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1º Encontro sobre Questões de Partido
Partido Comunista de massas requer
sólido e amplo trabalho ideológico
Adalberto Monteiro *
Camaradas:
De onde nos encontramos, e ao olhar pelo túnel da espiral
que a trajetória da história descreve, percebemos com
nitidez quanto é complexa a construção do nosso Partido
Comunista e, simultaneamente, quão imprescindível ele é à
emancipação nacional e social dos trabalhadores. É uma
tarefa que adquiriu um sentido épico e, talvez, entre todas,
seja a mais revolucionária e desafiadora. Daí a pertinácia
do proletariado em edificá-lo. Não se lançar a essa obra –
ficou-lhe patente em mais de século e meio de jornada
libertadora –, seria renunciar ao seu papel histórico de
libertar a si e a humanidade.
Falar em socialismo, em comunismo ou mesmo, nos dias atuais,
em soberania nacional, paz e direitos dos trabalhadores, sem
uma conseqüente determinação de se construir um Partido
Comunista à altura de tal projeto histórico, equivale ao
navegante que fala em atravessar o oceano sem, contudo, se
dedicar à construção de uma nau com o calado apropriado para
enfrentar a fúria dos mares.
A construção dessa nau de que necessita o proletariado é um
processo complexo que abarca teoria, política, ideologia,
organização, base material e financeira, tudo isso
canalizado à jornada emancipadora que se compõe de lutas
políticas, teóricas e econômicas.
Neste Encontro nos cabe sublinhar um dos aspectos dessa
edificação: a seção que no nosso “estaleiro” assumiu o nome
de “construção ideológica”.
João Amazonas, grande ideólogo e construtor do Partido
Comunista do Brasil apresenta-nos uma fecunda apreciação
sobre o trabalho teórico e ideológico:
“Mas o coletivo partidário somente desempenha a função que
lhe cabe nas decisões fundamentais no momento em que teórica
e politicamente estiver à altura das circunstâncias. Isso
exige a educação permanente dos comunistas, o constante
trabalho ideológico nas fileiras da organização de
vanguarda. Engels demandava dos militantes socialistas um
alto grau de consciência, vontade férrea e energia
revolucionária. Comunista sem energia e vontade de vencer,
pobre de conhecimentos teóricos, ajuda muito pouco a causa
do socialismo. Essas qualidades não nascem com o indivíduo,
são forjadas na luta, adquiridas também no centro de
preparação de quadros, nas escolas do Partido. Lênin
afirmava que ‘não pode haver um forte partido socialista sem
uma teoria revolucionária que agrupe a todos os
socialistas’. Vale lembrar que no Manifesto do Partido
Comunista, de Marx, aparecem juntos, interligados, a teoria
e o Partido em ação”.
Ao longo de seus 82 anos, o Partido tem no seu grau de
amadurecimento teórico e ideológico um fator determinante à
sua própria existência. Para fazer nascer o seu Partido em
25 de março de 1922, nós comunistas travamos um debate
teórico e político com o anarquismo que à época era muito
influente no movimento operário. Por sua vez, a
reorganização em 18 de fevereiro de 62, que assegurou a
continuidade na senda revolucionária, foi decorrente de um
longo itinerário de luta teórica e ideológica.
Outro grande feito, nessa mesma esfera, foi – em meio ao
furacão anticomunista que varreu o mundo no triênio 1989-91
–, a realização vitoriosa de seu 8º Congresso, que reafirmou
o socialismo em bases novas e defendeu o marxismo como uma
teoria avançada e indispensável à luta transformadora,
indicando, todavia, a grande tarefa de desenvolvê-lo e
libertá-lo do dogmatismo. Nesse episódio também a
capacitação teórica e ideológica dos seus dirigentes e
militantes foi decisiva ao enfrentamento vitorioso contra a
grande vaga contra-revolucionária. Não nos esqueçamos de que
esse tremor de terra reduziu a poeira inúmeros partidos
comunistas outrora gloriosos.
Vitalidade e degenerescência, distintos fenômenos que podem
eclodir num partido revolucionário a depender em grande
medida da sua saúde ideológica e teórica. Aliás, uma das
grandes lições dessa derrota histórica do proletariado é a
de que nenhum partido está imune à degenerescência.
