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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

9 de MARÇO de 2004

1º Encontro sobre Questões de Partido
Partido Comunista de massas requer sólido e amplo trabalho ideológico



Adalberto Monteiro *

Camaradas:

De onde nos encontramos, e ao olhar pelo túnel da espiral que a trajetória da história descreve, percebemos com nitidez quanto é complexa a construção do nosso Partido Comunista e, simultaneamente, quão imprescindível ele é à emancipação nacional e social dos trabalhadores. É uma tarefa que adquiriu um sentido épico e, talvez, entre todas, seja a mais revolucionária e desafiadora. Daí a pertinácia do proletariado em edificá-lo. Não se lançar a essa obra – ficou-lhe patente em mais de século e meio de jornada libertadora –, seria renunciar ao seu papel histórico de libertar a si e a humanidade.

Falar em socialismo, em comunismo ou mesmo, nos dias atuais, em soberania nacional, paz e direitos dos trabalhadores, sem uma conseqüente determinação de se construir um Partido Comunista à altura de tal projeto histórico, equivale ao navegante que fala em atravessar o oceano sem, contudo, se dedicar à construção de uma nau com o calado apropriado para enfrentar a fúria dos mares.

A construção dessa nau de que necessita o proletariado é um processo complexo que abarca teoria, política, ideologia, organização, base material e financeira, tudo isso canalizado à jornada emancipadora que se compõe de lutas políticas, teóricas e econômicas.

Neste Encontro nos cabe sublinhar um dos aspectos dessa edificação: a seção que no nosso “estaleiro” assumiu o nome de “construção ideológica”.

João Amazonas, grande ideólogo e construtor do Partido Comunista do Brasil apresenta-nos uma fecunda apreciação sobre o trabalho teórico e ideológico:

“Mas o coletivo partidário somente desempenha a função que lhe cabe nas decisões fundamentais no momento em que teórica e politicamente estiver à altura das circunstâncias. Isso exige a educação permanente dos comunistas, o constante trabalho ideológico nas fileiras da organização de vanguarda. Engels demandava dos militantes socialistas um alto grau de consciência, vontade férrea e energia revolucionária. Comunista sem energia e vontade de vencer, pobre de conhecimentos teóricos, ajuda muito pouco a causa do socialismo. Essas qualidades não nascem com o indivíduo, são forjadas na luta, adquiridas também no centro de preparação de quadros, nas escolas do Partido. Lênin afirmava que ‘não pode haver um forte partido socialista sem uma teoria revolucionária que agrupe a todos os socialistas’. Vale lembrar que no Manifesto do Partido Comunista, de Marx, aparecem juntos, interligados, a teoria e o Partido em ação”.

Ao longo de seus 82 anos, o Partido tem no seu grau de amadurecimento teórico e ideológico um fator determinante à sua própria existência. Para fazer nascer o seu Partido em 25 de março de 1922, nós comunistas travamos um debate teórico e político com o anarquismo que à época era muito influente no movimento operário. Por sua vez, a reorganização em 18 de fevereiro de 62, que assegurou a continuidade na senda revolucionária, foi decorrente de um longo itinerário de luta teórica e ideológica.

Outro grande feito, nessa mesma esfera, foi – em meio ao furacão anticomunista que varreu o mundo no triênio 1989-91 –, a realização vitoriosa de seu 8º Congresso, que reafirmou o socialismo em bases novas e defendeu o marxismo como uma teoria avançada e indispensável à luta transformadora, indicando, todavia, a grande tarefa de desenvolvê-lo e libertá-lo do dogmatismo. Nesse episódio também a capacitação teórica e ideológica dos seus dirigentes e militantes foi decisiva ao enfrentamento vitorioso contra a grande vaga contra-revolucionária. Não nos esqueçamos de que esse tremor de terra reduziu a poeira inúmeros partidos comunistas outrora gloriosos.

Vitalidade e degenerescência, distintos fenômenos que podem eclodir num partido revolucionário a depender em grande medida da sua saúde ideológica e teórica. Aliás, uma das grandes lições dessa derrota histórica do proletariado é a de que nenhum partido está imune à degenerescência.

