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| A
cabeça de boi alimentará
os "bloqueadores" de San
Julián |
"Goni
(o presidente Gonzalo Sánchez de
Lozada) deve renunciar, Carlos Mesa (o
vice) deve assumir a presidência
constitucional." Com esta fórmula
concreta, um bloco de partidos de esquerda
bolivianos, com raízes reais nas
massas populares sublevadas, apresentou
na terça-feira uma alternativa
imediata e viável para a crise
de poder. A fórmula inclui a formação
de um governo provisório e a convocação
de uma Assembléia Constituinte.
Entre
as assinaturas do comunicado conjunto,
figura em primeiro lugar o Movimiento
ao Socialismo (MAS), a mais forte das
siglas oposicionistas, encabeçada
por Evo Morales. Assinam também
o Movimento Sem Medo, o Partido Comunista
da Bolívia, Pátria Socialista
Multinacional, Partido Revolucionário
do Povo e Partido Socialista – 1 (Walter
Vásquez Michel). Veja a íntegra
do documento:
"Goni
deve renunciar"
"Gonzalo
Sánchez de Lozada perdeu a escassa
legitimidade com que chegou ao Palácio
Quemado. A democracia não é
ele e nunca o foi. O único apoio
que tem é o da Embaixada ianque
e de certos comandos das Forças
Armadas e da Polícia.
O
povo quer uma democracia em que participe
e decida. É falso, portanto, que
a maioria dos bolivianos seja sediciosa,
como afirma Gonzalo Sánchez de
Lozada, a quem o povo diz em todos os
tons que renuncie.
Diz-lhe
que se vá porque o povo não
esquecerá os mortos e feridos.
Tampouco haverá perdão para
ele pois o sangue foi derramado porque
o atual governo defende os interesses
das empresas transnacionais e não
os do povo e do país.
A
democracia está ameaçada
pela ação do governo do
MNR/MIR/NFR. Portanto, a ameaça
à democracia não parte do
povo insurreto. O povo conquistou seu
espaço com múltiplas ações,
com uma crescente quota de sangue e com
sacrifícios que continuam a se
acumular.
Se
ainda resta alguma generosidade ao ainda
presidente da República, ele deve
renunciar agora. Só assim pode-se
deter o massacre.
Em
defesa da democracia e dos interesses
nacionais e populares, e para evitar uma
maior efusão de sangue, perante
a renúncia de Sánchez de
Lozada deve assumir a presidência
constitucional do país o vice-presidente
Carlos de Mesa, o qual deve, o quanto
antes, constituir um governo provisório
que se comprometa a recuperar os hidrocarbonetos
para os bolivianos, a tomar medidas destinadas
à recuperação do
aparelho produtivo e à convocatória
de uma Assembléia Constituinte."
Sublevação,
conteúdo e forma
A
fórmula proposta no comunicado
conjunto aponta uma saída imediata
para a crise que ensanguenta o país,
com perto de 70 mortos pelas forças
repressivas, o que até o momento
só fez redobrar o impulso do povo
insurreto. O vice-presidente, Carlos D.
Mesa, um historiador e jornalista, distanciou-se
de Sánchez de Lozada quando a crise
se agravou, dizendo que deixava o Poder
Executivo, mas não o cargo de vice,
e que se disporia a assumir a presidência.
Entre
os seus objetivos, a rebelião elegeu
como centro a mudança de governo
e como palavra-de-ordem central a exigência
do presidente Sánchez de Lozada
— também chamado depreciativamente
"Goni", ou ainda "El Gringo",
por falar o espanhol com sotaque americano,
devido a sua longa permanência nos
Estados Unidos.
Em
seu formato, o movimento — que alguns
apresentam como a maior sublevação
civil da história contemporânea
da América do Sul — apresenta uma
imensa variedade, como costuma ocorrer
em jornadas desta amplitude. Vai convergindo,
porém, para uma gigantesca marcha
sobre La Paz, formada por legiões
de mineiros e camponeses, estudantes e
cocaleros, desempregados e mulheres, famintos
— um povo inteiro que parece decidido
a tomar o destino da Bolívia em
suas mãos. Depois dos massacres
de El Alto, no fim de semana, os esforços
do Exército e da Polícia
se concentram em deter essa maré
humana, mesmo à custa de mais derramamento
de sangue. Até ontem, porém,
eram esforços em vão.
Veja
Também:
Reportagem
boliviana: avança a sublevação
popular
Pressões
e ingerências de
Washington na crise da Bolívia
Megacoalizão
2: a vida da Bolívia imita a arte
de Hollywood
Para
um acompanhamento da
crise em tempo real, de um
ponto de vista simpático ao
povo rebelado (em espanhol),
http://www.Econoticiasbolivia.com
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