Agora, no presente e no futuro imediato, a questão que se
coloca é o papel do trabalho ideológico no âmbito da
possibilidade e do desafio de o PCdoB tornar-se um grande e
influente Partido, um Partido Comunista de massas. Fenômeno
que começa a se gestar uma vez que já chegamos a um total de
200 mil filiados. Mas esse porte maior que se está a
perseguir é apenas um dos atributos de um conjunto de tantas
outras qualidades que dele se exige na disputa da hegemonia
entre as forças avançadas.
A dialética marxista nos indica que a quantidade, sob o
ângulo dos processos históricos, age tanto no sentido de a
qualidade dar saltos para adiante quanto de provocar
retrocessos. Lançamo-nos a essa empreitada – a construção de
um Partido Comunista de Massas –, como parte de um movimento
que reforça sua essência revolucionária e, melhor, o
credencia à disputa da hegemonia. Ocorre que isso não é um
processo automático e isento de riscos. A expansão
quantitativa de filiados é um fato em si positivo e
promissor, mas sem o tratamento adequado pode tal expansão
não se consolidar ou, no extremo, se tornar um fenômeno
negativo.
A política revolucionária, a história, os vínculos com o
movimento social, o papel que desempenhou na vitória da
Frente Lula Presidente, a visibilidade e o lugar que passou
a ocupar no cenário político desde a posse do novo governo
atraíram milhares de novos filiados ao PCdoB. Esses milhares
de novos aderentes reforçam o Partido de maneiras diversas.
Rejuvenescem-no, enriquecem-no de prestígio, inteligência e
diversidade. Ao atrair às suas fileiras uma quantidade maior
de pessoas do povo, dos trabalhadores, da juventude, das
mulheres, da intelectualidade, ao se espraiar para
diferentes regiões do país, o Partido se torna, assim por
dizer, mais brasileiro, passa a se alimentar mais
intensamente da riqueza política e cultural do povo
brasileiro.
Obviamente, esses milhares se filiam com a expectativa de
que progressivamente o Partido lhes ofereça uma formação
teórica e uma consciência política mais elevada. Aspiram,
também – até pelo fato de o Partido ser possuidor de uma
mística ímpar, derivada de uma história heróica de mais de
80 anos –, encontrar um ambiente político sadio, regido pela
unidade, pelo companheirismo e por valores culturais e
éticos elevados. Em suma, ao se filiarem, nos dizem:
“queremos fortalecer com a humildade de nossas limitações o
PCdoB, mas esperamos também que o Partido nos ofereça
oportunidades para crescermos enquanto pessoas e enquanto
militantes, como agentes de construção de um país e mundo
novos”.
Se isso não se efetiva, o filiado se decepciona e, muitas
vezes, uma vez frustrado, desiste de ser um dos nossos. A
educação teórica e ideológica é, pois, um direito do filiado
e um dever do Partido. Antes de um dever essa questão é uma
necessidade imperiosa. Refere à própria essência do Partido.
Se isso não é feito, ele corre o risco de se tornar um
ajuntamento de pessoas motivadas e agregadas tão somente
pelos estreitos horizontes da luta espontânea.
O PCdoB, ao perceber que a realidade está a lhe proporcionar
essa singular e inédita expansão, tem se esforçado para que
ela se dê por um processo consciente e dirigido. A
realização deste Encontro é o coroamento de um processo
prático, político e teórico de se edificar esse Partido
maior e mais influente. É a reflexão coletiva, a busca de
generalizações teóricas e de elaboração de diretivas à
estruturação partidária a partir de uma prática, de um fazer
que está em pleno curso. Metaforicamente, é como se
operários, engenheiros, arquitetos parassem por uns dois
dias o levantar de um edifício para refletir o estágio
concreto da obra, examinar possíveis erros, ou necessários
ajustes, no sentido de realizá-la melhor.
Por isso, o que se tem no horizonte é a
possibilidade de um grande salto. É imperativo agir para que
ele de fato se dê e desde já entender que o atual ritmo e
qualidade de produção não bastam. É preciso uma nova escala
de produção em todas as instâncias, em todas as frentes. O
trabalho ideológico deve, com múltiplos instrumentos e
formas, dar respostas inovadoras às necessidades crescentes.
Pode se imaginar, do ponto de vista da acumulação de forças,
que – digamos dentro de um ou dois qüinqüênios, através de
um continuado e planejado trabalho de formação teórica e
ideológica –, venhamos, em níveis e gradações diferenciadas,
a disseminar o marxismo entre duzentos, trezentos mil
militantes. Por um lado, um coletivo esclarecido, motivado,
consciente, sempre sedento de aprender mais e mais; por
outro, fruto disso, às centenas e centenas vão surgir
quadros partidários capacitados, homens e mulheres de
ciência e combate e, entre estes, como ocorre no processo do
conhecimento, vão ser lapidados preciosos talentos.