Agora, no presente e no futuro imediato, a questão que se coloca é o papel do trabalho ideológico no âmbito da possibilidade e do desafio de o PCdoB tornar-se um grande e influente Partido, um Partido Comunista de massas. Fenômeno que começa a se gestar uma vez que já chegamos a um total de 200 mil filiados. Mas esse porte maior que se está a perseguir é apenas um dos atributos de um conjunto de tantas outras qualidades que dele se exige na disputa da hegemonia entre as forças avançadas.

A dialética marxista nos indica que a quantidade, sob o ângulo dos processos históricos, age tanto no sentido de a qualidade dar saltos para adiante quanto de provocar retrocessos. Lançamo-nos a essa empreitada – a construção de um Partido Comunista de Massas –, como parte de um movimento que reforça sua essência revolucionária e, melhor, o credencia à disputa da hegemonia. Ocorre que isso não é um processo automático e isento de riscos. A expansão quantitativa de filiados é um fato em si positivo e promissor, mas sem o tratamento adequado pode tal expansão não se consolidar ou, no extremo, se tornar um fenômeno negativo.

A política revolucionária, a história, os vínculos com o movimento social, o papel que desempenhou na vitória da Frente Lula Presidente, a visibilidade e o lugar que passou a ocupar no cenário político desde a posse do novo governo atraíram milhares de novos filiados ao PCdoB. Esses milhares de novos aderentes reforçam o Partido de maneiras diversas. Rejuvenescem-no, enriquecem-no de prestígio, inteligência e diversidade. Ao atrair às suas fileiras uma quantidade maior de pessoas do povo, dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, da intelectualidade, ao se espraiar para diferentes regiões do país, o Partido se torna, assim por dizer, mais brasileiro, passa a se alimentar mais intensamente da riqueza política e cultural do povo brasileiro.

Obviamente, esses milhares se filiam com a expectativa de que progressivamente o Partido lhes ofereça uma formação teórica e uma consciência política mais elevada. Aspiram, também – até pelo fato de o Partido ser possuidor de uma mística ímpar, derivada de uma história heróica de mais de 80 anos –, encontrar um ambiente político sadio, regido pela unidade, pelo companheirismo e por valores culturais e éticos elevados. Em suma, ao se filiarem, nos dizem: “queremos fortalecer com a humildade de nossas limitações o PCdoB, mas esperamos também que o Partido nos ofereça oportunidades para crescermos enquanto pessoas e enquanto militantes, como agentes de construção de um país e mundo novos”.

Se isso não se efetiva, o filiado se decepciona e, muitas vezes, uma vez frustrado, desiste de ser um dos nossos. A educação teórica e ideológica é, pois, um direito do filiado e um dever do Partido. Antes de um dever essa questão é uma necessidade imperiosa. Refere à própria essência do Partido. Se isso não é feito, ele corre o risco de se tornar um ajuntamento de pessoas motivadas e agregadas tão somente pelos estreitos horizontes da luta espontânea.

O PCdoB, ao perceber que a realidade está a lhe proporcionar essa singular e inédita expansão, tem se esforçado para que ela se dê por um processo consciente e dirigido. A realização deste Encontro é o coroamento de um processo prático, político e teórico de se edificar esse Partido maior e mais influente. É a reflexão coletiva, a busca de generalizações teóricas e de elaboração de diretivas à estruturação partidária a partir de uma prática, de um fazer que está em pleno curso. Metaforicamente, é como se operários, engenheiros, arquitetos parassem por uns dois dias o levantar de um edifício para refletir o estágio concreto da obra, examinar possíveis erros, ou necessários ajustes, no sentido de realizá-la melhor.

Por isso, o que se tem no horizonte é a possibilidade de um grande salto. É imperativo agir para que ele de fato se dê e desde já entender que o atual ritmo e qualidade de produção não bastam. É preciso uma nova escala de produção em todas as instâncias, em todas as frentes. O trabalho ideológico deve, com múltiplos instrumentos e formas, dar respostas inovadoras às necessidades crescentes.

Pode se imaginar, do ponto de vista da acumulação de forças, que – digamos dentro de um ou dois qüinqüênios, através de um continuado e planejado trabalho de formação teórica e ideológica –, venhamos, em níveis e gradações diferenciadas, a disseminar o marxismo entre duzentos, trezentos mil militantes. Por um lado, um coletivo esclarecido, motivado, consciente, sempre sedento de aprender mais e mais; por outro, fruto disso, às centenas e centenas vão surgir quadros partidários capacitados, homens e mulheres de ciência e combate e, entre estes, como ocorre no processo do conhecimento, vão ser lapidados preciosos talentos.

