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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

7 de março de 2004

PARTIDO VIVO
Aldo Rebelo: "O PCdoB tem dois
ministros pelas suas idéias"
-
O ministro da Coordenação fala no Encontro do PCdoB

"O PCdoB tem dois ministros pela sua política, suas idéias". A explicação é de Aldo Rebelo, membro do Comitê Central do PCdoB que ocupa desde janeiro o cargo de ministro da Coordenação Política. Rebelo usou da palavra ontem no Encontro Nacional do PCdoB sobre Questões de Partido, que se encerra hoje em Brasília. Veja um resumo da intervenção:

"Esta é uma reflexão improvisada sobre os desafios do nosso Partido e o nosso povo à luz dos últimos meses. Quando as forças que lutaram para alargar a democracia para o nosso povo obtiveram uma vitória importante, com a vitória do governo Lula. E o Partido passou a integrar o governo, com a presença do companheiro Agnelo no Ministério do Esporte, a minha na liderança do governo na Câmara e a interlocução do nosso presidente, Renato Rabelo, junto ao primeiro escalão do governo federal.

Este caminho conheceu um outro avanço com a reforma ministerial. Ampliamos a possibilidade de influência do Partido e das suas idéias no processo de luta política que vive o Brasil.

No caso da última reforma ministerial, o que explica a ampliação da presença do Partido? Por que temos dois Ministérios? Não se explica pela força da nossa bancada. Não é porque nós representamos uma corporação poderosa que justifique esta presença. Acho que é fundamentalmente pela política, pelas idéias. É daí que vem o prestígio, da valorização das nossas idéias. É esta participação singular, mas fundamental, que explica um número de ministros que é igual ao do PMDB, embora este tenha uma bancada parlamentar incomparavelmente maior.

A influência destas idéias tem sua história. Em 1989, o ato inaugural da frente Brasil Popular foi uma reunião com Lula, na Assembléia Legislativa de São Paulo, cujo iniciador foi João Amazonas. Quando esta frente, afinal de contas, amadureceu para a vitória, em 2002, nós defendemos que ela fosse ampliada, que não se limitasse à esquerda, que não nos isolássemos, mas buscássemos isolar as forças conservadoras, já que as forças conservadoras no Brasil têm uma tradição golpista.

A frente é sempre um movimento de unidade e de luta. Quando os ministros defendem determinadas políticas, eles não estão defendendo as idéias de seu partido, mas as do governo. Contudo, as idéias do governo podem evoluir. Assim tem sido ao longo da história. As coalizões se uniram para responder a uma determinada situação e logo no momento seguinte enfrentar um movimento de reorganização e de depuração.

O nosso Partido integra a frente sem que reste qualquer sombra de dúvida sobre as suas convicções e a sua ideologia.O PCdoB não faz de sua política ampla um elemento de dissolução da sua proposta, do seu caráter revolucionário. Não abrimos mão das nossa convicção, do nosso sonho, de que o mundo será melhor, mais justo e mais democrático com o socialismo.

Marchamos juntos com outros partidos, até com uma agremiação como o PP, sem nos diluirmos. No processo desta frente, vamos encontrar também espaço para que dentro dela se fortaleçam as forcas mais avançadas, mais ligadas ao povo, para que ela também dê passos no sentido das mudanças.

Devemos lutar para que o nosso Partido não abandone e não perca o seu caráter de força avançada. E este caráter reside também na forma como nos organizamos. Um partido quando está em crescimento, depende de que sua organização seja sólida. E precisa igualmente da unidade. Sem unidade, o nosso Partido, camaradas, não consegue alcançar seu objetivo. Todos olham para nós e nos respeitam, não só pela ideologia e pela política, mas também porque somos uma força de unidade, baseada no centralismo democrático.

O Partido depende ainda da criatividade, da imaginação. O marxismo é uma ciência viva. Fora da vida, da prática, ele não consegue provar a sua superioridade e o seu caráter revolucionário.

As transformações no mundo desde o fim dos anos 80, com o fim da experiência soviética, e o desafio atual da mudança em curso no Brasil, acho que tudo isto estimulou nossa criatividade. Ajudou-nos a nos livrarmos daquele marxismo que não é criador, que não entende as características do nosso país e a psicologia do nosso povo. Isto, hoje, nos dá muito mais condições de praticarmos o marxismo verdadeiro e criador.

Por estarmos no governo, as coisas se tornam mais difíceis para o movimento social, sindical ou estudantil? Eu compreendo o contrário. Se esta luta precisa de um ambiente mais democrático, se precisa de democracia e de liberdade, se as idéias avançadas necessitam deste ambiente, então acho que nunca tivemos um momento tão favorável. Nunca vi o movimento sindical, o movimento estudantil, ter um acesso tão grande ao presidente, aos ministros, às esferas de governo.

A situação nunca foi tão favorável também para a luta pela centralidade da questão nacional. Num mundo onde governos são depostos, como no Iraque, como no Haiti, este governo que temos é também uma conquista da causa da soberania nacional.

Vivemos, portanto, uma situação muito favorável à ampliação da influência das idéias do nosso Partido. Favorável à ampliação da influência política do nosso Partido. Favorável ao seu crescimento. Favorável a que o Partido amplie a sua presença nas Câmaras Municipais, nas prefeituras, nos governos e legislativos estaduais. E favorável a que se multiplique, pelo Brasil afora, a militância aguerrida, a militância combativa, a militância comunista do nosso Partido."

O Encontro Nacional do PCdoB sobre Questões de Partido reuniu cerca de 300 quadros comunistas durante três dias para refletir e debater sobre uma nova linha política de construção partidária, contemporânea e sintonizada com as condições favoráveis que se abriram no país. O objetivo é construir no Brasil de hoje um partido comunista de massas, estruturado pelas bases, sobretudo entre os trabalhadores, unido e coeso a partir de direções consolidadas em especial nos maiores municípios, com intenso protagonismo político na luta dos trabalhadores e do povo.

 

De Brasília,
Bernardo Joffily



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