

Cerca de 200 mil famílias estão acampadas esperando a efetivação da reforma agrária. Segundo o MST, existem no Brasil mais de 4 milhões de trabalhadores rurais sem-terra em condições de ocupar parte dos 120 milhões de hectares de terras improdutivas que, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), podem ser destinadas à reforma agrária.

Conferir números

“Os nossos cálculos não são compatíveis com os do Ministério, por isso pedimos outros encontros, em que seja possível fazer um mapa regional e transparente sobre os assentamentos”, disse João Paulo, comentando a discrepância de números.

A pauta apresentada pelos sem-terra ao governo reivindica o assentamento das 115 mil famílias em 2004; o cadastramento imediato de todas as novas famílias acampadas, com distribuição de certas básicas, além de assistência técnica; formulação de créditos especiais para a reforma agrária e fortalecimento do INCRA, com melhoria das normas para desapropriação.

O líder do MST acredita que as decisões políticas tomadas pelo governo em Brasília não têm chegado aos assentamentos do MST e pede ao INCRA que confira a quantidade de famílias assentadas, o que foi repassado de crédito e o que de fato chegou aos assentamentos. Ele reconhece que a burocracia dos bancos dificulta o acesso ao crédito, mas assegura que o esforço do MST é grande em apoio às iniciativas do governo para que as metas sejam cumpridas.

Desapropriação pára nos tribunais

Os líderes do MST lembraram que as ocupações feitas no mês de abril vão continuar. Foram 135 mil ocupações em 20 Estados, mobilizando cerca de 34 mil famílias. Os estados líderes foram Pernambuco, com 32 ocupações; Sergipe, com 19 e São Paulo, com 15.

O MST se esforça para manter a simbologia do mês de abril na luta pela terra desde abril de 1996, quando 21 trabalhadores rurais foram assassinatos em Eldorado de Carajás, no Pará.
João Paulo reconhece o trabalho do presidente Lula, que durante as mobilizações do MST anunciou a liberação de uma verba adicional de 1,7 bilhão de reais para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Mas ele afirma que, além de liberar os recursos, é preciso contratar servidores para o Incra e fazer um grande debate com o Judiciário para que o programa de Reforma Agrária avance, uma vez que a maioria das áreas em processo de desapropriação está parada nos tribunais.

Um balanço divulgado pelo Incra mostra que em 2003 foram assentadas 37 mil famílias, número 23% superior ao primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso. Já em 2004, foram decretadas desapropriações de 123 imóveis, totalizando 335.819 hectares.

De Brasília,
Rita Polli

 

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