Informar e formar milhares e milhares – um coletivo de uma formação educacional, cultural e teórica muito diversa e variada, oriundo também de diferentes classes sociais, de distintas camadas do povo brasileiro. Consciente da complexidade dessa tarefa, o 10o Congresso determinou, e a 9a Conferência reafirmou, o relançamento da Escola Nacional do Partido.

Estamos a reconstruí-la sob a concepção de que ela existirá a partir de uma coordenação nacional interligada a uma rede de seções estaduais e regionais dotadas de capacidade para responder de forma persistente a uma demanda cada vez maior. Isto requer a seguinte estrutura em cada Comitê Estadual: secretaria de formação e propaganda, comissão auxiliar e corpo de professores e professoras.

Para oferecer formação, hoje a duzentos mil militantes, amanhã a trezentos, é preciso agregar em cada estado dezenas de pessoas que tenham esta tarefa com responsabilidade exclusiva ou principal. Há entre nós, inclusive entre os novos, gente de ciência e cultura, muitos são educadores. Ou constituímos em cada unidade da Federação uma verdadeira brigada de formadores, com apoio e condições de trabalho, ou não estaremos levando a sério esta responsabilidade.

Em alguns estados as seções estaduais da escola, digamos, já estão com as paredes levantadas; em outros, o alicerce está pronto; n’outros, ainda, mal começamos a cavá-lo.A Escola Nacional é um projeto de co-responsabilidade entre o Comitê Central e os Comitês Estaduais. No geral, os Comitês Estaduais têm apoiado o projeto, merecendo reconhecido elogio. Mas, a obra está apenas no começo, vai exigir pertinácia e valorização tanto do CC quanto dos Comitês Estaduais.

A estruturação da Escola criará na vida partidária a valorização do estudo e da teoria. A prática e a teoria concebidas como categorias interligadas e de pesos equivalentes. Dessa maneira florescerá entre nós, massivamente, o estudo individual como elemento, também, imprescindível da formação. Engels sublinhava que, sobretudo, os quadros devem “instruir-se cada vez mais em todas as questões teóricas (...) e ter presente que o socialismo, desde que se tornou ciência, exige ser tratado como tal, isto é, que se o estude”.

A Escola é um instrumento imprescindível para dois objetivos que se destacam no conteúdo do texto que norteia este Encontro: a formação de quadros e a vinculação da massa de filiados em bases partidárias.

Se do ponto de vista, digamos, estrutural, o elo-chave é organizar nas bases partidárias os milhares e milhares de novos filiados, temos de entender que esse desafio –uma espécie de tabu entre nós –, somente será vencido se concebermos que a política e os seus combates são os elementos aglutinadores desses filiados nessas bases. Contudo, só a política e os combates não bastam. O que pode consolidar essa aglutinação que a política e as lutas proporcionam é, exatamente, uma elevação permanente da consciência socialista do coletivo militante. Por isso se diz que a formação ideológica é o amálgama da estruturação partidária!

A política pode ter o elã de atrair milhares e milhares às nossas fileiras, contudo o que consolida esse vínculo iniciado pela política é a formação teórica e ideológica. Obviamente, tudo isso só se realiza através da atuação coletiva, da vivência revolucionária nas bases partidárias.

A formação comunista vai além da dimensão teórica – a ela associa uma dimensão ideológica que se baseia no cultivo de valores elevados e numa ética revolucionária.

No seu cotidiano a militância é pressionada por um bombardeio de idéias e valores do sistema reinante. No presente, o neoliberalismo poluiu a subjetividade das pessoas com pragmatismo e individualismo exacerbados, inculcou a descrença, a inutilidade dos sonhos, menosprezo à cultura das nações, difundiu, sobretudo, o arcaísmo da militância partidária, apresentada como algo que castra e oprime o indivíduo.

