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Atendendo a uma sugestão do Comitê
Baiano contra a Guerra, do qual fazem
parte as mais importantes entidades
populares do Estado, os vereadores Olívia
Santana e Reginaldo Oliveira, ambos do
PCdoB, apresentaram um projeto de Lei na
Câmara Municipal de Salvador propondo a
mudança do nome da Avenida Estados Unidos
(que fica no centro comercial da cidade)
para "Avenida da Paz".
Na
terça-feira (1/4), o Comitê Baiano
contra a Guerra promoveu uma
manifestação em Salvador na qual trocou
simbolicamente as placas com o nome da
avenida Estados Unidos por outras com o
nome Avenida da Paz (foto). Também fez a
troca simbólica do nome da Praça
Inglaterra para "Praça da
Solidariedade Internacional".
Na justificativa do projeto, os vereadores
afirmam que "Sob
a administração Bush, e depois dos
atentados de 11 de Setembro, os EUA
oficializaram sua nova doutrina militar,
baseada nos conceitos de "guerra
preventiva" e de "guerra
duradoura e infinita", através das
quais, a seu livre arbítrio podem
derrocar qualquer governo estrangeiro
soberano, em qualquer parte do mundo. Está,
pois, proclamado o domínio unilateral dos
EUA. Assim, além do Iraque, todos os
demais países sentem-se ameaçados."
e sob esta ótica os EUA não merecem ter
um logradouro em sua homenagem na cidade.
Confira a baixo a íntegra do projeto:
PROJETO DE LEI Nº
“
Denomina Avenida da Paz a um logradouro público
desta cidade.”
A
Câmara Municipal de Salvador
Decreta:
Art.
1º
- A Avenida Estados Unidos, localizada na cidade Baixa/Comércio, passa
a denominar-se
Avenida
da Paz.
Art.
2º - As despesas decorrentes da presente
Lei correrão por conta da verba própria
do orçamento vigente.
Art.
3º - Esta Lei entra em vigor na data da
sua publicação.
JUSTIFICATIVA:
Após
meses de ameaças e chantagens começou na
noite da última quarta-feira (horário de
Brasília) a guerra contra o Iraque. As
forças agressoras, armadas com a mais
moderna tecnologia militar existente,
despejam desde então grande quantidade de
mísseis sobre alvos civis e militares
principalmente sobre a capital Bagdá. Por
terra, iniciaram a invasão do país,
enquanto as forças iraquianas, ainda que
debilitadas militarmente por mais de dez
anos de bloqueio, buscam bravamente
resistir, impondo perdas importantes aos
agressores. O país árabe, um dos berços
da civilização, é ameaçado de uma
brutal destruição. É uma guerra de
extermínio, em que os EUA não titubeiam
em utilizar as armas mais letais,
configurando um genocídio de grandes
proporções, e representando uma ameaça
contra os iraquianos e toda a humanidade.
A guerra de Bush contra o Iraque é a
manifestação mais dura da barbárie
contra a civilização.
A
guerra não se justifica de nenhuma
maneira, sendo falsos os argumentos do
governo Bush, que fundou sua declaração
de guerra na tese da ameaça que o Iraque
representaria para a segurança nacional
dos EUA e na justificativa da existência
de armas de destruição em massa pelo
governo de Bagdá. Ignorou, no entanto, as
declarações dos próprios chefes dos
inspetores da ONU, Hans Blix e Al-Baradei
que, após meses de busca, não
encontraram as armas e em relatório ao
Conselho de Segurança pediram mais tempo
para as inspeções. Na verdade, desde o
final da primeira guerra do golfo em 1991,
o Iraque está bloqueado e na defensiva, não
tendo, desde então, a mínima chance de
se rearmar.
Está
em curso, por parte dos Estados Unidos, um
plano de domínio do mundo. Desde o
desaparecimento da União Soviética e a
derrota temporária do socialismo, os
Estados Unidos são a única superpotência
com alcance global, possuindo bases
militares em mais de 70 países e um orçamento
militar de cerca de 400 bilhões de dólares,
que corresponde a mais de um terço do
gasto militar de todos os países. Sob a
administração Bush, e depois dos
atentados de 11 de Setembro, os EUA
oficializaram sua nova doutrina militar,
baseada nos conceitos de "guerra
preventiva" e de "guerra
duradoura e infinita", através das
quais, a seu livre arbítrio podem
derrocar qualquer governo estrangeiro
soberano, em qualquer parte do mundo. Está,
pois, proclamado o domínio unilateral dos
EUA. Assim, além do Iraque, todos os
demais países sentem-se ameaçados.
A
guerra ao Iraque tem objetivos geopolíticos,
estratégicos e econômicos. No centro
desses objetivos está o controle da Ásia
Central, da região do Golfo Pérsico-arábico
e do Oriente Médio, regiões onde estão
as maiores reservas petrolíferas do
mundo, fundamentais para os EUA, um país
parasitário, e onde é iminente uma crise
energética.
A
agressão estadunidense transgride as mais
elementares normas convencionadas de relações
entre as nações. O próprio papel da
Organização das Nações Unidas está em
xeque. Os Estados Unidos atropelaram a
ONU, passando a considerá-la
"irrelevante" e "irresponsável",
desferindo assim duro golpe no sistema
multilateral. Na nova situação, os EUA
querem transformar as Nações Unidas numa
instituição com funções meramente
cartoriais e burocráticas, cabendo-lhe a
organização de "missões humanitárias"
no rastro das agressões da superpotência.
O fato poderá trazer sérias conseqüências
para a ordem mundial, pois se inicia um
período de obscuro banditismo explícito
dos Estados Unidos. A ordem internacional
vigente está gravemente ferida.
A
luta pela paz tem sentido humanista e
revolucionário. É uma bandeira avançada,
ao mesmo tempo radical e ampla e de
interesse de todos os povos do mundo.
Afinal, neste momento em que os EUA se
tornam mais agressivos e militarizam a
vida do planeta, cresce o sentimento
antiimperialista, podendo redundar num
incremento da resistência nacional e por
soberania dos povos. Fruto disto, milhões
de pessoas em todas as partes do mundo,
manifestam-se pela paz e contra a guerra,
no mais marcante acontecimento de nossa época.
Ao
manifestar-se veementemente contra a
guerra, esta casa congratula-se com a
patriótica posição da diplomacia
brasileira, que, expressando o sentimento
do povo brasileiro, tomou firmes posições
de denúncia da guerra e em defesa da paz.
É
com essa compreensão que conclamamos as
senhoras e os senhores vereadores a
apoiarem este projeto de Lei que retira a
homenagem a esta potência militarista que
é os Estados Unidos, e que na atualidade
não tem feito jus a tal honraria
Sala
das Sessões, em Salvador, 26 de março de
2003.
Vereador
Reginaldo Oliveira
Líder
da bancada do PCdoB
Vereadora Olívia Santana
PCdoB
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