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Centenas de milhares de manifestantes
reuniram-se no National Mall no domingo
(25)
para apoiar o direito ao aborto e se opor
às políticas do governo Bush sobre as
questões de saúde reprodutiva das
mulheres.

A
imensa avenida do National Mall ficou tomada pela marcha rosa |
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Uma gigantesca manifestação pelo
direito de aborto tomou conta ontem do
centro da capital americana,
transformando-se num protesto contra o
presidente George W. Bush, e abrindo
espaço para que opositores democratas
pedissem votos para seu adversário na
campanha presidencial, o senador John Kerry — favorável ao direito de aborto,
embora católico.
Bush tenta agradar o eleitorado
conservador com leis retrógradas que
limitam os históricos direitos
reprodutivos conquistados pelas mulheres
norte-americanas, e democratas querem transformar
a questão num tema central da campanha
para as eleições de novembro.
Batizado de Marcha pela Vida das Mulheres,
o protesto reuniu no Mall, diante do
Capitólio (Congresso), centenas de
milhares de pessoas (na maioria mulheres)
que questionaram a decisão de Bush de
impedir o financiamento de programas de
planejamento familiar que admitam o
aborto, nos EUA e em outros países.
Segundo organizadores, a marcha reuniu um
milhão de pessoas, o que a tornaria o
maior protesto já ocorrido em Washington.
Em 1992, uma manifestação contra o aborto
atraiu cerca de 500 mil pessoas. Um
protesto contra a Guerra do Vietnã com 600
mil pessoas, em 1969, é considerada a
maior manifestação já ocorrida em
Washington.
Cerca de 1.400 grupos de 57 países e
americanos vindos de várias partes dos EUA
participaram da manifestação de ontem. Com
camisetas nas cores rosa e roxa, mulheres
ergueram cartazes com frases como “EUA,
fora do meu útero”, “Vasectomia para os
republicanos” e “Corra, Bush, corra — as
feministas estão chegando”. Desafiando
grupos anti-aborto apoiados pelo governo —
e que incluem movimentos radicais de
perseguição a médicos que dão assistência
a mulheres que querem fazer o aborto
— estudantes de medicina carregaram
cartazes em que anunciavam pertencerem à
nova geração de provedores de aborto.
Maggie Bartles de Bradenton, Flórida, e
Cami Campbell de San Diego, ambas com 11
anos de idade, estavam à frente de uma
multidão. As duas usavam camisetas rosas
com os dizeres "estudantes apóiam a
escolha". "Você deveria poder escolher o
que fazer com seu corpo", disse Campbell.
"Acho que deveríamos tirar Bush daqui",
acrescentou Bartles.
Quando a marcha seguia em direção à Casa
Branca, deparou-se com centenas de
manifestantes anti-aborto, que cantavam
hinos e exibiam fotos de fetos e cartazes
com frase como “Aborto mata bebês” e
“Kerry=Assassino de bebês”.
Hillary discursa e pede votos para John
Kerry
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Filha de
John Kerry (e.) conversa com a senadora Hillary Clinton durante a marcha;
abaixo, as atrizes Whoopi Goldberg (d.) e Christine Lahti (e.)
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Embora o protesto não fosse partidário —
contando inclusive com adesão do movimento
Republicanos pela Escolha — os discursos
tiveram como maior alvo o presidente Bush. A
senadora Hillary Clinton aproveitou para
pedir votos para Kerry.
— "Não tivemos que fazer passeatas durante
12 anos porque tivemos um governo que
respeitava os direitos das mulheres. A
única maneira de evitar novas e repetidas
marchas é elegendo John Kerry presidente.",
disse a mulher do ex-presidente Bill
Clinton.
Hillary foi um dos muitos oradores que
consideraram o protesto apenas o começo de
uma mobilização política que vai se
ampliar ao longo do ano. Segundo ela,
aquela era uma marcha “não apenas pela
vida das mulheres, mas para levar energia
à eleição de novembro”.
— "Qualquer mulher que vier marchar hoje e
não registrar seu voto estará perdendo o
seu tempo e o nosso.", disse Hillary.