O 10o Congresso, consciente disso, sublinhou que o Partido Comunista defende valores opostos ao da elite brasileira. Nós, comunistas, valorizamos a cultura, a arte, a história do nosso país, destacando as contribuições dos trabalhadores e do povo. Combatemos os preconceitos de raça e sexo; cultivamos a solidariedade, o companheirismo, em contraposição ao egoísmo e ao individualismo. Por outro lado, concebemos que um coletivo forte vem de indivíduos que têm sua singularidade respeitada e são estimulados e apoiados a desenvolver suas potencialidades. A luta por tais valores – nos ensina o 10o Congresso – é parte integrante do combate político por uma nova sociedade.

A grande finalidade desse trabalho, que mescla prática política transformadora com elevação da capacidade teórica e o cultivo de valores elevados, é ampliar e fortalecer aquilo que para o PCdoB tem o mesmo significado que o Sol tem para Terra: sua aguerrida, consciente e voluntária militância.

Se alguns desistiram, se alguns jogaram a bandeira vermelha ao chão, lastimamos. Todavia nesse particular não escondemos o orgulho de sermos integrantes de um coletivo que respeita as leis da história, mas que sabe que uma dessas leis é poder transformador das idéias quando elas ganham os corações e as mentes dos trabalhadores. A militância pode remover montanhas, pode sim como versejou o poeta Maiakovski agarrar a história pelas orelhas, esporar suas ancas e acelerar a chegada do futuro. Nos orgulhamos de sermos um coletivo que concebe à militância o poder de arrancar, talhar, esculpir, polir o futuro na rocha áspera e bruta do presente.

O trabalho ideológico não se resume à formação. Tanto é assim, que depois do 10o Congresso, esta frente ganhou um novo nome: “formação e propaganda”. Formação e propaganda são irmãs. Quanto mais se tenha um coletivo bem instruído, mais se fortalecerá a propaganda e a comunicação.

Umas das linhas de edificação do Partido Comunista de massas é a participação intensa na luta de idéias. Portanto, o alvo do trabalho de formação e propaganda abarca os milhares de filiados e ambiciona, também, influenciar a consciência de milhões com uma presença saliente na arena da luta de idéias.

Dessa maneira, percebemos que trabalho ideológico, na esfera do Comitê Central, emana, sobretudo, das secretarias de Formação e Propaganda e de Comunicação, requerendo uma ação articulada e associada desses dois pólos. O trabalho ideológico ainda está umbilicalmente a serviço da organização, da estruturação partidária, à medida que é a argamassa da edificação do Partido.

A presença na arena de luta de idéias exige em primeiro lugar o destemor e a habilidade de viabilizarmos nossa presença nos espaços privilegiados dessa contenda, como, por exemplo, as universidades. Apesar dos vínculos fecundos com a universidade brasileira pouco interagimos com sua agenda e seus fóruns de reflexão e elaboração. A presença no Parlamento também pode ser mais explorada, com esse fito.

Do mesmo modo, as oportunidades se colocam na esfera do movimento social. A combatividade deriva de condições objetivas, mas exige, também, consciência de classe elevada. As marchas do povo nas avenidas têm como requisito vigor na luta de idéias. Em que grau estamos dinamizando-as nas entidades e nos movimentos em que atuamos?

Com debate teórico e ideológico e habilidade política o Partido vai se inserindo progressivamente nas diferentes instâncias do Fórum Social Mundial, no Fórum Social Brasileiro. Trata-se de um êxito positivo que pode e deve ter continuidade e ampliação.

Participar da luta de idéias requer, também, persistência para furar o bloqueio que dificulta seu acesso aos meios de comunicação de massa. Quando falamos em nos dirigir a milhões, sem acesso a eles, esse propósito é quase uma quimera. Na esfera da mídia nacional, o fato novo é a visibilidade alcançada através da constante presença de Aldo Rebelo e Agnelo Queiroz, enquanto ministros da República e membros do PCdoB. Embora o Partido enquanto tal continua a se deparar com as dificuldades, na esfera dos Estados, Municípios e no geral o Partido tem ampliado o seu acesso à mídia.

A justificada ambição de atingir centenas de milhares e milhões com a nossa propaganda exige uma qualidade e um poder de difusão cada vez maior dos instrumentos partidários. São eles: o Instituto Maurício Grabois (IMG), a revista Princípios, o jornal A Classe Operária, o portal Vermelho e a Editora. Além deles, é importante fortalecer outros periódicos de entidades classistas e feministas, como é o caso da revista Debate Sindical, do Centro de Estudos Sindicais (CES) e da revista Presença da Mulher, da União Brasileira de Mulheres (UBM).