Informar e formar milhares e milhares – um coletivo de uma
formação educacional, cultural e teórica muito diversa e
variada, oriundo também de diferentes classes sociais, de
distintas camadas do povo brasileiro. Consciente da
complexidade dessa tarefa, o 10o Congresso determinou, e a
9a Conferência reafirmou, o relançamento da Escola Nacional
do Partido.
Estamos a reconstruí-la sob a concepção de que ela existirá
a partir de uma coordenação nacional interligada a uma rede
de seções estaduais e regionais dotadas de capacidade para
responder de forma persistente a uma demanda cada vez maior.
Isto requer a seguinte estrutura em cada Comitê Estadual:
secretaria de formação e propaganda, comissão auxiliar e
corpo de professores e professoras.
Para oferecer formação, hoje a duzentos mil militantes,
amanhã a trezentos, é preciso agregar em cada estado dezenas
de pessoas que tenham esta tarefa com responsabilidade
exclusiva ou principal. Há entre nós, inclusive entre os
novos, gente de ciência e cultura, muitos são educadores. Ou
constituímos em cada unidade da Federação uma verdadeira
brigada de formadores, com apoio e condições de trabalho, ou
não estaremos levando a sério esta responsabilidade.
Em alguns estados as seções estaduais da escola, digamos, já
estão com as paredes levantadas; em outros, o alicerce está
pronto; n’outros, ainda, mal começamos a cavá-lo.A Escola
Nacional é um projeto de co-responsabilidade entre o Comitê
Central e os Comitês Estaduais. No geral, os Comitês
Estaduais têm apoiado o projeto, merecendo reconhecido
elogio. Mas, a obra está apenas no começo, vai exigir
pertinácia e valorização tanto do CC quanto dos Comitês
Estaduais.
A estruturação da Escola criará na vida partidária a
valorização do estudo e da teoria. A prática e a teoria
concebidas como categorias interligadas e de pesos
equivalentes. Dessa maneira florescerá entre nós,
massivamente, o estudo individual como elemento, também,
imprescindível da formação. Engels sublinhava que,
sobretudo, os quadros devem “instruir-se cada vez mais em
todas as questões teóricas (...) e ter presente que o
socialismo, desde que se tornou ciência, exige ser tratado
como tal, isto é, que se o estude”.
A Escola é um instrumento imprescindível para dois objetivos
que se destacam no conteúdo do texto que norteia este
Encontro: a formação de quadros e a vinculação da massa de
filiados em bases partidárias.
Se do ponto de vista, digamos, estrutural, o elo-chave é
organizar nas bases partidárias os milhares e milhares de
novos filiados, temos de entender que esse desafio –uma
espécie de tabu entre nós –, somente será vencido se
concebermos que a política e os seus combates são os
elementos aglutinadores desses filiados nessas bases.
Contudo, só a política e os combates não bastam. O que pode
consolidar essa aglutinação que a política e as lutas
proporcionam é, exatamente, uma elevação permanente da
consciência socialista do coletivo militante. Por isso se
diz que a formação ideológica é o amálgama da estruturação
partidária!
A política pode ter o elã de atrair milhares e milhares às
nossas fileiras, contudo o que consolida esse vínculo
iniciado pela política é a formação teórica e ideológica.
Obviamente, tudo isso só se realiza através da atuação
coletiva, da vivência revolucionária nas bases partidárias.
A formação comunista vai além da dimensão teórica – a ela
associa uma dimensão ideológica que se baseia no cultivo de
valores elevados e numa ética revolucionária.
No seu cotidiano a militância é pressionada por um
bombardeio de idéias e valores do sistema reinante. No
presente, o neoliberalismo poluiu a subjetividade das
pessoas com pragmatismo e individualismo exacerbados,
inculcou a descrença, a inutilidade dos sonhos, menosprezo à
cultura das nações, difundiu, sobretudo, o arcaísmo da
militância partidária, apresentada como algo que castra e
oprime o indivíduo.
O 10o Congresso, consciente disso, sublinhou que o Partido
Comunista defende valores opostos ao da elite brasileira.
