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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

9 de MARÇO de 2004

1º Encontro sobre Questões de Partido
Encontro defendeu a unidade e a política justa, para forjar partido de aço

PCdoB trabalha para ser um partido comunista de massas


por Bernardo Joffily, de Brasília
colaborou Carlos Pompe



O 1º Encontro Nacional do PCdoB sobre Questões de Partido, realizado de 5 a 7 de março, em Brasília, reuniu cerca de 300 quadros comunistas, vindos de todos os Estados. Os ministros comunistas Aldo Rebelo (Coordenação Política) e Agnelo Queiroz (Esporte) acompanharam os debates, e Trajano Jardim, do Comitê Central do PCB, participou como observador convidado.

Na abertura, foi homenageado o 82º aniversário do Partido, que transcorre no próximo dia 25. E dedicado comovido minuto de silêncio à memória dos guerrilheiros do Araguaia (1972/1974), militantes do PCdoB que deram a vida na luta contra a ditadura. Renato Rabelo, o presidente do PCdoB, abordou os vínculos entre a política e a estruturação do Partido (veja na página 4).

Walter Sorrentino, secretário de Organização, fez a fundamentação do documento base do Encontro — "Um partido comunista de massas, estruturado pelas bases, sobretudo entre os trabalhadores, unido e coeso a partir de direções consolidadas em especial nos maiores municípios, com intenso protagonismo político na luta dos trabalhadores e do povo". Segundo ele, é necessário "colocar no escopo do PCdoB o seu fortalecimento organizativo e enfrentar pressões rebaixadoras, sob pena de o Partido não ter pernas para se mover na nova realidade". Ele apresentou o conteúdo do documento e pôs em relevo alguns dos seus elementos, como a proposta de dotar o PCdoB de uma linha de construção de hegemonia política, a defesa de um projeto político próprio e o mergulho nos movimentos de massas.

Sorrentino também apresentou as emendas ao documento base, propostas pela Comissão de Organização a partir dos debates ocorridos nos Estados. Entre elas, a introdução de uma referência à construção do PCdoB entre os trabalhadores do campo – o Brasil é um dos países do Ocidente com maior contingente de trabalhadores agrícolas.

Na parte final de sua intervenção, previu que, para o Partido funcionar tendo como eixo as Organizações de Base, "vai ser necessária uma pequena revolução interna no PCdoB".

Ainda na abertura do Encontro, Adalberto Monteiro, secretário de Formação e Propaganda do Comitê Central, fez uma intervenção especial sobre o trabalho de fortalecimento da perspectiva militante.

Na fase dos debates, mais de 80 pessoas se inscreveram e falaram. Ponto muito destacado foi o do vínculo entre a estruturação de um forte partido comunista de massas e a defesa do caráter revolucionário e da proposta programática socialista do PCdoB, combatendo as tendências rebaixadoras e taticistas.

Para Renato Rabelo, é preciso criar o arsenal político, teórico e organizativo para a atualidade e garantir o papel revolucionário do PCdoB.

No último dia, duas intervenções especiais marcaram os trabalhos. A vice-presidente do PCdoB, deputada estadual de Minas, Jô Moraes, saudou o Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, e afirmou: “Não se deve subestimar as dificuldades objetivas que impactam o exercício da militância das mulheres, dificuldades essas que precisam ter respostas concretas das direções partidárias. Quanto mais se exacerbou o modelo neoliberal, cuja herança perversa ainda é parte do sofrimento do povo, mais se ampliaram essas dificuldades, assumindo contornos dramáticos na parcela mais pobre da população feminina. As mulheres têm uma sobrecarga de trabalho que inviabiliza, muitas vezes, sua ação militante, independente de sua vontade. Os cuidados com os filhos menores, os afazeres domésticos, a responsabilidade com os doentes da casa, a pouca preparação para o exercício da ação pública são fatores que dificultam sua contribuição. Junte-se a isso as características psicológicas que a sociedade capitalista lhes legou: o sentimento de culpa frente o não cumprimento de suas ‘funções específicas’, a insegurança pessoal, a baixa auto-estima”. Para ela, “ser militante, comunista e mulher que ainda tem de enfrentar as algemas da opressão de gênero é tentar alcançar o vôo das águias”.

João Batista Lemos, secretário Sindical do Partido e coordenador da Corrente Sindical Classista, propôs realizar “um 2o Encontro Nacional de Questões de Partido, para 2005, tendo por tema a estruturação e o fortalecimento do PCdoB entre os trabalhadores brasileiros, com ênfase no operariado. Deste modo, estaremos dando continuidade aos trabalhos, debates e resoluções da 1º Conferência Sindical Nacional, realizada em junho de 2001, do 10º Congresso do Partido, ocorrido em dezembro de 2001. Desde então, avançamos na compreensão teórica da conceituação marxista sobre o proletariado, crescemos entre os assalariados, ampliamos nossa influência no movimento sindical e desencadeamos uma luta de concepção no interior do nosso Partido sobre o papel central do proletariado no projeto político dos comunistas e a necessidade de reafirmar e fortalecer na prática o caráter de classe do Partido, como vemos expresso no documento deste 1º Encontro Nacional de Questões de Partido”.

O Encontro foi encerrado com a aprovação dos objetivos, metas e projetos do 5º Plano de Estruturação Partidária. Com duração bienal, o 5º PEP vai até o 11º Congresso do PCdoB, previsto para 2005.

Encerrando os trabalhos, Renato Rabelo, presidente do PCdoB, lembrou que a 9ª Conferência do Partido lançou as bases da nova política partidária. “Agora é necessário criar o arsenal político, teórico e organizativo para a atualidade e garantir o papel revolucionário do PCdoB. Desenvolver a teoria revolucionária é o nosso desafio, porque uma nova vaga revolucionária, cedo ou tarde virá”, afirmou. Ele lembrou que o encontro desenvolveu três conceitos, o da hegemonia, o da originalidade do Partido, com as características do nosso país, e o tamanho necessário do partido, de massa, condizente com tamanho da população brasileira. “São conceitos importantes para a fase atual”, disse. “Filiar é importante, pois o Partido cresce. Mas o grande desafio é como estruturar e como organizar esse contingente de filiados. Um partido grande e organizado, este o desafio presente”.

Para Renato, “a teoria revolucionária de hoje não é igual à do início do século passado. Vamos abrir as mentes. Somos agentes desse movimento revolucionário, socialista”.

Ele lembrou que o Partido tem um embate político importante neste ano, que são as eleições municipais: “Temos condições de eleger prefeitos, inclusive de capitais, e triplicar o número de vereadores. Nosso objetivo é crescer o Partido e trabalhar pela vitória da base de sustentação do governo Lula, fortalecer o nosso campo. Nosso Partido está com uma democracia interna mais ampla e deve estar unido para enfrentar os desafios. Sem unidade, o partido vira mingau. E o Partido Comunista tem que ser de aço. Viva o Partido Comunista do Brasil!”

  Documento final do Encontro

 

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