Para este ano de 2004, pretendemos dar uma nova dimensão ao Instituto Maurício Grabois, no plano nacional. Ele terá uma nova diretoria, um plano de trabalho e uma sede nacional. No âmbito dos Estados, incentivaremos seu fortalecimento em pelo menos 10 unidades da Federação. Se a Escola Nacional tem a importância já assinalada no trabalho de formação, o IMG é um instrumento indispensável à participação na luta de idéias, na pesquisa e na elaboração teórica e ao relacionamento com a intelectualidade e o mundo da cultura. Temos de reconhecer que aqui nos atrasamos, sendo necessário recuperar o tempo perdido.

Em relação à revista Princípios e ao jornal A Classe Operária há um esforço contínuo de dar-lhes qualidade crescente, do ponto de vista editorial e gráfico. A meta é de que a revista já a partir de agosto próximo passe à periodicidade bimestral – 6 edições ao ano – com uma tiragem consolidada de 5 mil exemplares. Cada Estado terá de ampliar sua cota de venda avulsa e, sobretudo, o número de assinantes. Em relação à Classe Operária, a meta é consolidar sua periodicidade quinzenal e aumentar sua tiragem, que hoje varia de 10 a 15 mil exemplares. Este salto exige uma circulação do jornal maior, com ampliação do número de assinantes e da venda avulsa. Se alcançarmos esse objetivo, criaremos as condições para torná-la semanal no ano próximo. Impõe-se também dinamizar a Editora, com um conselho editorial, maior publicação de títulos e esquema de distribuição. Até o final deste semestre virão à luz seis novos títulos.

O portal Vermelho é o vértice do sistema de comunicação e o seu êxito se demonstra pela sua audiência mensal superior a 25 mil visitas – marca alcançada em novembro de 2003. Atingiu, também, a meta de 8 a 10 mil leitores diários. Para 2004, a meta quantitativa é chegar a 335 mil visitantes individuais por mês, e 665 mil visitas. Buscaremos, ainda, as condições para que ele adentre a uma nova fase: um portal de fluxo no qual parte de seu conteúdo seria renovada no decorrer dia. Este degrau a mais, além de melhor adequá-lo à dinâmica da Internet, aumentará sua audiência.

Sem imprensa, sem Editora, como falar em luta de idéias? Aqui, camaradas, é que precisamos vir a empreender uma “revolução” na atitude do coletivo dirigente em face desses instrumentos. Como explicar que a revista Princípios tenha em todo o país, apenas 1500 assinantes? Como explicar o retorno de pagamento do jornal A Classe Operária de apenas de 50%? Como explicar que livros da Editora, de reconhecida qualidade e importância, não tenham a venda de um milheiro de exemplares.

Certamente, há falhas no âmbito do setor responsável do Comitê Central, que precisam ser corrigidas, mas, somos impelidos a afirmar que em relação aos Comitês Estaduais e Municipais impõe-se uma nova atitude frente a esses instrumentos. Não se trata de apelo moral, mas de entendê-los como bens coletivos, instrumentos imprescindíveis ao próprio trabalho de direção, à luta de idéias e à construção ideológica do Partido.

O trabalho ideológico requer recursos humanos, instrumentos e objetivos claros consoante a cada período histórico e conteúdos inerentes a esses objetivos.

O objetivo foi formulado tanto pelo 10o Congresso quanto pela 9a Conferência: vincar no Brasil a corrente do socialismo renovado, uma corrente de pensamento e ação, proletária, patriótica e internacionalista. Afirma a 9a Conferência: “(...) reforçar e ampliar uma vanguarda consciente da exigência da superação histórica do sistema capitalista, que vá além dos marcos do Partido”.

Já o 10o Congresso, ao analisar que a luta contra o neoliberalismo adquiriu um caráter antiimperialista e, por conseguinte, essencialmente anticapitalista, conclui que essas circunstâncias dão uma dimensão maior à luta nacional e democrática. A centralidade da questão nacional que condiciona toda a política do Partido, obviamente, também, condiciona sobremaneira o conteúdo geral da atividade da formação, da propaganda e comunicação.

