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"As condições de um
desastre humanitário persistem"
no Iraque, segundo declarou o novo coordenador
humanitário da ONU para o país,
Ramiro Lopes da Silva. Em coletiva de
imprensa, o diplomata nascido em Moçambique
disse que dois terços dos iraquianos
dependem totalmente de ajuda alimentar,
observando que mesmo antes da guerra a
subnutrição aumentava no
país, devido ao embargo estabelecido
em 1990.
Em
Basra, no sul do país, a ONU abriu
uma representação permanente
e diagnosticou que a região sofre
uma "crise crônica e estrutural
grave", mais que uma "crise
humanitária". A coordenadora
das operações das Nações
Unidas na cidade, Kim Bolduc, avalia que
"é preciso reerguer diferentes
serviços públicos e obras
de infraestrutura, criar empregos, assegurar
os serviços essenciais, eis o objetivo".
Ela advertiu que "caso não
haja uma intervenção a tempo,
a situação poderia se agravar
e então nos confrontaríamos
com uma crise humanitária".
Um
navio cargueiro do Programa Alimentar
Mundial (PAM) chegou quarta-feira a Um
Qasr, o único porto de águas
profundas do país, situado 50 quilômetros
ao sul de Basra. "As operações
(de ajuda) começaram há
sete ou oito dias. A Unicef e o PAM retomaram
contato com a sua rede local visando reorganizar
suas atividades", relatou Kim Bolduk.
A Organização Mundial de
Saúde (OMS) terá a tarefa
de recuperar o setor sanitário,
apoiando-se no experimentado corpo médico
iraquiano. As enfermidades crônicas
serão objeto de uma atenção
especial, assim como os serviços
de saúde, fornecimento de água,
alimentação, educação
e desativamento de munições
que não explodiram.
Os
estabelecimentos de ensino reabriram mas
sentem uma drástica carência
de material didático e às
vezes até de móveis, embora
a Unicef procure abastecer as escolas.
A coordenadora da ONU insiste na necessidade
de se "despolitizar a escola",
onde antes os alunos deviam jurar lealdade
a Saddam Hussein. A maior parte dos membros
do Birô de Coordenação
da Ajuda Humanitária ao Iraque
(Unohci) chegaram ao país no sábado,
vindos do Kuait. A organização,
já presente em Basra, Bagdá
e Erbil (no norte), instalará representações
em Mossul e Hilla, "assim que as
condições permitirem",
segundo Kim Bolduc.
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