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VERMELHO .:: Caderno Paulista ::.
 
 

13 de junho de 2003

Jocelin de Lima Bezerra
Produção cultural: um campo de luta das idéias e da mudança de valores

 

Estamos num momento crucial da história política e cultural do nosso país. Observemos com as lentes do materialismo, e teremos clareza da atual realidade. É o momento mais pujante na luta dos contrários, luta essa, que se representa pela luta de classes, em todos os setores sociais na atual conjuntura.

A tática eleitoral atingiu o objetivo, representa a possibilidade de iniciar o caminho de enlarguecer a democracia burguesa e preparar o caminho ao socialismo; em primeiro plano se sintetiza uma resistência ao hegemonismo neoliberal em alguns pontos. Entendo que se abrem umas portas, e outras (infelizmente) continuam fechadas, devido à própria realidade.

O Partido é uma força propulsora, com todo seu tamanho, representa nesta luta, a qualificação dos objetivos da construção socialista; e não acredito que seja por via pacifica, por isso surge a necessidade de inserir e crescer o Partido. O governo Lula é um fenômeno criado pela necessidade que a realidade condicionou; como todo fenômeno, ele não foge da regra, ele advém com viés de contradição, ou seja, a luta dos contrários entre o velho e o novo; portanto, nós os comunistas seremos elementos novos nesta luta entre o velho e o novo porque fomos agentes de construção do atual estágio. Agora é preciso entender esse processo, que não é fácil e muito menos impossível de ser ultrapassado; portanto, requer cautela e firmeza nos passos, para a atual realidade não morrer em si mesmo.

Entre tantas outras frentes de atuação, nenhuma é tão importante quanto a da atuação da frente cultural no atual momento neste país. Até porque ela interage em todas as outras frentes do nosso partido; a frente cultural tem poder de produzir a essência dos valores novos neste processo transitório e crucial para a vida do nosso povo; ela tem papel agregado em todas as frentes, criando a reflexão ao processo da conscientização do rumo revolucionário; estimulando o espírito comunista.

Entendo que a ação política poderá definir o caminho desta frente porque a atuação dela não é um fim em si mesmo, mas numa cadeia de elementos, do qual o fiel da balança é os elementos políticos; sendo assim, a cultura dos oprimidos será o ponto de partida desse caminho para a elevação de seu conhecimento e ampliação de seu saber, ou seja, fazendo os oprimidos e excluídos terem acesso às técnicas das transformações econômicas e sociais.

Precisamos ser cada vez mais o setor social que mais crie opinião no setor da classe média trabalhadora e dos excluídos; e o que mais tem facilidade de despertar é a frente cultural. Quando me refiro à frente cultural, entendo-a por todas as suas variantes, desde o cumprimento de horário até os registros literários, plásticos, cinematográficos, musicais e outros.

Nessa chamada de atenção, percebo que precisamos sistematizar a nossa intervenção de forma orgânica e orientada; destacando quadros e promovendo-os de forma que suas qualidades possam ser aproveitadas nas devidas realidades; a experiência revolucionária já nos mostra historicamente que foi preciso recorrer ao alimento da alma com pintadas de cultura a processo revolucionários em vários continentes que chegaram a experiências socialistas.

O nosso acúmulo de conhecimento teórico terá necessidade de ser difundido através de nossas idéias, para que alcancemos ultrapassar as transições e ajudemos os novos valores a serem hegemonizados diante dos velhos. Não usaremos a cultura como bastião, mas que os comunistas se expressem através da produção cultural; o que é de mais essencial do ser humano: a revelação do saber/sentir/fazer.

Dentro deste contexto, faz-se necessário aos comunistas debruçarem-se na produção cultural de forma militante, engajada, combatendo a cultura mercadológica que renega a produção popular e reflexiva. Os comunistas precisam criar, participar de grupos culturais que envolvam os valores do povo, ao mesmo tempo entrelaçando o sentimento solidário de caráter proletário.

Dentre essa tarefa, que organicamente é ausente, mas existente porém dispersa, percebe-se a atuação dos comunistas no movimento Hip-Hop; da intelectualidade literária; cinematográfica; cênica; e outras. Além de produtores de eventos. Não estamos no tempo em que só é preciso elogiar os que produzem cultura. É preciso fazer intercâmbio, como a UNE vem fazendo com os CUCAs; temos que ter elo de ligação dos comunistas que produzem cultura. Além disso, faz-se necessário invadir o movimento das rádios comunitárias para instrumentalizar a propaganda da produção cultural, criando ecos na produção, não de uma forma massificada, mas de uma forma reflexiva, consciente e revolucionária, além de manter a contemplação das tendências culturais, respeitando a estética e incorporando conteúdo.

Portanto, entendo que "o PCdoB, em todos os escalões (inclusive o de cultura — grifo meu), precisa agir com mais descortino político, fazer com que seu coletivo se aproprie da orientação política e lhe confira dimensão de massa mais ampla (...)".

O projeto político tem que incluir a frente cultural para ação de massas. Finalizo tendo a sã consciência de ter contribuído para esta 9ª conferência. Saudações comunistas!
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Jocelin de Lima Bezerra é do Comitê Estadual do RN.

 

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