Nós, comunistas, valorizamos a cultura, a arte, a história
do nosso país, destacando as contribuições dos trabalhadores
e do povo. Combatemos os preconceitos de raça e sexo;
cultivamos a solidariedade, o companheirismo, em
contraposição ao egoísmo e ao individualismo. Por outro
lado, concebemos que um coletivo forte vem de indivíduos que
têm sua singularidade respeitada e são estimulados e
apoiados a desenvolver suas potencialidades. A luta por tais
valores – nos ensina o 10o Congresso – é parte integrante do
combate político por uma nova sociedade.
A grande finalidade desse trabalho, que mescla prática
política transformadora com elevação da capacidade teórica e
o cultivo de valores elevados, é ampliar e fortalecer aquilo
que para o PCdoB tem o mesmo significado que o Sol tem para
Terra: sua aguerrida, consciente e voluntária militância.
Se alguns desistiram, se alguns jogaram a bandeira vermelha
ao chão, lastimamos. Todavia nesse particular não escondemos
o orgulho de sermos integrantes de um coletivo que respeita
as leis da história, mas que sabe que uma dessas leis é
poder transformador das idéias quando elas ganham os
corações e as mentes dos trabalhadores. A militância pode
remover montanhas, pode sim como versejou o poeta Maiakovski
agarrar a história pelas orelhas, esporar suas ancas e
acelerar a chegada do futuro. Nos orgulhamos de sermos um
coletivo que concebe à militância o poder de arrancar,
talhar, esculpir, polir o futuro na rocha áspera e bruta do
presente.
O trabalho ideológico não se resume à formação. Tanto é
assim, que depois do 10o Congresso, esta frente ganhou um
novo nome: “formação e propaganda”. Formação e propaganda
são irmãs. Quanto mais se tenha um coletivo bem instruído,
mais se fortalecerá a propaganda e a comunicação.
Umas das linhas de edificação do Partido Comunista de massas
é a participação intensa na luta de idéias. Portanto, o alvo
do trabalho de formação e propaganda abarca os milhares de
filiados e ambiciona, também, influenciar a consciência de
milhões com uma presença saliente na arena da luta de
idéias.
Dessa maneira, percebemos que trabalho ideológico, na esfera
do Comitê Central, emana, sobretudo, das secretarias de
Formação e Propaganda e de Comunicação, requerendo uma ação
articulada e associada desses dois pólos. O trabalho
ideológico ainda está umbilicalmente a serviço da
organização, da estruturação partidária, à medida que é a
argamassa da edificação do Partido.
A presença na arena de luta de idéias exige em primeiro
lugar o destemor e a habilidade de viabilizarmos nossa
presença nos espaços privilegiados dessa contenda, como, por
exemplo, as universidades. Apesar dos vínculos fecundos com
a universidade brasileira pouco interagimos com sua agenda e
seus fóruns de reflexão e elaboração. A presença no
Parlamento também pode ser mais explorada, com esse fito.
Do mesmo modo, as oportunidades se colocam na esfera do
movimento social. A combatividade deriva de condições
objetivas, mas exige, também, consciência de classe elevada.
As marchas do povo nas avenidas têm como requisito vigor na
luta de idéias. Em que grau estamos dinamizando-as nas
entidades e nos movimentos em que atuamos?
Com debate teórico e ideológico e habilidade política o
Partido vai se inserindo progressivamente nas diferentes
instâncias do Fórum Social Mundial, no Fórum Social
Brasileiro. Trata-se de um êxito positivo que pode e deve
ter continuidade e ampliação.
Participar da luta de idéias requer, também, persistência
para furar o bloqueio que dificulta seu acesso aos meios de
comunicação de massa. Quando falamos em nos dirigir a
milhões, sem acesso a eles, esse propósito é quase uma
quimera. Na esfera da mídia nacional, o fato novo é a
visibilidade alcançada através da constante presença de Aldo
Rebelo e Agnelo Queiroz, enquanto ministros da República e
membros do PCdoB. Embora o Partido enquanto tal continua a
se deparar com as dificuldades, na esfera dos Estados,
Municípios e no geral o Partido tem ampliado o seu acesso à
mídia.
A justificada ambição de atingir centenas de milhares e
milhões com a nossa propaganda exige uma qualidade e um
poder de difusão cada vez maior dos instrumentos
partidários. São eles: o Instituto Maurício Grabois (IMG), a
revista Princípios, o jornal A Classe Operária, o portal
Vermelho e a Editora. Além deles, é importante fortalecer
outros periódicos de entidades classistas e feministas, como
é o caso da revista Debate Sindical, do Centro de Estudos
Sindicais (CES) e da revista Presença da Mulher, da União
Brasileira de Mulheres (UBM).
