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| Olga
Benário |
Um dos maiores sucessos
editoriais brasileiros, "Olga",
de Fernando Morais — que conta a história
da militante comunista alemã que foi
companheira de Luiz Carlos Prestes — ganhará uma versão cinematográfica. As
filmagens serão iniciadas em 15 de
agosto, tendo como protagonista Camila
Morgado, que recentemente brilhou como a
Manuela da minissérie "A Casa das
Sete Mulheres".
Será uma dupla estréia
no cinema, tanto de Morgado quanto do
diretor Jayme Monjardim, justamente seu
descobridor na série da Globo. Estão
estimadas dez semanas de filmagem, com
previsão de estréia entre maio e junho
de 2004. O intérprete de Luiz Carlos
Prestes, marido de Olga Benário, ainda
está sendo escolhido. Monjardim disse em
entrevista à Reuters que a idéia é
"encontrar alguém com a alma do
Prestes, mesmo que o físico não
coincida".
Outros atores do elenco
já estão definidos. Fernanda Montenegro
fará Leocádia Prestes, mãe do líder
comunista e responsável pela salvação
do bebê Anita Leocádia, filha de Olga e
Prestes, nascida num campo de
concentração nazista.
Antonio Calloni será
Arthur Ewert, militante comunista
clandestino que morre nos cárceres
getulistas. A estreante Renata Jesion
será a mulher de Ewert, Elise, que se
tornará a principal confidente de Olga na
prisão. Mariana Lima interpretará o
papel de Lygia, irmã de Prestes.
Para encarar o desafio,
Camila Morgado está enfrentando uma
série de mudanças, inclusive físicas.
Para começar, tingiu os cabelos louros de
preto, cortando-os à altura dos ombros.
Mais adiante na história, será preciso
cortá-los totalmente, para reviver o
calvário de Olga no campo de
concentração alemão.
A atriz também está
aprendendo alemão — Olga era uma judia
alemã — e submetendo-se a intenso
treinamento militar. Ela chegou a dormir
uma noite no 1º Batalhão de Guarda de
São Conrado, no Rio de Janeiro, e
aprendeu até a mexer com fuzis e
pistolas, coisa extremamente difícil para
a atriz. "Tenho pânico de
armas", confessa.
Força e disciplina
Outra etapa complicada
é o treinamento físico, já que a atriz,
esguia e frágil, é avessa a academias.
"Mas agora, como vou precisar ter
maior definição muscular para me parecer
com a Olga, vou pegar no pesado",
brinca.
Para Morgado, viver uma
personagem com uma vida e personalidade
tão complexas está sendo uma superação
contínua de obstáculos e até de
preconceitos.
"Às vezes, a gente
tem uma visão estereotipada das coisas.
Eu tinha, por exemplo, uma visão errada
do Exército. No entanto, descobri que
eles têm em comum com a Olga esse ideal
de disciplina, essa noção de que você
pode até morrer, mas não se rende. Além
disso, eles estão dando a maior
colaboração ao filme, mesmo que a Olga
verdadeira em vida tenha sido contrária a
eles", conta.
A roteirista Rita
Buzzar, que comprou os direitos do livro
— que vendeu mais de 400 mil exemplares e
foi traduzido para 21 países — afirmou
que o orçamento deve girar em torno dos 8
milhões de reais, sendo captados no
Brasil.
O filme é uma parceria
da Nexus Cinema e Vídeo com a Globo
Filmes, mas poderá contar com recursos do
exterior, já que algumas seqüências,
como as do campo de concentração, serão
feitas na Alemanha e Romênia.
A idéia de Buzzar é
que este segmento seja filmado no próprio
campo em que Olga esteve presa e morreu,
em Havensbruck, onde ainda restam alguns
galpões da construção original.
"Isto seria até uma homenagem",
salienta.
A roteirista conta que
está mantendo contatos com produtoras e
emissoras de TV alemãs, que ainda podem
entrar como parceiras financeiras do
projeto.
Caso esta parceria se
concretize, há possibilidade de que
alguns atores europeus sejam agregados ao
elenco. Mas nada foi acertado ainda.
Companheira
Olga
Benário Prestes nasceu em Munique, na
Alemanha e desde cedo era militante
comunista. Graduada pelo Comintern,
recebeu a mais importante tarefa de sua
vida: contribuir para a realização de
uma Revolução Comunista no Brasil.
No
Brasil, já casada com Luís Carlos
Prestes, líder da Insurreição de 1935,
Olga foi fundamental no processo de
andamento da revolução. Morando no Rio
de Janeiro, através das inúmeras reuniões,
Olga conviveu com todos os integrantes da
liderança do movimento do qual nasceram
grandes amizades.
Com
o fracasso da revolução e a sua conseqüente
prisão, Olga, grávida de sete meses, foi
entregue a Hitler por Vargas e deportada
para a Alemanha onde foi presa. Longe do
Brasil, país por qual aprendeu a admirar
e a amar, Olga Benário teve sua primeira
e única filha, Anita Leocádia.
Em
um dos campos de concentração da
Alemanha nazista, Olga vivencia os últimos
dias de sua vida. Morta por um gás letal,
ela ainda vive, como uma forte e brava
companheira da luta dos povos por um mundo
mais justo e igualitário, deixando sua
marca na história do nosso país e do
nosso Partido.
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