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| Bahadian:
"Prazo limitado" |
O
co-presidente da Área de Livre
Comércio das Américas (Alca)
pelo lado brasileiro, Adhemar Bahadian,
disse nesta sexta-feira, depois de mais
uma reunião com um representante
americano para discutir a formação
do bloco, que as negociações
retrocederam.
"Eu
acreditava que a questão agrícola
já estava resolvida e que agora
só teríamos de tratar da propriedade
industrial. Mas na reunião de hoje
(sexta-feira), o lado americano reabriu
a questão agrícola, apresentando
elementos que nós consideramos
preocupantes", disse Bahadian, que
se encontrou com o co-presidente americano
da Alca, Peter Allgeier, em Washington.
Segundo o embaixador brasileiro, agora
que o problema dos subsídios — que sempre emperrou as conversas
— foi
resolvido, os Estados Unidos estão
tentando incluir no acordo uma "nova
linguagem" que na prática
eliminaria alguns produtos agrícolas
brasileiros das lista de itens
que terão isenção
tarifária no futuro.
"Nomes de produtos não foram
citados, mas com certeza inclui produtos
importantes para o Brasil, como o açúcar",
disse.
Impasse
Uma nova reunião está marcada
provisoriamente — ainda depende de aprovação
dos governo dos dois países — para
o dia 2 de junho.
Os 34 países que negociam a Alca
concordaram, em uma reunião em
Miami em novembro passado, que haveria
um pacote de compromisso mínimos,
ao qual todos os países teriam
de aderir, e a possibilidade de pactos
em separado para aqueles que quisessem
aprofundar aspectos específicos.
Mas quando os ministros se encontraram
três meses depois no México,
não houve acordo quanto ao modo
de implementação destas
regras.
O encontro desta sexta-feira foi a terceira
de uma série de reuniões
que busca criar condições
para a retomada das negociações
da Alca, que estão paradas desde
o impasse ocorrido na reunião ministerial
de Puebla, no México, em fevereiro.
Pelo que diz o embaixador Bahadian, a
estratégia ainda não deu
certo e o prazo de primeiro de janeiro
de 2005 para a conclusão das negociações
está cada vez mais em dúvida.
Tempo limitado
"Não posso descartar este
prazo porque ainda estamos trabalhando
por ele, mas também não
posso deixar de ver que o nosso tempo
está extremamente limitado",
disse o embaixador. Avaliação
semelhante é vista também
em declarações de autoridades
americanas.
Bahadian disse que a estratégia
de acordos bilaterais que está
sendo adotada pelos Estados Unidos está
complicando ainda mais as negociações
agrícolas com o Brasil.
"Os Estados Unidos assumem compromissos,
quando fecham estes acordos, que dificultam
a construção de um pacto
mais amplo."
O embaixador criticou também o
modo como os Estados Unidos estão
tratando as discussões da propriedade
industrial.
"A pirataria é um problema
que preocupa o Brasil e não só
devido às negociações
comerciais externas. Deve haver um acordo
comercial sobre propriedade industrial,
mas não tratar deste assunto como
uma investigação",
disse o diplomata.
Fonte:
BBC Brasil
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