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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

7 de março de 2004

PARTIDO VIVO
Questões da construção de um
partido comunista de massas


Por Bernardo Joffily,
de Brasília

O PCdoB concluiu ontem em Brasília a parte mais importante de seu Encontro Nacional sobre Questões de Partido. Perto de 300 quadros, vindos de todo o país, aprovaram por unanimidade o documento base — que propõe a construção de um partido comunista de massas adaptado às condições do Brasil de hoje — enriquecido por várias emendas propostas no debate que ocorreu nos Estados e naquele que teve lugar no auditório Nereu ramos da Câmara dos Deputados.

Ao fazer o balanço das mais de 80 intervenções sobre o tema partido, o secretário de Organização do Comitê Central, Walter Sorrentino, avaliou que "pegamos um veio importante" e "várias pepitas foram garimpadas", deixando-o convencido de que a política de construção de um partido comunista de massas é "um painel vasto", mas de que é possível identificar nele algumas "pilastras".

A luta pela hegemonia

"Primeiro — observa Sorrentino — queremos ser um partido da hegemonia. Isto está absolutamente na fundação do edifício."

O conceito de hegemonia foi objeto de várias das intervenções do Encontro.Para Sorrentino, ele "deve ser recuperado, em Lênin, em Gramsci. O conceito de hegemonia não é a justifica envergonhada do reformismo, como querem alguns. Segundo Gramsci, é a maior contribuição de Lênin. Ele deixa claro o sentido do esforço político que o proletariado deve fazer. É isto exatamente que, no nosso pensamento, faz a ligação entre a direção tática e a direção estratégica. Convido-os a estudar, a recuperar a empregar este conceito", conclamou.

"Claro que utilizamos este conceito dentro de um ambiente determinado, que é ainda de defensiva estratégica. Nós não estamos às vésperas da revolução", ponderou o secretário de organização do PCdoB.

"Um partido leninista brasileiro"

A segunda pilastra, segundo Sorrentino, não foi tão ressaltada no processo preparatório mas sobressaiu na reunião em Brasília. "É que precisamos de um partido leninista brasileiro. Quanto mais matura o nosso pensamento, mais deve maturar a resposta sobre o tipo de partido de que precisamos. O perfil do Partido condiciona fortemente sua estruturação. E tem que ser um perfil brasileiro. Vamos ousar e assumir."

Sorrentino citou a respeito um quadro do PCdoB/RS, não presente no Encontro, José Loguércio: "Sim, vamos ser leninistas. Lênin forjou o bolchevismo, enquanto pensamento marxista adaptado à Rússia de um século atrás. Vamos fazer como ele, e forjar o perfil necessário ao nosso país e ao nosso tempo."

Um partido comunista de massas

O terceiro pilar, para Sorrentino, deriva dos outros dois: é preciso um partido comunista de massas, grande. "Estou de acordo, desde que não se faça reducionismo. Desde que não se esqueça de que, por baixo desta formulação, existe um conjunto de reflexões, e de riscos também. E que esta consigna em si não define nada, o que define é a política", afirma.

Segundo a apreciação de Sorrentino, "estamos no limiar de uma opção estratégica, de largo alcance. Dizer que fazemos esta opção estratégica não nos assegura vitória nenhuma. Mas mostra ousadia. Agora, ao fazer isto, estamos dando uma resposta também aos riscos que vivemos (como a pressão no sentido do rebaixamento do Partido, bastante debatida ao longo do Encontro). Sim, estamos tentando evitá-los; esta resposta é justamente uma tentativa de evitá-los", concluiu.

Sorrentino referiu-se também a quatro questões pontuais derivadas dos debates do Encontro:

"Primeira: partido grande. Nós não estamos falando ainda de um partido verdadeiramente grande. Devíamos estudar sobre isto as experiências da África do Sul, da Índia, assim como a da Indonésia nos anos 60."

"Segunda: do ponto de vista político, vamos ter que prestar mais atenção a esta relação entre movimentos sociais e política institucional. Não há antagonismo. A nossa política precisa fazer a síntese, a superação dialética entre estas duas coisas. Contradição há, mas não é antagônica. Se não, daqui a pouco vamos ter que pedir desculpas por participar de eleições."

"Terceira: acho que do ponto de vista da estruturação organizativa, todos convergiram para três questões: organizações de base, raízes entre os trabalhadores e a questão dos quadros."

"Quarta: desenvolvimentos são necessários para impulsionar esta linha. Mais especificamente quanto à luta de idéias. Acho que saímos daqui com o mandato de desenvolver estas questões."

A pauta de ontem incluiu também uma homenagem à luta pela emancipação feminina, referenciada no Dia Internacional da Mulher, que transcorre amanhã. Jô Moraes, vice-presidente do PCdoB, encarregada de expor o tema, advertiu com severidade para o reduzido número de companheiras no Comitê Central e nas direções intermediárias, em contraste com a presença feminina crescente e significativa (35%) nas bases do PCdoB.

O Encontro Nacional se encerra hoje, com a aprovação dos objetivos, metas e projetos do 5º Plano de Estruturação Partidária (PEP). Com duração bienal, o 5º PEP vai até o 11º Congresso do PCdoB, previsto para 2005.

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