Para este ano de 2004, pretendemos dar uma nova dimensão ao
Instituto Maurício Grabois, no plano nacional. Ele terá uma
nova diretoria, um plano de trabalho e uma sede nacional. No
âmbito dos Estados, incentivaremos seu fortalecimento em
pelo menos 10 unidades da Federação. Se a Escola Nacional
tem a importância já assinalada no trabalho de formação, o
IMG é um instrumento indispensável à participação na luta de
idéias, na pesquisa e na elaboração teórica e ao
relacionamento com a intelectualidade e o mundo da cultura.
Temos de reconhecer que aqui nos atrasamos, sendo necessário
recuperar o tempo perdido.
Em relação à revista Princípios e ao jornal A Classe
Operária há um esforço contínuo de dar-lhes qualidade
crescente, do ponto de vista editorial e gráfico. A meta é
de que a revista já a partir de agosto próximo passe à
periodicidade bimestral – 6 edições ao ano – com uma tiragem
consolidada de 5 mil exemplares. Cada Estado terá de ampliar
sua cota de venda avulsa e, sobretudo, o número de
assinantes. Em relação à Classe Operária, a meta é
consolidar sua periodicidade quinzenal e aumentar sua
tiragem, que hoje varia de 10 a 15 mil exemplares. Este
salto exige uma circulação do jornal maior, com ampliação do
número de assinantes e da venda avulsa. Se alcançarmos esse
objetivo, criaremos as condições para torná-la semanal no
ano próximo. Impõe-se também dinamizar a Editora, com um
conselho editorial, maior publicação de títulos e esquema de
distribuição. Até o final deste semestre virão à luz seis
novos títulos.
O portal Vermelho é o vértice do sistema de comunicação e o
seu êxito se demonstra pela sua audiência mensal superior a
25 mil visitas – marca alcançada em novembro de 2003.
Atingiu, também, a meta de 8 a 10 mil leitores diários. Para
2004, a meta quantitativa é chegar a 335 mil visitantes
individuais por mês, e 665 mil visitas. Buscaremos, ainda,
as condições para que ele adentre a uma nova fase: um portal
de fluxo no qual parte de seu conteúdo seria renovada no
decorrer dia. Este degrau a mais, além de melhor adequá-lo à
dinâmica da Internet, aumentará sua audiência.
Sem imprensa, sem Editora, como falar em luta de idéias?
Aqui, camaradas, é que precisamos vir a empreender uma
“revolução” na atitude do coletivo dirigente em face desses
instrumentos. Como explicar que a revista Princípios tenha
em todo o país, apenas 1500 assinantes? Como explicar o
retorno de pagamento do jornal A Classe Operária de apenas
de 50%? Como explicar que livros da Editora, de reconhecida
qualidade e importância, não tenham a venda de um milheiro
de exemplares.
Certamente, há falhas no âmbito do setor responsável do
Comitê Central, que precisam ser corrigidas, mas, somos
impelidos a afirmar que em relação aos Comitês Estaduais e
Municipais impõe-se uma nova atitude frente a esses
instrumentos. Não se trata de apelo moral, mas de
entendê-los como bens coletivos, instrumentos
imprescindíveis ao próprio trabalho de direção, à luta de
idéias e à construção ideológica do Partido.
O trabalho ideológico requer recursos humanos, instrumentos
e objetivos claros consoante a cada período histórico e
conteúdos inerentes a esses objetivos.
O objetivo foi formulado tanto pelo 10o Congresso quanto
pela 9a Conferência: vincar no Brasil a corrente do
socialismo renovado, uma corrente de pensamento e ação,
proletária, patriótica e internacionalista. Afirma a 9a
Conferência: “(...) reforçar e ampliar uma vanguarda
consciente da exigência da superação histórica do sistema
capitalista, que vá além dos marcos do Partido”.
Já o 10o Congresso, ao analisar que a luta contra o
neoliberalismo adquiriu um caráter antiimperialista e, por
conseguinte, essencialmente anticapitalista, conclui que
essas circunstâncias dão uma dimensão maior à luta nacional
e democrática. A centralidade da questão nacional que
condiciona toda a política do Partido, obviamente, também,
condiciona sobremaneira o conteúdo geral da atividade da
formação, da propaganda e comunicação.
