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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

5 de março de 2004

PARTIDO VIVO
Encontro nacional do PCdoB debruça-se sobre o tema partido


Por Bernardo Joffily,
de Brasília

O PCdoB inicia hoje (5/3), em Brasília, o seu 1º Encontro Nacional sobre Questões de Partido. Durante três dias, perto de 300 quadros comunistas se debruçarão sobre os palpitantes problemas de como construir um partido comunista de massas nas condições do Brasil de 2004.

É uma reunião de reflexão e trabalho. Estão inscritos 176 delegados eleitos por todas as 27 direções estaduais, mais os 65 membros do Comitê Central, membros das comissões auxiliares nacionais e convidados. Os participantes trazem de seus locais de atuação os frutos do debate do Documento Base que preparou o Encontro. O outro critério de participação é estarem em dia com a contribuição financeira ao PCdoB.

O processo de preparação do Encontro gerou certa expectativa no coletivo partidário — derivada basicamente da nova realidade que o Brasil e o Partido atravessam no governo Luiz Inácio Lula da Silva. É uma realidade inédita para o PCdoB. Pela primeira vez em 82 anos de existência, ele participa do governo da União, travando, dentro e fora dele, a luta pela superação do atual modelo neoliberal e a construção de um novo modelo, nacional-desenvolvimentista e com valorização do trabalho.

Os urgentes problemas do crescimento

Estas novas circunstâncias redundaram num rápido crescimento partidário: durante o ano passado, o número de militantes comunistas passou de 34 mil para mais de 60 mil em todo o país. Ao mesmo tempo, exige respostas prementes para as questões que dela derivam. Walter Sorrentino, secretário nacional de Organização, elenca três questões de construção partidária que batem hoje às portas do PCdoB.

É preciso responder aos problemas do crescimento. O Partido coloca-se o desafio de ampliar ousadamente suas fileiras sem abdicar dos traços distintivos da organização comunista, que valoriza as organizações de base, a atividade permanente, a disciplina e a unidade de ação.

É preciso responder a uma certa "pressão rebaixadora", que este crescimento acarreta natural e inevitavelmente, devido ao afluxo de novos militantes, sem experiência anterior de militância comunista e em muitos casos com outras vivências, em outras legendas partidárias.

É preciso, em decorrência disto, estudar, debater, atualizar a questão partidária, enquanto domínio específico do pensamento marxista e da experiência do movimento comunista.

Em debate, o pensamento de partido

Na avaliação de Sorrentino, este domínio nem sempre tem tido a atenção que merece. Via de regra, as questões de partido ou são tratadas na esfera prática ou, na extremidade oposta, no nível ideológico e dos princípios. "O pensamento de partido é subdesenvolvido", resume, apontando a necessidade de todo um trabalho de elaboração teórica e política que faça a mediação entre as suas pontas.

O documento saído da 9ª Conferência do PCdoB iniciou um esforço neste sentido, mas em um momento — junho passado — em que a nova realidade ainda começava a se esboçar. Agora ela está mais configurada, e o Brasil do governo Lula expõe suas potencialidades de construção de um forte partido comunista de massas. Mas a condição para que a construção se efetive com solidez é ampará-la em uma linha política renovada de estruturação partidária.

É desta temática, vasta, complexa e relativamente pouco percorrida, que se ocupa o 1º Encontro Nacional de Questões de Partido.

Partido de massas, para disputar hegemonia

O conceito de partido comunista de massas já foi razoavelmente debatido no PCdoB. Ele não conflita com o de partido de vanguarda, característica que é a razão de ser do partido comunista, e sim com o de partido de quadros, com efetivos reduzidos, justificável nas condições da resistência clandestina à ditadura, mas não nas da democratização e da legalidade, nem muito menos nas do governo Lula.

Mais recente é o referenciamento na categoria leninista da construção da hegemonia política e ideológica. Apontada na 9ª Conferência, ela ajuda a entender porque a construção de partido, a estruturação partidária, é talvez o mais poderoso antídoto de que dispõe o PCdoB para fenômenos como o taticismo e a acumulação de forças como um fim em si mesmo. Não se combate eficazmente estes efeitos colaterais negativos - de uma situação em linhas gerais extremamente positiva e promissora - com exorcismos ou enclausurando-se numa leitura dogmática dos princípios. Combate-se, sim, concebendo e construindo, aqui e agora, um partido que seja comunista pela sua base de classe e filiação teórica, e de massas pelas suas dimensões e influência, estruturado em organizações de base dotadas de vida própria, enraizado sobretudo entre os trabalhadores, nem como na juventude e na intelectualidade.

Domingo, na seqüência do 1º Encontro, terão lugar também em Brasília dois ativos — um de organização e outro de finanças — para tirar conseqüências das conclusões daquela reunião tendo em vista estas duas áreas específicas e cruciais.

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