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Brasil, domingo, 5 de julho de 2009

5 de maio de 2003

SOB OCUPAÇÃO DO IMPÉRIO
Crise humanitária ainda ameaça o Iraque


"As condições de um desastre humanitário persistem" no Iraque, segundo declarou o novo coordenador humanitário da ONU para o país, Ramiro Lopes da Silva. Em coletiva de imprensa, o diplomata nascido em Moçambique disse que dois terços dos iraquianos dependem totalmente de ajuda alimentar, observando que mesmo antes da guerra a subnutrição aumentava no país, devido ao embargo estabelecido em 1990.

Em Basra, no sul do país, a ONU abriu uma representação permanente e diagnosticou que a região sofre uma "crise crônica e estrutural grave", mais que uma "crise humanitária". A coordenadora das operações das Nações Unidas na cidade, Kim Bolduc, avalia que "é preciso reerguer diferentes serviços públicos e obras de infraestrutura, criar empregos, assegurar os serviços essenciais, eis o objetivo". Ela advertiu que "caso não haja uma intervenção a tempo, a situação poderia se agravar e então nos confrontaríamos com uma crise humanitária".

Um navio cargueiro do Programa Alimentar Mundial (PAM) chegou quarta-feira a Um Qasr, o único porto de águas profundas do país, situado 50 quilômetros ao sul de Basra. "As operações (de ajuda) começaram há sete ou oito dias. A Unicef e o PAM retomaram contato com a sua rede local visando reorganizar suas atividades", relatou Kim Bolduk. A Organização Mundial de Saúde (OMS) terá a tarefa de recuperar o setor sanitário, apoiando-se no experimentado corpo médico iraquiano. As enfermidades crônicas serão objeto de uma atenção especial, assim como os serviços de saúde, fornecimento de água, alimentação, educação e desativamento de munições que não explodiram.

Os estabelecimentos de ensino reabriram mas sentem uma drástica carência de material didático e às vezes até de móveis, embora a Unicef procure abastecer as escolas. A coordenadora da ONU insiste na necessidade de se "despolitizar a escola", onde antes os alunos deviam jurar lealdade a Saddam Hussein. A maior parte dos membros do Birô de Coordenação da Ajuda Humanitária ao Iraque (Unohci) chegaram ao país no sábado, vindos do Kuait. A organização, já presente em Basra, Bagdá e Erbil (no norte), instalará representações em Mossul e Hilla, "assim que as condições permitirem", segundo Kim Bolduc.

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