A marcha aconteceu após derrotas de grupos
pró-aborto. No início do mês, Bush aprovou
uma lei que dá ao feto status jurídico, de
modo que, no caso de assassinato de uma
mulher grávida, o criminoso poderia ser
acusado de duplo homicídio. Os grupos
anti-aborto consideraram a medida um passo
para criminalizar o aborto. No final do
ano passado, Bush aprovou uma lei que
proíbe o aborto em fase tardia de
gravidez. Além disso, nenhum financiamento
norte-americano pode ser atualmente usado
por qualquer agência de planejamento
familiar que sugira aborto aos pacientes. Durante a última manifestação
anual de grupos anti-aborto, em janeiro, o
presidente afirmou que eles lutavam por
“uma causa nobre”.
Uniram-se à passeata Madeleine Albright,
secretária de Estado no governo Clinton, e
estrelas de Hollywood como Susan Sarandon,
Ashley Judd, Kathleen Turner, Cybill
Shepherd e Whoopi Goldberg (foto), ela própria
uma das organizadoras do evento. Exibindo
um cabide (símbolo de abortos ilegais), Whoopi disse à multidão:
— "Estamos a um voto de voltar a isto!"
O aborto foi legalizado nos EUA em 1973,
com uma histórica sentença da Suprema
Corte.
Nem Bush nem Kerry estavam em Washington.
Karen Hughes, assessora de Bush, foi ontem
à TV CNN para elogiar as ações do
presidente para as mulheres e dizer que
ele emprega mais mulheres em funções
elevadas do governo do que qualquer outro
presidente. Karen afirmou ainda que os
ativistas pró-aborto estão agindo contra
uma tendência de valorização da vida
fortalecida no país com os atentados do 11
de Setembro.
— Acho que depois do 11 de Setembro os
americanos estão valorizando mais a vida e
precisamos de políticas para valorizar a
dignidade e a riqueza de cada vida — disse
ela. — O presidente Bush tem trabalhado
para dizer “vamos trabalhar para valorizar
a vida, reduzir o número de abortos e
incentivar adoções”. E eu acho que estas
são políticas que os americanos podem
apoiar, particularmente num momento em que
enfrentamos um inimigo e, realmente, a
questão fundamental entre nós e a rede
terrorista contra a qual lutamos é que
valorizamos cada vida.
Kerry desafia o Vaticano
O candidato democrata à Presidência dos
Estados Unidos, John Kerry, comungou
durante uma missa no sábado, na igreja
católica que freqüenta habitualmente, a
Igreja de São Paulo, em Boston, apesar da
oposição manifestada pelo Vaticano. Na
sexta-feira, o cardeal nigeriano Francis
Arinze — várias vezes apontado como
possível sucessor do Papa João Paulo II —
disse que políticos católicos que defendem
o aborto “não estão aptos à comunhão”.
As posições de Kerry — favorável ao aborto
e a pesquisas biológicas de ponta, como
aquelas realizadas com células-tronco de
embriões, condenadas pelo Vaticano — têm
preocupado bispos católicos americanos e
ameaçado um possível apoio ao candidato.
Embora não tenha ido à passeata de ontem
em Washington, Kerry reuniu-se com as
organizadoras do movimento. Na reunião, o
senador ratificou sua posição a favor do
direito ao aborto.
O porta-voz da Arquidiocese de Boston,
Christopher Coyne, disse que o distrito
“não nega a comunhão a ninguém”. Ele
contou que havia contatado os
responsáveis pela igreja para garantir que
não haveria qualquer problema com a
comunhão de Kerry. Dezenas de jornalistas
acompanharam a missa.
A Igreja de São Paulo de Boston, que Kerry
freqüenta, é muito mais progressista do
que o Vaticano. Recebe habitualmente
casais homossexuais e divorciados — o
próprio Kerry separou-se de sua primeira
mulher e é casado pela segunda vez.
Clique
aqui
para ver fotos da manifestação
(galeria do site Yahoo.com)
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