|
1º Encontro sobre Questões de Partido
Trabalho com operariado deve ser a ênfase do 2º Encontro
Nacional sobre Questões de Partido
João Batista Lemos *
Propomos organizar um 2o Encontro Nacional de Questões de
Partido, para 2005, tendo por tema a estruturação e o
fortalecimento do PCdoB entre os trabalhadores brasileiros,
com ênfase no operariado. Deste modo, estaremos dando
continuidade aos trabalhos, debates e resoluções da 1º
Conferência Sindical Nacional, realizada em junho de 2001,
do 10º Congresso do Partido, ocorrido em dezembro de 2001.
Desde então, avançamos na compreensão teórica da
conceituação marxista sobre o proletariado, crescemos entre
os assalariados, ampliamos nossa influência no movimento
sindical e desencadeamos uma luta de concepção no interior
do nosso Partido sobre o papel central do proletariado no
projeto político dos comunistas e a necessidade de reafirmar
e fortalecer na prática o caráter de classe do Partido, como
vemos expresso no documento deste 1º Encontro Nacional de
Questões de Partido.
A organização entre os trabalhadores e trabalhadoras e a
conquista da hegemonia ideológica e política no proletariado
constituem desafios e objetivos estratégicos e permanentes
do Partido Comunista, que devem ser compreendidos e
perseguidos à luz das condições objetivas e das
particularidades decorrentes da conjuntura política. Estamos
diante de um novo cenário da luta de classes em nosso país,
aberto pelo governo Lula, primeiro presidente brasileiro de
origem operária. Vivemos um momento ímpar na História do
Brasil, com um governo liderado pelo Partido dos
Trabalhadores e a destacada participação do PCdoB. A
correlação de forças na sociedade vem sendo alterada a nosso
favor, as condições de luta dos trabalhadores e
trabalhadoras melhoraram e temos boas possibilidades de
crescer no proletariado e caminhar no rumo das mudanças mais
profundas que o povo e a nação brasileira reclamam. Todavia,
o novo ambiente político não é desprovido de contradições e
perigos. A realidade do capitalismo é crítica em todo o
mundo e as coisas não são diferentes por aqui, onde ainda
prevalece a predominância do capital financeiro.
Transformar em realidade as possibilidades de crescimento do
nosso Partido no proletariado e ajudar a abrir caminho para
as mudanças são desafios que não dependem somente de boas
intenções. Exige esforços e medidas efetivas que
compreendam, entre outras coisas:
a) A elaboração de um plano estratégico de construção
partidária no proletariado, priorizando os centros mais
dinâmicos da luta de classes, bem como definindo objetivos
concretos para ramos e empresas estratégicas da economia
nacional;
b) Um conhecimento mais profundo sobre o
proletariado brasileiro, o que pensa, o que anseia, onde
trabalha, onde mora, etc:
c) Sistematizar as lições das experiências
recentes e históricas do trabalho do Partido entre os
trabalhadores.
Devemos eleger como objetivo a implantação de células
comunistas nas grandes empresas instaladas em nosso país e
nos ramos econômicos mais dinâmicos e estratégicos. É também
necessário conferir maior ênfase ao trabalho no campo. Ao
mesmo tempo, o desenvolvimento da nossa teoria sobre o
proletariado, orientada pelas concepções marxistas, deve ter
por base e fundamento a realidade concreta dos milhões de
brasileiros (as) oprimidos (as) e explorados (as) pelo
capital, empregados (as) no mercado formal, precarizados
(as), aposentados (as) ou desempregados (as).
Quanto à experiência histórica, nosso Partido viveu diversas
fases e experiências ao longo de sua rica história, cabendo
destacar a luta contra o revisionismo nos finais da década
de 50, que culminou com a reorganização em 1962, período em
que nos ligamos mais ideologicamente com a classe, mas ao
mesmo tempo nos distanciamos organicamente, uma vez que
praticamente todo trabalho e influência no meio sindical
ficou com o antigo "Partidão". A luta de resistência contra
o regime militar, empreendida em condições adversas, também
contribuiu para nos deslocar dos grandes centros operários e
das grandes empresas, mas a política de frente ampla de
oposição abriu condições para o crescimento da luta dos
trabalhadores, desdobrando-se na retomada do movimento
grevista no final dos anos 70 do século passado, realização
da 1º Conferência das Classes Trabalhadoras em 1981,
fundação do Partido dos Trabalhadores em 1980, legalização
do Partido Comunista do Brasil em 1985 e aprovação de uma
nova Constituição em 1988.
