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| O nobre
e magnífico Ibrahim Ferrer: "terrorista" para o Departamento de Estado
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O cubano Ibrahim Ferrer ganhou neste
domingo (8/2) o prêmio Grammy de melhor
álbum de música tradicional de salsa por
Buenos Hermanos, mas não pôde participar
da cerimônia, já que o Governo americano
negou seu visto de entrada no país.
O premiação aconteceu em Los Angeles.
Esta é a 46ª edição do maior prêmio da
indústria fonográfica norte-americana.
Os cubanos dominavam todas as
indicações nesta categoria, com Ibrahim
Ferrer (Buenos Hermanos), Septeto
Nacional Ignacio Piñeiro (Poetas del Son),
Soneros de Verdad Presents Rubalcaba (Pasado
y Presente), Barbarito Torres (Barbarito
Torres) e Amadito Valdés (Bajando
Gervasio).
Com antecedência suficiente e cumprindo os
requisitos de rigor, os músicos que moram
na Ilha, indicados para receberem o
gramofone dourado da Academia das Artes e
as Ciências da Gravação (Naras),
solicitaram permissão de entrada na nação
do Norte.
O escritório de Interesses dos EUA em
Havana, comunicou-lhe que seus vistos
tinham sido negados, utilizando como
justificação a prerrogativa migratória
— seção 212(f) — aplicada nesse país a
terroristas, assassinos, narcotraficantes
e a qualquer pessoa que seja uma ameaça
para a segurança nacional dos Estados
Unidos.
Em setembro do ano passado, quando
Miami foi a sede do Grammy Latino,
viveu-se o mesmo episódio. Naquela
oportunidade, a manobra politiqueira foi
cozinhada pela máfia anticubana do sul da
Flórida; enquanto que nesta oportunidade
ficou a nu, sem máscaras, o verdadeiro
dono do show: o governo dos Estados
Unidos.
Para Ferrer, a decisão dos Estados
Unidos de não autorizar a sua entrada e a
de outros músicos de Cuba no país é uma
"provocação" e um exemplo de "embargo
cultural".
"Não é possível que eles nos considerem
terroristas suspeitos. Não nos deixar
participar da cerimônia de entrega dos
Grammy porque tocamos música da época da
Revolução. Nós, os cubamos, tomamos essa
atitude como um insulto, um ataque à
população e à cultura cubanas. Os EUA
estão tentando fazer um embargo cultural
igual ao comercial que já fizeram",
declarou o músico em uma entrevista
publicada ontem pelo jornal dinamarquês
Jyllands Posten.
Ferrer, que critica a mistura entre a
música e a política neste caso, acredita
que esta "humilhação" não ficará sem
resposta e acha que haverá uma reação
internacional.
"Meu grande sonho era ir aos EUA e voltar
de lá com um Grammy. Não entendo por que
não nos deixam entrar."
Ferrer assegura não conhecer
pessoalmente o presidente de Cuba, Fidel
Castro, a quem classifica como um "grande
homem e líder dotado de uma grande
personalidade, parte importante da
história dos cubanos".
Após qualificar de "ultraje" a decisão
de Washington, o presidente do Instituto
Cubano da Música, Abel Acosta, declarou à
imprensa, quinta-feira, 5, que "fizeram um
favor à máfia de Miami, entre a qual
também temos mercenários e chefões da
indústria da música que, além de
interesses políticos, também têm
interesses econômicos. Então se produzem
certas alianças políticas de conveniência
econômica. A única coisa coerente é o ódio
contra Cuba, contra os sucessos da cultura
cubana".
Além de Ferrer, foram proibidos de entrar
nos EUA os músicos Manuel Galván,
Barbarito Torres, Guillermo Rubalcaba,
Moisés Hernández, diretor da Banda
Nacional de Concertos e os jovens e
veteranos que formam o Septeto Nacional de
Ignacio Piñeiro.
Fonte: Granma e agências internacionais
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