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Estamos
num momento crucial da história política
e cultural do nosso país. Observemos com
as lentes do materialismo, e teremos
clareza da atual realidade. É o momento
mais pujante na luta dos contrários, luta
essa, que se representa pela luta de
classes, em todos os setores sociais na
atual conjuntura.
A
tática eleitoral atingiu o objetivo,
representa a possibilidade de iniciar o
caminho de enlarguecer a democracia
burguesa e preparar o caminho ao
socialismo; em primeiro plano se sintetiza
uma resistência ao hegemonismo neoliberal
em alguns pontos. Entendo que se abrem
umas portas, e outras (infelizmente)
continuam fechadas, devido à própria
realidade.
O
Partido é uma força propulsora, com todo
seu tamanho, representa nesta luta, a
qualificação dos objetivos da
construção socialista; e não acredito
que seja por via pacifica, por isso surge
a necessidade de inserir e crescer o
Partido. O governo Lula é um fenômeno
criado pela necessidade que a realidade
condicionou; como todo fenômeno, ele não
foge da regra, ele advém com viés de
contradição, ou seja, a luta dos
contrários entre o velho e o novo;
portanto, nós os comunistas seremos
elementos novos nesta luta entre o velho e
o novo porque fomos agentes de
construção do atual estágio. Agora é
preciso entender esse processo, que não é
fácil e muito menos
impossível de ser ultrapassado; portanto,
requer cautela e firmeza nos passos, para
a atual realidade não morrer em si mesmo.
Entre
tantas outras frentes de atuação,
nenhuma é tão importante quanto a da
atuação da frente cultural no atual
momento neste país. Até porque ela
interage em todas as outras frentes do
nosso partido; a frente cultural tem poder
de produzir a essência dos valores novos
neste processo transitório e crucial para
a vida do nosso povo; ela tem papel
agregado em todas as frentes, criando a
reflexão ao processo da conscientização
do rumo revolucionário; estimulando o
espírito comunista.
Entendo
que a ação política poderá definir o
caminho desta frente porque a atuação
dela não é um fim em si mesmo, mas numa
cadeia de elementos, do qual o fiel da
balança é os elementos políticos; sendo
assim, a cultura dos oprimidos será o
ponto de partida desse caminho para a
elevação de seu conhecimento e
ampliação de seu saber, ou seja, fazendo
os oprimidos e excluídos terem acesso às
técnicas das transformações econômicas
e sociais.
Precisamos
ser cada vez mais o setor social que mais
crie opinião no setor da classe média
trabalhadora e dos excluídos; e o que
mais tem facilidade de despertar é a
frente cultural. Quando me refiro à
frente cultural, entendo-a por todas as suas
variantes, desde o cumprimento de
horário até os registros literários,
plásticos, cinematográficos, musicais e
outros.
Nessa
chamada de atenção, percebo que
precisamos sistematizar a nossa
intervenção de forma orgânica e
orientada; destacando quadros e
promovendo-os de forma que suas qualidades
possam ser aproveitadas nas devidas
realidades; a experiência revolucionária
já nos mostra historicamente que foi
preciso recorrer ao alimento da alma com
pintadas de cultura a processo
revolucionários em vários continentes
que chegaram a experiências socialistas.
O
nosso acúmulo de conhecimento teórico
terá necessidade de ser difundido
através de nossas idéias, para que
alcancemos ultrapassar as transições e
ajudemos os novos valores a serem
hegemonizados
diante dos velhos. Não usaremos a cultura
como bastião, mas que os comunistas se expressem através da produção
cultural;
o que é de mais essencial do ser humano: a revelação do
saber/sentir/fazer.
Dentro
deste contexto, faz-se necessário aos
comunistas debruçarem-se na produção
cultural de forma militante, engajada,
combatendo a cultura mercadológica que
renega a produção popular e reflexiva.
Os comunistas precisam criar, participar
de grupos culturais que envolvam os
valores do povo, ao mesmo tempo
entrelaçando o sentimento solidário de
caráter proletário.
Dentre
essa tarefa, que organicamente é ausente,
mas existente porém dispersa, percebe-se a
atuação dos comunistas no movimento
Hip-Hop; da intelectualidade literária;
cinematográfica; cênica; e outras. Além
de produtores de eventos. Não estamos no
tempo em que só é preciso elogiar os que
produzem cultura. É preciso fazer
intercâmbio, como a UNE vem fazendo com os
CUCAs; temos que ter elo de ligação
dos comunistas que produzem cultura. Além
disso, faz-se necessário invadir o
movimento das rádios comunitárias para
instrumentalizar a propaganda da
produção cultural, criando ecos na
produção, não de uma forma massificada,
mas de uma forma reflexiva, consciente e
revolucionária, além de manter a
contemplação das tendências culturais,
respeitando a estética e incorporando
conteúdo.
Portanto,
entendo que "o PCdoB, em todos os
escalões (inclusive o de cultura — grifo
meu), precisa agir com mais descortino
político, fazer com que seu coletivo se
aproprie da orientação política e lhe
confira dimensão de massa mais ampla
(...)".
O
projeto político tem que incluir a frente
cultural para ação de massas. Finalizo
tendo a sã consciência de ter
contribuído para esta 9ª conferência. Saudações comunistas!
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Jocelin de Lima Bezerra é do Comitê
Estadual do RN.
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