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A Presidência da República,
por meio de sua Secretaria de Imprensa
e Divulgação (SID), condenou
a matéria publicada neste sábado
pelo jornal norte-americano The New
York Times, que vincula supostas
gafes e erros cometidos pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva a bebedeiras.
Segundo o secretário pessoal do
presidente, Gilberto Carvalho, a matéria,
escrita pelo correspondente do jornal
no Brasil, Larry Rohter, não
é jornalismo, é calúnia,
difamação, preconceito e
o assunto vai ser tratado nesses termos.
"Uma
matéria como essa é preconceito
puro. O governo brasileiro precisa tomar
uma medida dura contra uma notícia
como essa", disse Carvalho, muito
irritado. "Precisamos convidar esse
repórter para passar um dia com
o presidente para ver o quanto ele trabalha",
disse. Gilberto Carvalho foi companheiro
de Lula na diretoria do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Bernardo
e conhece de perto a carga de
preconceito
que o presidente tem enfrentado na sua
trajetória.
O
que está no artigo
O
título do artigo é "Hábito
de beber de Lula se torna preocupação
nacional". A Presidência informa
que pretende analisar, a partir de segunda-feira,
a possibilidade de entrar com uma ação
judicial.
O
texto de Rohter recorre a fontes que contrastam
vivamente com a respeitabilidade do mais
que sesquicentenário órgão
de imprensa nova-iorquino. Entre outras,
são citados os colunistas Diogo
Mainardi, autor do livro "Contra
o Brasil", e Cláudio Humberto,
que celebrizou-se pelo estilo "bateu,
levou" quando foi quando assessor
de imprensa de Fernando Collor.
Mas
o primeiro a ser citado é o presidente
do PDT, Leonel Brizola. O octogenário
ex-governador, hoje em colisão
frontal com o governo Lula, depois de
apoiá-lo no segundo turno e ao
fim de uma carreira política que
teve o nacionalismo como marca, foi, segundo
Rohter, "uma exceção",
pois outros "líderes políticos
e jornalistas" não se dispuseram
a falar-lhe sobre o tema. O sítio
do PDT, nas primeiras horas de hoje, não
continha registro sobre o tema, nem sobre
como Brizola encarou o uso de suas declarações
no diário estadunidense.
Antecedentes
do jornalismo à Rohter
O
jornalista Larry Rohter já teve
outros textos acusados de parcialidade
contra governantes de esquerda latino-americanos.
Seu artigo "Estalos de orientalismo",
também publicado no NYT
e tendo como personagem o presidente venezuelano
Hugo Chávez, também despertou
protestos. Um leitor, David Smilde, mesmo
apresentando-se como alguém que
"não suporta Chávez",
teve a pachorra de mostrar, frase por
frase, como Rohter "sutilmente distorceu
os fatos ou apresentou-os em tons que
fazem Chávez e seus partidários
parecerem emocionais, erráticos,
infantis, desrespeitosos e em gera incivilizados".
A
crítica de Smilde acha-se no endereço
eletrônico http://www-personal.umich.edu/~mmarteen/svs/lecturas/chavezsmilde.html.
Quem se der ao trabalho de lê-la
(em inglês) e fazer um cruzamento,
encontrará algumas chaves para
decifrar o tipo de jornalismo produzido
no artigo anti-Lula de Rother.
Apenas
nos últimos parágrafos surge
uma argumentação citando
"o outro lado", quando o articulista
cita o colunista Ali Kamel, do jornal
carioca O Globo: "Qualquer
um que já tenha estado em recepções
formais ou informais em Brasília
testemunhou presidentes bebericando uma
dose de uísque. Mas sobre o fato
nada leu a respeito dos outros presidentes,
somente de Lula. Isso cheira a preconceito."
Segundo
a SID, , que tem à frente o jornalista
Ricardo Kotscho, a revista dominical do
The New York Times deve publicar
reportagem especial sobre o presidente
Lula ainda este mês. O jornalista
Barry Bearak, vencedor do Prêmio
Pulitzer o principal do jornalismo
norte-americano entrevistou o presidente
e o acompanhou em uma viagem oficial.
O jornalista norte-americano também
circulou pelo País recolhendo informações
com parentes, amigos, correligionários
e companheiros da época de sindicato
para traçar um perfil do presidente.
Clique
aqui para ler a íntegra do artigo
questionado.
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