Fatos como o estabelecimento da aliança entre PCdoB e PT em
1989, o ingresso da CSC na CUT, a luta contra o
neoliberalismo nos anos 90 até a eleição de Lula, ampliaram
e fortaleceram a inserção dos comunistas no proletariado e
no sindicalismo brasileiro, apesar da crise do marxismo e do
colapso da URSS e da derrota histórica do chamado
"socialismo real" terem inaugurado um período histórico
duro, de defensismo estratégico e avanço implacável da
ideologia e das políticas neoliberais, impostas pelo
imperialismo. Temos muito a aprender com os erros e acertos
cometidos nessas experiências históricas, das quais devemos
extrair lições que poderão nos trazer boas indicações para a
luta política e sindical do presente. Já sabemos que quando
estamos bem situados no leito real da luta política e de
classes ampliamos nossa organização e influência política no
proletariado, ao passo que quando estamos deslocados ou à
margem do curso da luta perdemos posições e retrocedemos.
Precisamos entender melhor a relação dialética entre partido
de ação política e partido de classe, de forma a nos
situarmos melhor política e ideologicamente diante da nova
realidade criada com a vitória das forças de esquerda em
2002 e os desafios que emergem com o novo governo. Debatemos
e extraímos orientações práticas e estratégicas da 9º
Conferência do PCdoB, que se realizou em julho de 2003.
Caberá ao 2º Encontro aprofundar a compreensão sobre o papel
e a centralidade do proletariado na luta pela mudança de
rumo e um novo projeto nacional de desenvolvimento, fundado
na crescente afirmação da soberania nacional e na
valorização do trabalho.
Devemos conceber a valorização da força de trabalho como a
fonte (potencial) do desenvolvimento nacional, pois como
sugere a Lei do Valor, adotada e posteriormente desenvolvida
por Karl Marx, o trabalho é o principal fator da produção, a
força motriz que agrega valor às mercadorias, que gera a
riqueza social, que impulsiona o crescimento econômico. Será
através do emprego da energia produtiva, hoje
desaproveitada, dos milhões de desempregados e desempregadas
brasileiras, que a nação logrará sair do pântano da
estagnação e da lógica perversa das décadas perdidas. Sem
aumentar substancialmente o nível de emprego, a retomada do
crescimento sustentado não passará de um sonho.
A valorização do trabalho, ao proporcionar uma distribuição
mais justa da renda nacional (revertendo o declínio da massa
salarial e da participação relativa dos salários no PIB),
revela-se também o principal e mais eficiente meio de
fortalecer o mercado interno, ampliar o consumo popular e
contornar a crise já crônica de superprodução. Sem o
fortalecimento do mercado interno também não se poderá falar
com seriedade na inauguração de um novo (e duradouro) ciclo
de crescimento, a economia nacional continuará condenada aos
que os economistas estão denominando de vôo de galinha.
A crise do neoliberalismo sugere em primeiro lugar que os
interesses do capital financeiro não condizem com o
desenvolvimento nacional e ainda que, em contrapartida, os
interesses e as reivindicações do proletariado podem
promover o progresso das forças produtivas, das quais o
componente mais dinâmico e relevante é precisamente a força
de trabalho. Em poucas palavras, a valorização do trabalho
(com destaque para a elevação do nível de emprego)
transformou-se objetivamente em condição para o crescimento
econômico. Uma harmonia maior das relações de produção com o
avanço das forças produtivas, indispensável para o
desenvolvimento, pressupõe agora a valorização da força de
trabalho.
Mais que qualquer outra força política, o nosso Partido
Comunista, que carrega do berço o compromisso histórico com
a emancipação do proletariado, deve procurar desenvolver a
compreensão sobre a relação entre valorização do trabalho e
o desenvolvimento na atualidade. O proletariado é a um só
tempo a classe social destinada a protagonizar a luta do
povo brasileiro pela mudança e a força motriz do
desenvolvimento, empregando sua capacidade de trabalho e
inteligência técnica e científica para o crescimento da
produção. As reivindicações históricas dos trabalhadores e
trabalhadoras sinalizam o caminho do progresso e apontam
espontaneamente para a mudança social, descortinando a
perspectiva de superação do sistema capitalista e da
exploração do homem pelo homem e preconizando um futuro
socialista.
Neste contexto, torna-se indispensável elaborar o plano
estratégico de estruturação do Partido entre os
trabalhadores e trabalhadoras, direcionando seu crescimento
aos centros vitais da luta de classes e adotando neste rumo
medidas concretas, políticas e materiais, na luta sindical,
na formação de quadros, na propaganda e nas diversas frentes
de atuação partidária, como já foi assinalado pela 1a
Conferencia Sindical Nacional.
Camaradas: Podemos e devemos preparar o 2o Encontro durante
o processo eleitoral deste ano sem negligenciar a
importância desta grande batalha política que pode alterar a
nosso favor a correlação de forças políticas e criar
melhores condições para a mudança de rumo preconizada pela
9º Conferência do PCdoB. Finalizo transmitindo aos camaradas
calorosas saudações revolucionárias!
*João Batista Lemos, operário metalúrgico,
Secretário Sindical Nacional do PCdoB.
|