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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

9 de FEVEREIRO de 2004

EMBARGO CULTURAL

Cubano Ibrahim Ferrer levou Grammy, mas foi vetado na festa pelos EUA
 
 
O nobre e magnífico Ibrahim Ferrer: "terrorista" para o Departamento de Estado

 

O cubano Ibrahim Ferrer ganhou neste domingo (8/2) o prêmio Grammy de melhor álbum de música tradicional de salsa por Buenos Hermanos, mas não pôde participar da cerimônia, já que o Governo americano negou seu visto de entrada no país.

O premiação aconteceu em Los Angeles. Esta é a 46ª edição do maior prêmio da indústria fonográfica norte-americana.

Os cubanos dominavam todas as indicações nesta categoria, com Ibrahim Ferrer (Buenos Hermanos), Septeto Nacional Ignacio Piñeiro (Poetas del Son), Soneros de Verdad Presents Rubalcaba (Pasado y Presente), Barbarito Torres (Barbarito Torres) e Amadito Valdés (Bajando Gervasio).

Com antecedência suficiente e cumprindo os requisitos de rigor, os músicos que moram na Ilha, indicados para receberem o gramofone dourado da Academia das Artes e as Ciências da Gravação (Naras), solicitaram permissão de entrada na nação do Norte.

O escritório de Interesses dos EUA em Havana, comunicou-lhe que seus vistos tinham sido negados, utilizando como justificação a prerrogativa migratória — seção 212(f) — aplicada nesse país a terroristas, assassinos, narcotraficantes e a qualquer pessoa que seja uma ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos.

Em setembro do ano passado, quando Miami foi a sede do Grammy Latino, viveu-se o mesmo episódio. Naquela oportunidade, a manobra politiqueira foi cozinhada pela máfia anticubana do sul da Flórida; enquanto que nesta oportunidade ficou a nu, sem máscaras, o verdadeiro dono do show: o governo dos Estados Unidos.

Para Ferrer, a decisão dos Estados Unidos de não autorizar a sua entrada e a de outros músicos de Cuba no país é uma "provocação" e um exemplo de "embargo cultural".

"Não é possível que eles nos considerem terroristas suspeitos. Não nos deixar participar da cerimônia de entrega dos Grammy porque tocamos música da época da Revolução. Nós, os cubamos, tomamos essa atitude como um insulto, um ataque à população e à cultura cubanas. Os EUA estão tentando fazer um embargo cultural igual ao comercial que já fizeram", declarou o músico em uma entrevista publicada ontem pelo jornal dinamarquês Jyllands Posten.

Ferrer, que critica a mistura entre a música e a política neste caso, acredita que esta "humilhação" não ficará sem resposta e acha que haverá uma reação internacional.

"Meu grande sonho era ir aos EUA e voltar de lá com um Grammy. Não entendo por que não nos deixam entrar."

Ferrer assegura não conhecer pessoalmente o presidente de Cuba, Fidel Castro, a quem classifica como um "grande homem e líder dotado de uma grande personalidade, parte importante da história dos cubanos".

Após qualificar de "ultraje" a decisão de Washington, o presidente do Instituto Cubano da Música, Abel Acosta, declarou à imprensa, quinta-feira, 5, que "fizeram um favor à máfia de Miami, entre a qual também temos mercenários e chefões da indústria da música que, além de interesses políticos, também têm interesses econômicos. Então se produzem certas alianças políticas de conveniência econômica. A única coisa coerente é o ódio contra Cuba, contra os sucessos da cultura cubana".

Além de Ferrer, foram proibidos de entrar nos EUA os músicos Manuel Galván, Barbarito Torres, Guillermo Rubalcaba, Moisés Hernández, diretor da Banda Nacional de Concertos e os jovens e veteranos que formam o Septeto Nacional de Ignacio Piñeiro.

Fonte: Granma e agências internacionais

 

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