A base para dar resposta àquele objetivo e a esse conteúdo mais geral anteriormente apontado é o marxismo-leninismo e o seu precioso acervo teórico, histórico, cultural, ideológico, político, que há mais de século e meio marca a história humana.

Em relação ao marxismo, uma tarefa de longo fôlego se impôs desde o final dos anos 80 quando eclodiu a crise do socialismo, em decorrência, entre outros fatores, da própria crise da teoria revolucionária. Além de estudar, disseminar, defender, trata-se de desenvolver o marxismo. João Amazonas dirigindo-se, em 1992, a dirigentes de partidos comunistas de vários países, afirmou: “Necessitamos, todos nós, fazer grandes esforços no campo teórico, ligado à pratica revolucionária, para superar a crise do marxismo. Afirmamos com muita consciência que, sem superar essa crise, não haverá revolução socialista, proletário-revolucionária, em nenhuma parte do mundo”.

Um dos caminhos para desenvolver a teoria é tê-la como um guia para a ação. É tê-la como um instrumental permanente de interpretação da realidade mundial e, sobretudo, da realidade brasileira. O esforço contínuo para compreender o Brasil a partir do arcabouço teórico marxista iluminará cada vez mais a prática transformadora, como também enriquecerá a própria teoria, contribuindo para retirá-la do esquematismo e da estagnação a que foi submetida.

Decorrente disso foi esculpido o lema “mais marxismo e mais Brasil”, que é o nosso norte no trabalho teórico e ideológico.

Coerente com esta visão, os dois primeiros cursos de Escola Nacional (A crise do capitalismo e a alternativa para o Brasil e A dialética da atual transição no Brasil) buscaram oferecer bases teóricas à linha da 9ª Conferência e, dessa maneira, elevar o domínio do coletivo acerca de seu conteúdo.

Na atualidade, o núcleo temático da propaganda e da comunicação é o combate ao continuísmo e a defesa da mudança. Desde a posse do novo governo, e mesmo antes, já na campanha eleitoral, essa tem sido a prioridade absoluta de nossos instrumentos. Empreende-se uma aguda crítica ao continuísmo do receituário neoliberal, principalmente de seus ditames macroeconômicos e, ao mesmo tempo, há um enorme esforço de elaboração – fruto disso não ficamos nos marcos da crítica. Temos divulgado conteúdos propositivos, como a indicação de caminhos à efetiva instauração de um novo projeto de desenvolvimento assentado na soberania, na democracia e na distribuição de renda.

Camaradas:

Somos um povo novo e uno, uma nação jovem, com muitas qualidades e capacidade de realização. Em poucos séculos este povo edificou uma economia que já foi a oitava riqueza do mundo. Mas esta riqueza foi erguida num processo muito perverso, no qual as amplas massas de famílias trabalhadoras foram excluídas dos bens dessa riqueza. A educação, o saber, a cultura foram sempre sistematicamente negados ao povo e não somente a renda altamente concentrada. Ao longo do tempo as oportunidades, as possibilidades de acesso à educação foram dificultadas ao máximo. Os trabalhadores sempre tiveram de lutar para arrombar as portas do saber. Mas esse histórico de exclusão e concentração da riqueza e do saber nos deixou marcas profundas, em alguma medida embruteceu os horizontes de nossa gente.

Por isso, também é importante sublinhar a importância da luta que sempre travamos pelo direito do povo e dos trabalhadores ao acesso à educação, ao saber, à cultura e ao esporte. Nos marcos de um governo democrático e progressista precisamos dar passos importantes nessa direção.

A poesia de Carlos Drummond de Andrade, certa feita numa florada de muito vigor e cor, anunciou o engajamento na luta para esmagar o capitalismo como quem esmaga um inseto. Ocorre que o capitalismo é invertebrado, difícil de ser esmagado. Para esmagá-lo, precisamos de uma militância revolucionária plena de energia e consciência que cada vez mais reforce o PCdoB como o partido do socialismo e dos trabalhadores, o partido da rebeldia da juventude, o partido da sensibilidade e da inteligência da mulher brasileira, um partido de ciência e combate.

No Brasil há muitos partidos, alguns são muito bons, mas só um é o Partido dos(as) bravos(as) guerrilheiros(as) do Araguaia.

*Secretário Nacional de Formação e Propaganda do comitê Central do PCdoB

 

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