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| O
ministro da Coordenação
fala no Encontro do PCdoB |
"O
PCdoB tem dois ministros pela sua política,
suas idéias". A explicação
é de Aldo Rebelo, membro do Comitê
Central do PCdoB que ocupa desde janeiro
o cargo de ministro da Coordenação
Política. Rebelo usou da palavra
ontem no Encontro Nacional do PCdoB sobre
Questões de Partido, que se encerra
hoje em Brasília. Veja um resumo
da intervenção:
"Esta
é uma reflexão improvisada
sobre os desafios do nosso Partido e o
nosso povo à luz dos últimos
meses. Quando as forças que lutaram
para alargar a democracia para o nosso
povo obtiveram uma vitória importante,
com a vitória do governo Lula. E o Partido
passou a integrar o governo, com a presença
do companheiro Agnelo no Ministério
do Esporte, a minha na liderança
do governo na Câmara e a interlocução
do nosso presidente, Renato Rabelo, junto
ao primeiro escalão do governo
federal.
Este
caminho conheceu um outro avanço
com a reforma ministerial. Ampliamos a
possibilidade de influência do
Partido e das suas idéias no processo
de luta política que vive o Brasil.
No
caso da última reforma ministerial, o
que explica a ampliação
da presença do Partido?
Por que temos dois Ministérios?
Não se explica pela força
da nossa bancada. Não é
porque nós representamos uma corporação
poderosa que justifique esta presença.
Acho que é fundamentalmente
pela política, pelas idéias.
É daí que vem o prestígio,
da valorização das nossas
idéias. É esta participação
singular, mas fundamental, que explica um
número de ministros que é
igual ao do PMDB, embora este tenha uma
bancada parlamentar incomparavelmente
maior.
A
influência destas idéias
tem sua história. Em 1989, o ato
inaugural da frente Brasil Popular foi
uma reunião com Lula, na Assembléia
Legislativa de São Paulo, cujo
iniciador foi João Amazonas. Quando
esta frente, afinal de contas, amadureceu
para a vitória, em 2002, nós
defendemos que ela fosse ampliada, que
não se limitasse à esquerda,
que não nos isolássemos,
mas buscássemos isolar as forças
conservadoras, já que as forças
conservadoras no Brasil têm uma
tradição golpista.
A
frente é sempre um movimento de
unidade e de luta. Quando os ministros
defendem determinadas políticas,
eles não estão defendendo
as idéias de seu partido, mas as
do governo. Contudo, as idéias do governo
podem evoluir. Assim tem sido ao
longo da história. As coalizões
se uniram para responder a uma determinada
situação e logo no momento
seguinte enfrentar um movimento de reorganização
e de depuração.
O
nosso Partido integra a frente sem que
reste qualquer sombra de dúvida
sobre as suas convicções
e a sua ideologia.O PCdoB não faz
de sua política ampla um elemento
de dissolução da sua proposta,
do seu caráter revolucionário.
Não abrimos mão das nossa
convicção, do nosso sonho,
de que o mundo será melhor, mais
justo e mais democrático com o
socialismo.
Marchamos
juntos com outros partidos, até
com uma agremiação como
o PP, sem nos diluirmos. No processo desta
frente, vamos encontrar também
espaço para que dentro dela se
fortaleçam as forcas mais avançadas,
mais ligadas ao povo, para que ela também
dê passos no sentido das mudanças.
Devemos
lutar para que o nosso Partido não
abandone e não perca o seu caráter
de força avançada. E este caráter
reside também na forma como nos organizamos.
Um
partido quando está em crescimento,
depende de que sua organização
seja sólida. E precisa igualmente
da unidade. Sem unidade, o nosso Partido,
camaradas, não consegue alcançar
seu objetivo. Todos olham para nós
e nos respeitam, não só
pela ideologia e pela política,
mas também porque somos uma força
de unidade, baseada no centralismo democrático.
O
Partido depende ainda da criatividade,
da imaginação. O marxismo
é uma ciência viva. Fora
da vida, da prática, ele não consegue
provar a sua superioridade e o seu caráter
revolucionário.
As
transformações no mundo
desde o fim dos anos 80, com o fim da
experiência soviética, e
o desafio atual da mudança em curso
no Brasil, acho que tudo isto estimulou
nossa criatividade. Ajudou-nos a nos livrarmos
daquele marxismo que não é
criador, que não entende as características
do nosso país e a psicologia do nosso
povo. Isto, hoje, nos dá muito
mais condições de praticarmos
o marxismo verdadeiro e criador.
Por
estarmos no governo, as coisas se tornam
mais difíceis para o movimento social,
sindical ou estudantil? Eu compreendo
o contrário. Se esta luta precisa
de um ambiente mais democrático,
se precisa de democracia e de liberdade,
se as idéias avançadas necessitam
deste ambiente, então acho que
nunca tivemos um momento tão favorável.
Nunca vi o movimento sindical, o movimento
estudantil, ter um acesso tão grande
ao presidente, aos ministros, às
esferas de governo.
A
situação nunca foi tão
favorável também para a
luta pela centralidade da questão
nacional. Num mundo onde governos são
depostos, como no Iraque, como no Haiti,
este governo que temos é também
uma conquista da causa da soberania nacional.
Vivemos,
portanto, uma situação muito
favorável à ampliação
da influência das idéias
do nosso Partido. Favorável à
ampliação da influência
política do nosso Partido. Favorável
ao seu crescimento. Favorável a
que o Partido amplie a sua presença nas
Câmaras Municipais, nas prefeituras,
nos governos e legislativos estaduais.
E favorável a que se multiplique,
pelo Brasil afora, a militância
aguerrida, a militância combativa,
a militância comunista do nosso
Partido."
O
Encontro Nacional do PCdoB sobre Questões
de Partido reuniu cerca de 300 quadros
comunistas durante três dias para
refletir e debater sobre uma nova linha
política de construção
partidária, contemporânea
e sintonizada com as condições
favoráveis que se abriram no país.
O objetivo é construir no Brasil
de hoje um partido comunista de massas,
estruturado pelas bases, sobretudo entre
os trabalhadores, unido e coeso a partir
de direções consolidadas
em especial nos maiores municípios,
com intenso protagonismo político
na luta dos trabalhadores e do povo.
De
Brasília,
Bernardo Joffily
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