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1º Encontro sobre Questões de Partido
Encontro defendeu a unidade e a política justa, para forjar
partido de aço
PCdoB trabalha para ser um partido
comunista de massas
por Bernardo Joffily, de Brasília
colaborou Carlos Pompe

O 1º Encontro Nacional do PCdoB sobre Questões de Partido,
realizado de 5 a 7 de março, em Brasília, reuniu cerca de
300 quadros comunistas, vindos de todos os Estados. Os
ministros comunistas Aldo Rebelo (Coordenação Política) e
Agnelo Queiroz (Esporte) acompanharam os debates, e Trajano
Jardim, do Comitê Central do PCB, participou como observador
convidado.
Na abertura, foi homenageado o 82º
aniversário do Partido, que transcorre no próximo dia 25. E
dedicado comovido minuto de silêncio à memória dos
guerrilheiros do Araguaia (1972/1974), militantes do PCdoB
que deram a vida na luta contra a ditadura. Renato Rabelo, o
presidente do PCdoB, abordou os vínculos entre a política e
a estruturação do Partido (veja na página 4).
Walter Sorrentino, secretário de
Organização, fez a fundamentação do documento base do
Encontro — "Um partido comunista de massas, estruturado
pelas bases, sobretudo entre os trabalhadores, unido e coeso
a partir de direções consolidadas em especial nos maiores
municípios, com intenso protagonismo político na luta dos
trabalhadores e do povo". Segundo ele, é necessário "colocar
no escopo do PCdoB o seu fortalecimento organizativo e
enfrentar pressões rebaixadoras, sob pena de o Partido não
ter pernas para se mover na nova realidade". Ele apresentou
o conteúdo do documento e pôs em relevo alguns dos seus
elementos, como a proposta de dotar o PCdoB de uma linha de
construção de hegemonia política, a defesa de um projeto
político próprio e o mergulho nos movimentos de massas.
Sorrentino também apresentou as emendas ao
documento base, propostas pela Comissão de Organização a
partir dos debates ocorridos nos Estados. Entre elas, a
introdução de uma referência à construção do PCdoB entre os
trabalhadores do campo – o Brasil é um dos países do
Ocidente com maior contingente de trabalhadores agrícolas.
Na parte final de sua intervenção, previu
que, para o Partido funcionar tendo como eixo as
Organizações de Base, "vai ser necessária uma pequena
revolução interna no PCdoB".
Ainda na abertura do Encontro, Adalberto
Monteiro, secretário de Formação e Propaganda do Comitê
Central, fez uma intervenção especial sobre o trabalho de
fortalecimento da perspectiva militante.
Na fase dos debates, mais de 80 pessoas se
inscreveram e falaram. Ponto muito destacado foi o do
vínculo entre a estruturação de um forte partido comunista
de massas e a defesa do caráter revolucionário e da proposta
programática socialista do PCdoB, combatendo as tendências
rebaixadoras e taticistas.
Para Renato Rabelo, é preciso criar o arsenal político,
teórico e organizativo para a atualidade e garantir o papel
revolucionário do PCdoB.
No último dia, duas intervenções especiais marcaram os
trabalhos. A vice-presidente do PCdoB, deputada estadual de
Minas, Jô Moraes, saudou o Dia Internacional das Mulheres, 8
de março, e afirmou: “Não se deve subestimar as dificuldades
objetivas que impactam o exercício da militância das
mulheres, dificuldades essas que precisam ter respostas
concretas das direções partidárias. Quanto mais se exacerbou
o modelo neoliberal, cuja herança perversa ainda é parte do
sofrimento do povo, mais se ampliaram essas dificuldades,
assumindo contornos dramáticos na parcela mais pobre da
população feminina. As mulheres têm uma sobrecarga de
trabalho que inviabiliza, muitas vezes, sua ação militante,
independente de sua vontade. Os cuidados com os filhos
menores, os afazeres domésticos, a responsabilidade com os
doentes da casa, a pouca preparação para o exercício da ação
pública são fatores que dificultam sua contribuição.
Junte-se a isso as características psicológicas que a
sociedade capitalista lhes legou: o sentimento de culpa
frente o não cumprimento de suas ‘funções específicas’, a
insegurança pessoal, a baixa auto-estima”. Para ela, “ser
militante, comunista e mulher que ainda tem de enfrentar as
algemas da opressão de gênero é tentar alcançar o vôo das
águias”.
João Batista Lemos, secretário Sindical do
Partido e coordenador da Corrente Sindical Classista, propôs
realizar “um 2o Encontro Nacional de Questões de Partido,
para 2005, tendo por tema a estruturação e o fortalecimento
do PCdoB entre os trabalhadores brasileiros, com ênfase no
operariado. Deste modo, estaremos dando continuidade aos
trabalhos, debates e resoluções da 1º Conferência Sindical
Nacional, realizada em junho de 2001, do 10º Congresso do
Partido, ocorrido em dezembro de 2001. Desde então,
avançamos na compreensão teórica da conceituação marxista
sobre o proletariado, crescemos entre os assalariados,
ampliamos nossa influência no movimento sindical e
desencadeamos uma luta de concepção no interior do nosso
Partido sobre o papel central do proletariado no projeto
político dos comunistas e a necessidade de reafirmar e
fortalecer na prática o caráter de classe do Partido, como
vemos expresso no documento deste 1º Encontro Nacional de
Questões de Partido”.
O Encontro foi encerrado com a aprovação
dos objetivos, metas e projetos do 5º Plano de Estruturação
Partidária. Com duração bienal, o 5º PEP
vai até o 11º Congresso do PCdoB, previsto para 2005.
Encerrando os trabalhos, Renato Rabelo,
presidente do PCdoB, lembrou que a 9ª Conferência do Partido
lançou as bases da nova política partidária. “Agora é
necessário criar o arsenal político, teórico e organizativo
para a atualidade e garantir o papel revolucionário do
PCdoB. Desenvolver a teoria revolucionária é o nosso
desafio, porque uma nova vaga revolucionária, cedo ou tarde
virá”, afirmou. Ele lembrou que o encontro desenvolveu três
conceitos, o da hegemonia, o da originalidade do Partido,
com as características do nosso país, e o tamanho necessário
do partido, de massa, condizente com tamanho da população
brasileira. “São conceitos importantes para a fase atual”,
disse. “Filiar é importante, pois o Partido cresce. Mas o
grande desafio é como estruturar e como organizar esse
contingente de filiados. Um partido grande e organizado,
este o desafio presente”.
Para Renato, “a teoria revolucionária de
hoje não é igual à do início do século passado. Vamos abrir
as mentes. Somos agentes desse movimento revolucionário,
socialista”.
Ele lembrou que o Partido tem um embate
político importante neste ano, que são as eleições
municipais: “Temos condições de eleger prefeitos, inclusive
de capitais, e triplicar o número de vereadores. Nosso
objetivo é crescer o Partido e trabalhar pela vitória da
base de sustentação do governo Lula, fortalecer o nosso
campo. Nosso Partido está com uma democracia interna mais
ampla e deve estar unido para enfrentar os desafios. Sem
unidade, o partido vira mingau. E o Partido Comunista tem
que ser de aço. Viva o Partido Comunista do Brasil!”

Documento final do Encontro
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