A base para dar resposta àquele objetivo e a esse conteúdo
mais geral anteriormente apontado é o marxismo-leninismo e o
seu precioso acervo teórico, histórico, cultural,
ideológico, político, que há mais de século e meio marca a
história humana.
Em relação ao marxismo, uma tarefa de longo fôlego se impôs
desde o final dos anos 80 quando eclodiu a crise do
socialismo, em decorrência, entre outros fatores, da própria
crise da teoria revolucionária. Além de estudar, disseminar,
defender, trata-se de desenvolver o marxismo. João Amazonas
dirigindo-se, em 1992, a dirigentes de partidos comunistas
de vários países, afirmou: “Necessitamos, todos nós, fazer
grandes esforços no campo teórico, ligado à pratica
revolucionária, para superar a crise do marxismo. Afirmamos
com muita consciência que, sem superar essa crise, não
haverá revolução socialista, proletário-revolucionária, em
nenhuma parte do mundo”.
Um dos caminhos para desenvolver a teoria é tê-la como um
guia para a ação. É tê-la como um instrumental permanente de
interpretação da realidade mundial e, sobretudo, da
realidade brasileira. O esforço contínuo para compreender o
Brasil a partir do arcabouço teórico marxista iluminará cada
vez mais a prática transformadora, como também enriquecerá a
própria teoria, contribuindo para retirá-la do esquematismo
e da estagnação a que foi submetida.
Decorrente disso foi esculpido o lema “mais marxismo e mais
Brasil”, que é o nosso norte no trabalho teórico e
ideológico.
Coerente com esta visão, os dois primeiros cursos de Escola
Nacional (A crise do capitalismo e a alternativa para o
Brasil e A dialética da atual transição no Brasil) buscaram
oferecer bases teóricas à linha da 9ª Conferência e, dessa
maneira, elevar o domínio do coletivo acerca de seu
conteúdo.
Na atualidade, o núcleo temático da propaganda e da
comunicação é o combate ao continuísmo e a defesa da
mudança. Desde a posse do novo governo, e mesmo antes, já na
campanha eleitoral, essa tem sido a prioridade absoluta de
nossos instrumentos. Empreende-se uma aguda crítica ao
continuísmo do receituário neoliberal, principalmente de
seus ditames macroeconômicos e, ao mesmo tempo, há um enorme
esforço de elaboração – fruto disso não ficamos nos marcos
da crítica. Temos divulgado conteúdos propositivos, como a
indicação de caminhos à efetiva instauração de um novo
projeto de desenvolvimento assentado na soberania, na
democracia e na distribuição de renda.
Camaradas:
Somos um povo novo e uno, uma nação jovem, com muitas
qualidades e capacidade de realização. Em poucos séculos
este povo edificou uma economia que já foi a oitava riqueza
do mundo. Mas esta riqueza foi erguida num processo muito
perverso, no qual as amplas massas de famílias trabalhadoras
foram excluídas dos bens dessa riqueza. A educação, o saber,
a cultura foram sempre sistematicamente negados ao povo e
não somente a renda altamente concentrada. Ao longo do tempo
as oportunidades, as possibilidades de acesso à educação
foram dificultadas ao máximo. Os trabalhadores sempre
tiveram de lutar para arrombar as portas do saber. Mas esse
histórico de exclusão e concentração da riqueza e do saber
nos deixou marcas profundas, em alguma medida embruteceu os
horizontes de nossa gente.
Por isso, também é importante sublinhar a importância da
luta que sempre travamos pelo direito do povo e dos
trabalhadores ao acesso à educação, ao saber, à cultura e ao
esporte. Nos marcos de um governo democrático e progressista
precisamos dar passos importantes nessa direção.
A poesia de Carlos Drummond de Andrade, certa feita numa
florada de muito vigor e cor, anunciou o engajamento na luta
para esmagar o capitalismo como quem esmaga um inseto.
Ocorre que o capitalismo é invertebrado, difícil de ser
esmagado. Para esmagá-lo, precisamos de uma militância
revolucionária plena de energia e consciência que cada vez
mais reforce o PCdoB como o partido do socialismo e dos
trabalhadores, o partido da rebeldia da juventude, o partido
da sensibilidade e da inteligência da mulher brasileira, um
partido de ciência e combate.
No Brasil há muitos partidos, alguns são muito bons, mas só
um é o Partido dos(as) bravos(as) guerrilheiros(as) do
Araguaia.
*Secretário Nacional de Formação e
Propaganda do comitê Central do PCdoB
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