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Brasil, quinta-feira, 28 de agosto de 2008

11 de julho de 2003

homenagem
"Olga", de Fernando Morais, vai virar filme
 
Olga Benário

Um dos maiores sucessos editoriais brasileiros, "Olga", de Fernando Morais — que conta a história da militante comunista alemã que foi companheira de Luiz Carlos Prestes — ganhará uma versão cinematográfica. As filmagens serão iniciadas em 15 de agosto, tendo como protagonista Camila Morgado, que recentemente brilhou como a Manuela da minissérie "A Casa das Sete Mulheres".

Será uma dupla estréia no cinema, tanto de Morgado quanto do diretor Jayme Monjardim, justamente seu descobridor na série da Globo. Estão estimadas dez semanas de filmagem, com previsão de estréia entre maio e junho de 2004. O intérprete de Luiz Carlos Prestes, marido de Olga Benário, ainda está sendo escolhido. Monjardim disse em entrevista à Reuters que a idéia é "encontrar alguém com a alma do Prestes, mesmo que o físico não coincida".

Outros atores do elenco já estão definidos. Fernanda Montenegro fará Leocádia Prestes, mãe do líder comunista e responsável pela salvação do bebê Anita Leocádia, filha de Olga e Prestes, nascida num campo de concentração nazista.

Antonio Calloni será Arthur Ewert, militante comunista clandestino que morre nos cárceres getulistas. A estreante Renata Jesion será a mulher de Ewert, Elise, que se tornará a principal confidente de Olga na prisão. Mariana Lima interpretará o papel de Lygia, irmã de Prestes.

Para encarar o desafio, Camila Morgado está enfrentando uma série de mudanças, inclusive físicas. Para começar, tingiu os cabelos louros de preto, cortando-os à altura dos ombros. Mais adiante na história, será preciso cortá-los totalmente, para reviver o calvário de Olga no campo de concentração alemão.

A atriz também está aprendendo alemão — Olga era uma judia alemã — e submetendo-se a intenso treinamento militar. Ela chegou a dormir uma noite no 1º Batalhão de Guarda de São Conrado, no Rio de Janeiro, e aprendeu até a mexer com fuzis e pistolas, coisa extremamente difícil para a atriz. "Tenho pânico de armas", confessa.

Força e disciplina

Outra etapa complicada é o treinamento físico, já que a atriz, esguia e frágil, é avessa a academias. "Mas agora, como vou precisar ter maior definição muscular para me parecer com a Olga, vou pegar no pesado", brinca.

Para Morgado, viver uma personagem com uma vida e personalidade tão complexas está sendo uma superação contínua de obstáculos e até de preconceitos.

"Às vezes, a gente tem uma visão estereotipada das coisas. Eu tinha, por exemplo, uma visão errada do Exército. No entanto, descobri que eles têm em comum com a Olga esse ideal de disciplina, essa noção de que você pode até morrer, mas não se rende. Além disso, eles estão dando a maior colaboração ao filme, mesmo que a Olga verdadeira em vida tenha sido contrária a eles", conta.

A roteirista Rita Buzzar, que comprou os direitos do livro — que vendeu mais de 400 mil exemplares e foi traduzido para 21 países — afirmou que o orçamento deve girar em torno dos 8 milhões de reais, sendo captados no Brasil.

O filme é uma parceria da Nexus Cinema e Vídeo com a Globo Filmes, mas poderá contar com recursos do exterior, já que algumas seqüências, como as do campo de concentração, serão feitas na Alemanha e Romênia.

A idéia de Buzzar é que este segmento seja filmado no próprio campo em que Olga esteve presa e morreu, em Havensbruck, onde ainda restam alguns galpões da construção original. "Isto seria até uma homenagem", salienta.

A roteirista conta que está mantendo contatos com produtoras e emissoras de TV alemãs, que ainda podem entrar como parceiras financeiras do projeto. 

Caso esta parceria se concretize, há possibilidade de que alguns atores europeus sejam agregados ao elenco. Mas nada foi acertado ainda.

Companheira

Olga Benário Prestes nasceu em Munique, na Alemanha e desde cedo era militante comunista. Graduada pelo Comintern, recebeu a mais importante tarefa de sua vida: contribuir para a realização de uma Revolução Comunista no Brasil. 

No Brasil, já casada com Luís Carlos Prestes, líder da Insurreição de 1935, Olga foi fundamental no processo de andamento da revolução. Morando no Rio de Janeiro, através das inúmeras reuniões, Olga conviveu com todos os integrantes da liderança do movimento do qual nasceram grandes amizades.

Com o fracasso da revolução e a sua conseqüente prisão, Olga, grávida de sete meses, foi entregue a Hitler por Vargas e deportada para a Alemanha onde foi presa. Longe do Brasil, país por qual aprendeu a admirar e a amar, Olga Benário teve sua primeira e única filha, Anita Leocádia.

Em um dos campos de concentração da Alemanha nazista, Olga vivencia os últimos dias de sua vida. Morta por um gás letal, ela ainda vive, como uma forte e brava companheira da luta dos povos por um mundo mais justo e igualitário, deixando sua marca na história do nosso país e do nosso Partido.

 

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